Com técnica e muito peso, Megadeth se supera em “Dystopia”

Megadeth: “Dystopia” (2016)

A expectativa em torno de “Dystopia” era grande. Kiko Loureiro e Chris Adler, reforços de peso, se juntaram a Dave Mustaine e David Ellefson, um pouco desacreditados após o fraco “Super Collider” (2013).

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Felizmente, não há decepção. “Dystopia” é um dos melhores álbuns da discografia do Megadeth. Kiko Loureiro e Chris Adler não revolucionaram a banda, mas mudaram sua sonoridade por meio de detalhes. Deram mais técnica e, de certa forma, peso às composições. Não dá para imaginar algumas músicas presentes nesse repertório com os antecessores Chris Broderick e Shawn Drover, que eram competentes, mas muito mecânicos e até plásticos.

O disco abre com três músicas já conhecidas do público – e muito bem escolhidas para a função de singles. “The Threat Is Real” é mais pesada do que boa parte do catálogo recente do Megadeth, enquanto a bem elaborada faixa título dá sequência com muitos solos de guitarra e uma mudança de andamento inesperada. “Fatal Illusion”, logo após, começa climática, mas descamba para um despejo de riffs agressivos. Já era possível notar a renovação do Megadeth nessas faixas, mas no conjunto soam ainda melhor.

“Death From Within” mantém a agressividade no destaque, com versos grooveados e refrão bem sacado. “Bullet To The Brain” foge do óbvio na estética e tem boas mudanças de andamento – do início acústico, vai para um riff tipicamente thrash e depois descamba em mais um bom refrão. “Post-American World” é o típico heavy arrastado que marca álbuns de sucesso do grupo, no estilo de álbuns como “Youthanasia”. Não me agrada tanto, mas é uma fórmula consagrada. Kiko Loureiro brilha por aqui.

Duas músicas com introduções acústicas, bem ao estilo de Kiko Loureiro, estão na sequência. A primeira, “Poisonous Shadows”, tem um show de pedal duplo por parte de Chris Adler. É a faixa mais longa do álbum, com seis minutos de duração. A segunda, “Conquer Or Die”, é um instrumental que parece ter saído de algum trabalho solo de Loureiro. É incrível a habilidade do brasileiro para esse tipo de composição.

O miolo de “Dystopia” é um pouco mais arrastado e tradicional, mas “Lying In State” retoma a agressividade e a velocidade do início do disco. Vozes dobradas e riffs pesados marcam a canção. “The Emperor” é uma espécie de filha de “She-Wolf”, por ter versos densos e refrão bem aberto. Os solos são sensacionais. Também conhecida do público, a versão para “Foreign Policy” (Fear) fecha o disco de forma interessante.

Não dá para dizer que Kiko Loureiro e Chris Adler salvaram o Megadeth de um marasmo que já atravessava dois discos. Mas é certo que, com suas habilidades técnicas apuradas, ajudaram nessa reconstrução, muito provavelmente capitaneada por Dave Mustaine – o grande cérebro por trás de tudo isso.

“Dystopia” bate de frente com outros registros aclamados, como “Endgame” e até os clássicos da década de 1990, e tem tudo para ser um dos álbuns favoritos dos fãs. Pode até ser um chamariz para novos admiradores, por unir inspiração com muito peso.

Nota 9,5

Dave Mustaine (vocais, guitarra)
David Ellefson (baixo)
Kiko Loureiro (guitarra)
Chris Adler (bateria)

01. The Threat Is Real
02. Dystopia
03. Fatal Illusion
04. Death From Within
05. Bullet To The Brain
06. Post-American World
07. Poisonous Shadows
08. Conquer… Or Die!
09. Lying In State
10. The Emperor
11. Foreign Policy

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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

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