Quando Max Cavalera deixou o Sepultura em dezembro de 1996, Chuck Billy fez um teste para ocupar a vaga. À época, o vocalista do Testament gravou uma demo com “Refuse/Resist”, “Territory” e ”Choke” e enviou para a banda brasileira.
Contudo, o cantor não conseguiu o posto, ocupado desde então por Derrick Green. E há um motivo para isso.
Conversando com o podcast Mostly Yelling, Billy revelou que entregou as gravações ao grupo com atraso e, por consequência, os músicos já tinham tomado a decisão. Conforme transcrição do Blabbermouth, o artista relembrou:
“Entreguei minha demo tarde demais. E achei que tinha feito um bom trabalho. Eles gostaram, mas também disseram: ‘poxa, cara, obrigado por enviar, mas já escolhemos Derrick’. Então, eles já tinham tomado a decisão quando entreguei o material. Mas foi divertido fazer a audição.”
Naquele momento, o Testament enfrentava uma série de turbulências, visto que tinha encerrado o contrato com a Atlantic Records e que procurava um novo acordo. Não só, como lidava com conflitos internos. Até por isso, o vocalista queria “mudar os ares” e entrar para o Sepultura:
“Eu não sabia exatamente o que estava procurando naquela época. Talvez estivesse buscando algo mais estável. [No Testament] estávamos nos desfazendo e perdendo todos os integrantes da formação original. Talvez eu estivesse procurando algo já estabelecido, que tivesse futuro e do qual eu gostasse. Então, tentei. No fim das contas, as coisas acontecem por uma razão. Era para eu me atrasar com o prazo e não conseguir a vaga.”
Hoje em dia, porém, Billy entende que simplesmente não era para ser. Ao Rocking With Jam Man em 2022, o vocalista deixou claro que não ficava chateado por não ter passado pelo seguinte motivo:
“O Testament não seria o Testament [se eu tivesse passado]. Não teríamos conseguido compor os discos que fizemos, como ‘The Gathering’ e todos aqueles grandes álbuns. E a reunião da nossa formação original também não teria acontecido.”
Andreas Kisser acredita que o colega fez um bom trabalho na audição. Só que, de acordo com o guitarrista ao The Jasta Show, o Sepultura queria “alguém novo” no cenário:
“Chuck [gravou seus vocais sobre] a versão demo de ‘Choke’, que, na época, era uma música nova […]. Queríamos alguém que trouxesse novas ideias, que levasse o Sepultura para um caminho diferente, para outro nível. E Chuck Billy fez isso. Ele usou mais o estilo vocal gutural em sua gravação de audição. E funcionou […]. Ele fez um excelente trabalho. Mas, sabe, ele é Chuck Billy, ele é o Testament. Queríamos alguém novo.”
A despedida do Sepultura
Após mais de quatro décadas na ativa, o Sepultura está cada vez mais perto de se despedir dos palcos. A maior banda brasileira de metal realizará o último show de sua turnê de despedida neste sábado (7), no Suhai Music Hall, em São Paulo. A apresentação final já está com ingressos esgotados.
O Sepultura foi fundado em 1984 na cidade de Belo Horizonte pelos irmãos Max (voz e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria). Paulo Jr. (baixo) se juntou logo na sequência, enquanto Andreas Kisser (guitarra) entrou em 1987. Com seu terceiro álbum, “Beneath the Remains” (1989), lançado pela Roadrunner Records, a banda começou a conquistar uma trajetória de sucesso a nível global — continuada na década de 1990, com os seguintes “Arise” (1991), “Chaos A.D.” (1993) e “Roots” (1996).
Ainda em 1996, Max Cavalera anunciou sua conturbada saída do grupo e foi substituído no ano seguinte pelo vocalista Derrick Green. A troca é vista pelo público como o início de um novo período para a banda, especialmente com as mudanças feitas em sua discografia a partir daí. Iggor Cavalera, por sua vez, deixou a formação em 2006. Além de Green, Kisser e Paulo, a formação final conta com Greyson Nekrutman na bateria.
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