Rafael Bittencourt: “sou democrata, progressista e humanista”

Guitarrista e membro fundador do Angra emitiu novo pronunciamento após polêmica com a deputada estadual Eduarda Campopiano

Ao longo da semana, Eduarda Campopiano, deputada estadual por São Paulo eleita no último domingo (4), envolveu-se em uma polêmica com o Angra. A política, notória por seu discurso antifeminista e considerado transfóbico, recebeu críticas do ex-baterista da banda, Marco Antunes, além de um suposto comentário do ex-guitarrista Kiko Loureiro — negado pelo próprio —, por ter usado uma camiseta do grupo. 

Com a repercussão, a formação atual publicou uma nota oficial destacando que não tem “responsabilidade ou envolvimento com manifestações recentemente publicadas por ex-integrantes”. Ainda, que respeitam “a pluralidade de opiniões e ideologias” do público e que consideram “a liberdade de expressão de nossos fãs um princípio fundamental”. 

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Após o posicionamento, que recebeu críticas nas redes sociais, Rafael Bittencourt publicou uma nova nota na noite da última quinta-feira (8). No texto, o membro fundador e guitarrista descreveu-se como “democrata, progressista e humanista” e deixou claro que não apoia “ideias ou manifestações que atentem contra a dignidade humana, a igualdade de direitos e o respeito às diferenças”.

Também afirmou que considera a democracia, direitos humanos e dignidade “princípios inegociáveis” e que é “desanimador perceber que ainda precisamos reafirmar conquistas humanitárias que já deveriam estar consolidadas”. Diz a postagem na íntegra:

“Tenho acompanhado os acontecimentos dos últimos dias e quero esclarecer minha posição de maneira breve. Sou democrata, progressista e humanista. Essas convicções não são abstratas. Estão presentes na minha vida, nas minhas relações, nas pessoas que amo e na maneira como enxergo o mundo. Ao longo de 35 anos de carreira, procurei expressar esses valores por meio da minha música, das minhas atitudes e das minhas relações pessoais e profissionais. Não apoio ideias ou manifestações que atentem contra a dignidade humana, a igualdade de direitos e o respeito às diferenças.

Podemos pensar diferente, discordar profundamente e conviver com essa diversidade. Mas democracia, direitos humanos e dignidade são princípios que considero inegociáveis. Não pertencem à direita ou à esquerda, nem deveriam depender de qualquer partido ou ideologia. Defender a liberdade de expressão também significa reconhecer a responsabilidade pelo que se diz. Esse direito não deve ser confundido com uma autorização irrestrita para ameaças, discriminação ou violência.

É desanimador perceber que ainda precisamos reafirmar conquistas humanitárias que já deveriam estar consolidadas. Quanto ao episódio recente, considero minha posição esclarecida e não pretendo prolongar essa discussão.”

Na seção de comentários, o vocalista Alírio Netto e o guitarrista Marcelo Barbosa demonstraram apoio com emojis. Até o momento, nenhum outro músico da banda emitiu qualquer manifestação. 

Outras manifestações de Rafael Bittencourt 

Em 2023, Rafael Bittencourt falou sobre os ataques de 8 de janeiro, em Brasília, quando cerca de 4 mil manifestantes bolsonaristas invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, segundo o TMDQA, o músico escreveu que sentia “repúdio, desprezo, desânimo, inconformismo, vontade de chorar por um povo que parece perdido. Um atentado à democracia que só traz desordem e regresso à nação representada na bandeira que vestem”.

Neste ano, o guitarrista, que é pai de um filho trans, também abordou a causa em entrevista à Billboard.

Sobre Eduarda Campopiano

Apresentando-se como “a maior inimiga das feministas de São Paulo”, Eduarda Campopiano tem 23 anos e exerceu mandato de vereadora a partir de 2024 na cidade de Praia Grande (SP). Entre suas controvérsias mais notórias (via g1), a deputada estadual eleita já:

  • declarou que “não deve nada ao feminismo”;
  • afirmou que “homem é homem e mulher é mulher” (ao abordar questões de transexualidade);
  • chamou a deputada federal Erika Hilton (Psol) de “homem biológico” (em publicação online pela qual é acusada de transfobia e violência de gênero” em denúncia formalizada no Ministério Público);
  • disse em uma filmagem que “vestibular não é para ser inclusivo” (ao criticar política de cotas);
  • e celebrou a colonização do Brasil em entrevista ao RedCast, afirmando: “A gente volta para os índios cometendo canibalismo aqui no Brasil. Glória a Deus que colonizaram. Glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘Galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva’.” Estima-se que dos 2,5 milhões de povos indígenas que viviam na região que hoje compreende o Brasil na época da chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500, menos de 10% sobreviveram até os anos 1600.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

1 COMENTÁRIO

  1. Ideologia não é nada mais que Ideias, até na origem da palavra, vem de ideia.

    Dizer que defende “uma ideia” e “não ideologia” já não tem lógica alguma.

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