Um político tenta impedir que Marilyn Manson toque como abertura do Slipknot no Estádio de Wembley, em Londres, na Inglaterra, no dia 3 de julho. Com Lorna Shore e Hatebreed também como convidados, a data marca a estreia da turnê “(sic)est stadium tour” e, segundo postagem oficial, é o único compromisso da banda na Europa no ano que vem.
Conforme publicado pela Metal Hammer, o vereador Anton Georgiou, do Partido Liberal Democrata, quer barrar a apresentação do cantor cujo nome verdadeiro é Brian Warner. O motivo são as acusações de abuso sexual contra o artista que correm na Justiça desde 2021.
Em comunicado, Anton cobrou uma posição do Estádio de Wembley, visto que é responsável pelo distrito de Brent, onde o espaço está localizado. Ele declarou:
“Não podemos continuar dizendo que o combate à violência contra mulheres e meninas é uma responsabilidade de todos e, depois, deixar de levantar questionamentos importantes. As acusações contra Marilyn Manson são graves e, embora ele negue qualquer irregularidade, o Wembley Stadium precisa explicar quais aspectos foram considerados antes da confirmação dessa contratação. Também precisa levar em conta a mensagem que isso transmite às vítimas de abuso. O Wembley é uma instituição importante em Brent. O estádio tem a responsabilidade de levar essas preocupações a sério, em vez de se esconder atrás de declarações genéricas sobre segurança e inclusão. Estou pedindo que o estádio reavalie essa contratação e seja transparente sobre como a decisão foi tomada. Isso não é uma questão de censura. É uma questão de responsabilidade e de garantir que nosso compromisso com o combate à violência contra mulheres e meninas tenha efeitos concretos na prática.”
Por sua vez, o Conselho de Brent emitiu o seguinte pronunciamento:
“As decisões sobre quem se apresenta no Wembley Stadium são, em última análise, de responsabilidade do local e dos organizadores dos eventos, e não do Conselho de Brent, que não tem controle direto sobre as contratações comerciais. Isso não diminui nosso compromisso com o combate à violência contra mulheres e meninas, que não tem lugar em Brent. Nossos valores são muito claros, e é por isso que dedicamos tempo, recursos e esforços significativos à prevenção de abusos, ao apoio às vítimas e à construção de um distrito mais seguro.”
Em resposta, o Wembley Stadium explicou que os “eventos realizados no local são acordados com vários meses de antecedência e que a escolha dos artistas de abertura fica a critério do promotor e do artista principal”. Também afirmou estar em contato com o vereador e ter iniciado um diálogo com a promotora do evento a respeito da escalação de Manson.
No ano passado, a performance de Manson que aconteceria em Brighton, na Inglaterra, no dia 29 de outubro, acabou suspensa. Grupos chamados Male Allies Challenging Sexism e No Stage for Abusers vinham pressionando as autoridades para o cancelamento por meio de campanhas online. Siân Berry, deputada do Partido Verde, juntou-se a organizações locais e escreveu uma carta aberta para a vereadora Bella Sankey solicitando a anulação do show.
O que diz Jim Root
Perguntado a respeito das apresentações com Marilyn Manson nas redes sociais, Jim Root mostrou o seu ponto de vista e defendeu-se. Na seção de comentários de uma postagem no Instagram, um fã destacou que estava “animado para que vocês possam fazer novamente o que vocês querem fazer, sem a pressão da gravadora e das empresas”, em relação ao próximo disco, mas que ficou “chateado com a possibilidade de o Kublai Khan TX e o Manson estarem perto de vocês, porém entendo que talvez isso não dependa apenas de vocês”.
Em resposta, o guitarrista afirmou que fica “de fora da parte logística das turnês” e que “outras pessoas cuidam da organização”. Além disso, justificou que não está atento aos novos artistas e à cena atual, o que o deixa ainda com menos poder em uma decisão como a escolha de uma atração de abertura, e que os fãs podem seguir apoiando o Slipknot ou cair fora.
Ele escreveu:
“Nunca tivemos um cara de A&R no nosso ouvido, sugerindo que fizéssemos isso ou aquilo. Uma vez, durante uma visita aos escritórios da Warner em Nova York, conheci o chefe da gravadora. Ele falou sobre ‘trazer compositores de fora’ e eu simplesmente respondi: ‘Não. Não é assim que fazemos as coisas’. E o assunto morreu ali. ‘The End, So Far’ (2022) foi um processo desconexo e uma bagunça. Algumas coisas boas saíram dali, mas, no geral, a covid e a situação do mundo tornaram tudo muito difícil para nós, além de outras circunstâncias.
Eu fico de fora da parte logística das turnês e dessas coisas. Me concentro em compor e em ser guitarrista. Então me desculpem pela minha ignorância sobre com quem fazemos shows. Há outras pessoas, com cérebros muito maiores que o meu, que cuidam de toda essa organização. E, sinceramente, eu não acompanho bandas novas, músicas novas e coisas do tipo. Continuo preso às mesmas músicas que meus pais ouviam quando eu ainda estava me formando como um pequeno ser humano. E, de propósito, não escuto nem presto atenção no que está ‘em alta’ ou no que está acontecendo no momento, justamente para não ser influenciado por nada. Se alguém faz parte da família, vai seguir conosco nessa jornada que começou há mais de 26 anos, antes mesmo de eu fazer parte dessa história. Se não, tchau. E, dito isso, estou atrasado para o estúdio. Falamos depois.”
Acusações contra Marilyn Manson
A leva de acusações contra Brian Warner, que usa o nome artístico Marilyn Manson, foi iniciada em fevereiro de 2021. A atriz Evan Rachel Wood o identificou como o homem que ela dizia, em situações anteriores, tê-la submetido a anos de abuso.
Outras mulheres se manifestaram imediatamente. Nos meses seguintes, a imprensa contabilizou pelo menos 16 pessoas com diferentes tipos de acusações, como estupro, abuso sexual e violência física e psicológica.
Publicamente e à Justiça, Manson negou as alegações e apontou a existência de uma campanha para acabar com sua reputação.
Entre as várias mulheres que fizeram acusações, cinco moveram processos civilmente contra o artista: Esmé Bianco, Ashley Walters, uma ex-namorada anônima, Ashley Morgan Smithline e Bianca Allaine Kyne (que havia iniciado sua movimentação jurídica de forma anônima). Os destinos foram diferentes: dois acordos extrajudiciais (Bianco e mulher anônima), uma desistência processual seguida de retratação (Smithline), uma ação ainda em andamento (Walters) e outro litígio dividido entre Nova York e Louisiana (Kyne). Evan Rachel Wood não moveu ação — na verdade, ele a processou por, entre outras coisas, fabricação de acusações, mas em meio a uma derrota parcial na Justiça, desistiu em novembro de 2024 e pagou cerca de US$ 327 mil pelos honorários advocatícios de Wood.
Paralelamente, uma investigação criminal de quatro anos terminou em janeiro de 2025 sem denúncia. A promotoria de Los Angeles, nos Estados Unidos, informou que não formalizaria acusações criminais contra Marilyn Manson.
As autoridades afirmam que uma parte das denúncias está prescrita. Outras acusações não tiveram comprovação. Promotoria é quem representa os interesses legais do Estado e do público em geral perante os tribunais, investigando crimes e apresentando denúncias. Isso não equivale a uma decisão judicial de que as acusações eram falsas.
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