Com a tentativa frustrada de reunir os membros originais do Black Sabbath no disco “13” (2013), a ideia de um último álbum com a primeira formação voltou a circular internamente nos anos mais recentes. Pouco antes de Ozzy Osbourne morrer em julho do ano passado, os músicos chegaram a discutir a possibilidade, que, no fim das contas, não saiu do papel.
Ao podcast Lipps Service, o produtor Andrew Watt, que trabalhou com o saudoso Príncipe das Trevas em “Ordinary Man” (2020) e “Patient Number 9” (2022), revelou os bastidores da tentativa. A transcrição é do Blabbermouth.
Segundo o profissional de estúdio, o próprio Madman estava interessado em criar um novo material com os antigos colegas. Por isso, com o aval do cantor e da esposa e empresária Sharon Osbourne, Watt entrou em contato com o resto dos integrantes para falar a respeito.
Tanto o guitarrista Tony Iommi quanto o baixista Geezer Butler tinham apenas uma condição para aceitar. Ele relembrou:
“Ozzy tinha feito dois álbuns solo e queria fazer outro. [Ele] não queria fazer exatamente a mesma coisa que tínhamos feito antes, então gostou da ideia de fazer um álbum do Black Sabbath. Sharon, esposa e empresária de Ozzy, e ele disseram que eu precisava ligar para cada um dos integrantes e ver se eles estavam interessados. Liguei para Tony, conversei com ele, e ele disse que estava interessado, desde que Bill [Ward, baterista] estivesse. Essa era a condição de todos. Ozzy dizia: ‘Se o Bill fizer, nós fazemos’. E Geezer disse: ‘se os outros caras estiverem dentro, eu estou dentro’.”
Só que Bill Ward não conseguia fazer o álbum “por vários motivos diferentes”. Sendo assim, o projeto não caminhou e acabou esquecido, como relatado:
“Então tive uma ligação de 40 minutos com Bill, que foi uma das ligações mais estranhas e engraçadas que já tive na vida. Foi pelo telefone. Mas algumas coisas pessoais foram discutidas naquela ligação, que fizeram Ozzy e Sharon caírem na risada. Era como uma piada interna. Resumindo, acabou que Bill não poderia fazer o disco. Ele não conseguia participar por vários motivos diferentes. Então foi por isso que não aconteceu. Mas os outros integrantes estavam todos interessados em fazer. Depois, Bill enviou para todos nós um e-mail enorme, e então acabou.”
A versão de Tony Iommi
Tony Iommi tem uma versão diferente. Durante recente entrevista à Classic Rock, o guitarrista revelou que Andrew Watt estava “animado demais” com a possibilidade de um novo álbum do Sabbath, enquanto ele próprio não ficou convencido de que a criação funcionaria:
“Eu conheci o Andrew Watt quando ele estava produzindo as músicas do Ozzy. Ele estava muito empolgado e um pouco animado demais [com a ideia de um novo álbum do Sabbath]. Ele também não sabia como era trabalhar com o Sabbath original, trabalhar com o Bill. Além disso, tínhamos feito o ‘13’, e eu não gostava da ideia de: ‘agora, aqui está outro álbum’.”
Em julho do ano passado, o músico já havia mencionado o convite recebido para um novo disco da banda. À época, conversando também com a Classic Rock, o membro apresentou outro motivo para não querer seguir adiante com a proposta:
“Fui procurado para fazer um álbum do Sabbath. Poderia ser bom, mas não quero dedicar tempo a me sentar e escrever coisas como da última vez, sem rumo.”
Na mesma ocasião, Ward disse que “adoraria fazer outro álbum”. Já Geezer respondeu:
“Eu gostaria que tivéssemos feito outro álbum? Não, não gostaria, mas, se alguém realmente quisesse fazer outro, eu toparia. Só não faria apenas por fazer.”
De qualquer forma, os quatro integrantes originais reuniram-se em um show. No dia 5 de julho de 2025, poucos dias antes da morte do Príncipe das Trevas, o Black Sabbath subiu ao palco pela última vez no festival Back to the Beginning, no Villa Park, em Birmingham, na Inglaterra.
Problemas de saúde de Bill Ward
Ao longo das décadas, Bill Ward lidou com uma série de problemas de saúde. Ainda em 1998, ele deixou de participar de dois shows do Black Sabbath devido a um infarto.
Depois, segundo Ozzy, o artista esteve no hospital por diversas vezes em 2013, até para uma cirurgia no ombro. À época, em publicação no Facebook, o vocalista declarou que ele e os colegas “não achavam que Bill conseguiria fazer um show de duas horas com um solo de bateria toda noite” e, por isso, não o mantiveram para a reunião do grupo.
Na época, o músico foi substituído por Brad Wilk (Rage Against the Machine, Audioslave) nas gravações do álbum “13” (2013). Nos shows subsequentes, Tommy Clufetos, membro da banda solo de Ozzy Osbourne, assumiu as baquetas.
Para completar, em 2017, o baterista acabou internado novamente com problemas cardíacos. Em 2025, ele revelou à revista Classic Rock que sofre de neuropatia — disfunção nos nervos que pode causar sintomas como dor, formigamento, dormência e fraqueza.
No ano passado, o Sabbath realizou um show de despedida no festival próprio Back to the Beginning. Para conseguir se apresentar, Ward adotou uma preparação intensa. Ao veículo mencionado, o músico disse que vinha aplicando bolsas de gelo nos pés, porque “eliminam toda a dor e a queimação”, e que vinha praticando por “horas” e “se readaptado ao uso de pratos pesados”.
Além disso, o baterista contou que dedicava-se ao fortalecimento dos pulsos e à melhora do condicionamento físico. Por isso, passou a praticar lutas, como detalhado: “Faço treinos de sparring [luta], boxe… isso mantém a parte superior do corpo em forma. Estou levando isso a sério.”
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