Michael Anthony não participava do processo criativo do Van Halen, segundo Alex

Baterista mencionou tópico ao explicar como funcionava dinâmica no estúdio, destacando também as contribuições do ex-colega para o som da banda

Michael Anthony ganhou notoriedade como integrante do Van Halen. Perguntado a respeito da própria carreira em 2008, o baixista descreveu-se como um “sideman” que “mantinha o groove”, o que considera “um trabalho muito importante”.

Eddie Van Halen mencionou no passado que as ideias da banda começavam com ele e, então, estendiam-se aos outros membros. Por sua vez, Anthony, conversando com Christopher Buttner em 1995, destacou que sua meta era sempre “conseguir estabelecer um groove de uma nota com Alex, então Eddie pode simplesmente tocar o que quiser”.

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Alex Van Halen, porém, acredita que o ex-colega não teve um grande papel no processo criativo do Van Halen. O assunto surgiu durante entrevista a Marcelo Vieira para a Roadie Crew, na edição de julho. 

Primeiramente, o baterista citou a dinâmica que mantinha em estúdio com o falecido irmão e guitarrista e com o vocalista David Lee Roth. Em suas palavras:

“Sinto que cada disco é como um filho; cada um reflete uma faceta diferente da nossa arte. A chave do nosso sucesso era a divergência: Dave, Ed e eu pensávamos de modos muito diferentes, e era esse atrito que fazia a magia acontecer. No estúdio, Ed e eu batíamos de frente o tempo todo, mas de um jeito construtivo.”

Questionado então pelo jornalista Marcelo Vieira sobre “dar a entender que o papel do Michael Anthony era mais limitado”, o músico respondeu que é justamente assim que enxerga a situação. Ele justificou:

“Geralmente ele não [participava do processo criativo], mas nossa dinâmica era essa. Com mais uma pessoa opinando em cada detalhe, o processo criativo provavelmente travaria. No fim das contas, cada um exerce um papel fundamental para o grupo funcionar, e o do Mikey era essencial à sua maneira. Fora do estúdio, éramos inseparáveis; era meu parceiro de copo e de risadas. Gostava demais da companhia dele.”

Por fim, apesar de tal declaração, Alex classificou o baixista como “vital” para o som do Van Halen, sobretudo pelos vocais de apoio. Ao mesmo tempo, refletiu sobre as diferenças profissionais com o ex-colega, que levaram ao rompimento definitivo da parceria 

“Mikey foi vital para o nosso som. Aqueles backing vocals ajudavam a lapidar os agudos do Ed, criando uma harmonia única. Fora que ele era extremamente profissional. Muita gente fala da nossa separação como algo maldoso, mas não foi. A realidade é que o Van Halen exigia uma entrega total, e o Mikey tinha outras prioridades. Se você não está imerso no estúdio o tempo todo como nós, a dinâmica quebra. O comprometimento precisa ser de 100%. Sinto um carinho enorme pelo Mikey, de verdade, mas estávamos em sintonias diferentes em relação ao foco na música. E tudo bem.”

À Classic Rock em 1978, Eddie deu créditos ao baixista quanto aos arranjos. Ao detalhar o processo de criação do então vindouro disco “Van Halen II” (1979), o guitarrista afirmou:

“Nós compomos o tempo todo. Essa é uma das coisas boas da banda, e todo mundo contribui. Eu sou o guitarrista, então escrevo todos os riffs e essas coisas, mas o Dave [Lee Roth] escreve as letras, e o Al [Alex Van Halen] e o Mike [Anthony] ajudam muito nos arranjos. Então, cada música é um trabalho coletivo. Não existe uma música sequer que tenha sido totalmente escrita por uma única pessoa.”

Pouco mais tarde, à Guitar Player em 1980, acrescentou:

“Ele é um baixista muito bom. Ele realmente toca baixo. Ele não é o Jack Bruce, não toca guitarra no baixo. Quando o Al e o Mike estão tocando, o mundo fica aberto para mim. Posso fazer o que quiser. Eles estão ali me dando apoio, me alimentando. Se ele fosse um Jack Bruce, eu estaria competindo com ele. Todo mundo manda muito bem, mas cada um no seu espaço.”

Sobre Michael Anthony

Michael Anthony Sobolewski começou a tocar baixo aos 13 anos. Apesar de canhoto, sempre usou o instrumento em seu modo mais popular, pela maior disponibilidade no mercado.

Após várias bandas, conseguiu projeção local com o Snake, acumulando função de vocalista. Despertou a atenção dos irmãos Van Halen, que o convidaram para se juntar ao grupo.

Anthony entrou para o Van Halen em 1974 e permaneceu até 2006, quando foi oficialmente substituído por Wolfgang Van Halen — filho do saudoso guitarrista Eddie Van Halen — na turnê de reunião com o vocalista David Lee Roth iniciada no ano seguinte. 

Posteriormente, seguiu tocando com Sammy Hagar, seja na carreira solo do cantor ou nos supergrupos Chickenfoot e The Circle. Inclusive, participou da recente turnê liderada pelo Red Rocker em homenagem ao Van Halen intitulada “Best of All Worlds”, que deu origem a uma residência em Las Vegas.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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