Tony Iommi anunciou recentemente seu primeiro solo em mais de duas décadas. Intitulado “From the Dark”, o disco sucessor de “Fused” (2005) chega a público no próximo dia 29 de outubro via BMG.
Para o material, o guitarrista do Black Sabbath contou com: Jørn Lande (ex-integrante do Masterplan e Allen/Lande) nos vocais; Karl Brazil (James Blunt, Robbie Williams) na bateria e Becky Baldwin (Mercyful Fate) no baixo.
Conversando com a Rolling Stone, o músico explicou que, inicialmente, a ideia era que o baixista Geezer Butler, seu companheiro no Sabbath, participasse das gravações. Porém, por incompatibilidade de agendas, optou por Baldwin, cujo estilo o agrada:
“Eu queria que Geezer tocasse neste álbum, mas não foi possível […]. Eu queria concluir o álbum e finalmente lançá-lo. Como a Becky é fã do Geezer e toca nesse estilo, pensei: ‘vamos tentar.’ E deu certo. Ela foi muito bem. Becky mora em Birmingham e é uma ótima baixista. Além disso, é uma grande fã do Geezer e toca no estilo dele. Era exatamente isso que eu queria. Ela é realmente muito boa.”
Inicialmente, Becky estava insegura quanto à parceria. Tanto é que pensou que não passaria no teste para tocar no disco.
Em uma postagem nas redes sociais (via Ultimate Classic Rock), a musicista compartilhou uma imagem ao lado de Iommi, tirada no primeiro dia de de sessões. Na legenda, contou que ficou tão nervosa que tinha certeza de que o guitarrista procuraria outra pessoa:
“Tenho trabalhado em um álbum com o criador do heavy metal, o próprio mestre dos riffs, Sr. Tony Iommi. Essa foto foi tirada no fim da nossa primeira sessão de gravação, no dia em que nos conhecemos. Eu ainda não conseguia acreditar que essa grande honra poderia ser real, e estava tão nervosa gravando na frente do Tony uma música dele sem qualquer preparação que tinha certeza de que, assim que eu saísse da sala, eles procurariam outro baixista.”
Até por isso, a integrante do Mercyful Fate resolveu aproveitar a oportunidade e registrar o momento. Na mesma hora, porém, ficou surpresa ao ter a confirmação de que havia conseguido a vaga:
“Eu perguntei: ‘podemos tirar uma foto juntos rapidinho, caso eu nunca mais veja você?. Tony apenas riu e disse: ‘você vai estar de volta aqui em duas semanas para a próxima sessão’. Mas ele atendeu ao meu pedido. E eu ainda não acreditava muito no que ele havia dito.”
Por fim, Becky ressaltou a honra de ter feito parte de “From the Dark” e adiantou:
“Oito meses depois, aqui estamos. O nervosismo passou e eu realmente pude gravar o restante das linhas de baixo para o incrível álbum do Tony. Tenho muito orgulho de fazer parte disso e estamos muito felizes com os resultados do trabalho com o produtor Mike Exeter. Já ouvi as mixagens finais e sei que o restante do álbum será lançado em outubro. Agora preciso acreditar que tudo isso é real.”
Becky Baldwin e Geezer Butler
Ainda em fevereiro, Becky Baldwin revelou ao Metal Voice que estava envolvida em um grande projeto, mas que não poderia dar detalhes ainda. De qualquer forma, em dezembro de 2024, a baixista publicou uma releitura de “Children of the Sea”, do Black Sabbath, e destacou na descrição a admiração por Geezer Butler, a quem já conheceu pessoalmente:
“Certamente meu baixista vivo favorito e minha ‘celebridade’ favorita em geral… Geezer Butler talvez ocupe, para mim, uma posição acima de Cliff Burton como o melhor baixista de todos os tempos. As muitas fases do Black Sabbath são dignas de grande respeito, especialmente a era inicial com Ozzy. Mas o estilo de Geezer nessa fase de ‘Children of the Sea’, com Ronnie James Dio nos vocais, pedia uma análise detalhada. Os riffs de baixo são pesados, com alguns dos divertidos preenchimentos de Geezer e belas melodias, mas sem tanta improvisação quanto ele explorou na produção da banda nos anos 1970.”
Tony Iommi e “From the Dark”
Num comunicado à imprensa, Tony Iommi afirma a respeito de “From the Dark”: “Foi um álbum que realmente gostamos de fazer. Não estamos tentando provar nada; é um ótimo álbum, é puro rock!”. A nota da assessoria complementa:
“Desde as notas iniciais de ‘Over the Violent Sun’ — que traz um riff de guitarra clássico e enérgico em afinação baixa, marca registrada de Tony Iommi, e a impressionante capacidade vocal dramática de Jorn Lande —, fica claro que ‘From the Dark’ é um álbum excepcional, digno de seu lugar no impressionante catálogo de Iommi. ‘Black Times’ dá continuidade à jornada com um impacto avassalador e implacável, conduzindo ao primeiro single explosivo, ‘World Alone’, antes que a quarta faixa, ‘Beyond the Dead’, mude o ritmo com um riff imponente e sinistro entrelaçado a uma orquestração épica. O questionamento existencial presente nas letras de Lande — repletas de imagens distópicas e reflexões sobre a natureza efêmera da experiência humana — é evidente em todo o álbum, especialmente na faixa ‘Stormwatcher’, com suas metáforas náuticas e sonhos de novos horizontes. Ponto central brilhante deste álbum notável, ‘Stormwatcher’ é equiparada em alcance e dramaticidade pela faixa seguinte, ‘Death Wake’; música e letra unem-se para criar um retrato vívido das crueldades de uma vida desprovida de amor e humanidade. As duas últimas faixas de ‘From the Dark’ — a paixão furiosa de ‘Return of the Arbalist’ e o caleidoscópio verdadeiramente épico de ‘Legacy’ — evidenciam o poder e o drama, a luz e a sombra que permeiam o álbum.”
O primeiro single, “World Alone”, está disponível com videoclipe. Confira abaixo:
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