Após deixar o Whitesnake, John Sykes assumiu a liderança do Blue Murder. Com o baixista Tony Franklin e o baterista Carmine Appice na formação inicial, a banda começou suas atividades em 1987 e lançou os álbuns “Blue Murder” (1989) e “Nothin’ But Trouble” (1993), antes de encerrar as atividades em 1994.
Só que o guitarrista não ficou satisfeito com os resultados conquistados pelo projeto. À Melodic Rock, o próprio revelou que o material de estreia vendeu 500 mil cópias, destacando que “a gravadora não o promoveu tão bem” e que “outras bandas estavam vendendo mais”.
A situação se repetiu com o segundo trabalho do grupo, que contou com o baixista Marco Mendoza, o baterista Tommy O’Steen e o tecladista Nik Green. Em entrevista à Vintage Guitar, o falecido guitarrista afirmou que a gravadora “não fez nada” para divulgar o material, que só figurou nas paradas japonesas.
Segundo Appice, Sykes entrou em depressão devido às vendas abaixo do esperado. O assunto surgiu em entrevista à Rock Daydream Nation, transcrita pelo site IgorMiranda.com.br.
Na opinião do baterista, o surgimento do grunge colaborou para o desempenho comercial limitado do Blue Murder. Ainda assim, Sykes não lidou bem com a situação e “nunca se recuperou”:
“Quando [o primeiro álbum] fracassou em vendas, fomos ao Japão e fizemos show para 12 mil pessoas, pois a banda era enorme lá. Quando voltamos, o grunge surgiu, Blue Murder acabou e John entrou em depressão. Ele nunca se recuperou do fracasso do Blue Murder. Na época, não fez nada por um tempo.”
Para Appice, o problema não estava necessariamente na gravadora, mas, sim, nos empresários. O baterista acredita que a maneira com que a gerência da banda lidou com os primeiros singles prejudicou todo o resto:
“Não tínhamos os empresários certos. Acho que foi culpa dos empresários. Eles não sabiam o que estavam fazendo […]. John dizia que a Geffen sabotou o álbum. Eu não sei. Era para termos um empresário forte que diria: ‘não queremos ‘Valley of the Kings’ rodando muito na MTV, vamos lançá-la como primeiro single, mas a música maior será a seguinte, ‘Jelly Roll’, aí sim apostaremos alto’. Não tinha ninguém para falar isso.”
Grunge “contribuiu”
De qualquer forma, John Sykes também colocou o grunge como um dos responsáveis por todo o cenário mencionado em declaração à Metal Hammer (via Whiplash):
“Quando lançamos nosso segundo álbum, ‘Nothin’ But Trouble’, em 1993, todo o mercado musical havia mudado. O grunge havia surgido e o tipo de música que estávamos fazendo foi subitamente descartado. Ninguém queria mais saber. Então nos separamos porque nosso tempo havia passado. Nunca imaginei que isso aconteceria quando nosso álbum de estreia ‘Blue Murder’, foi lançado em 1989, mas foi assim que tudo aconteceu.”
Sobre John Sykes
Nascido em Reading, Inglaterra, John Sykes despontou na cena tocando com o Tygers Of Pan Tang, banda referencial da NWOBHM. Gravou os álbuns “Spellbound” (1981) e “Crazy Nights” (1982), além de ter participado de duas faixas em “The Cage” (1983).
A seguir, foi recrutado pelo Thin Lizzy, gravando o disco “Thunder and Lightning” (1983) e realizando a turnê de despedida da banda. Participou de algumas reuniões na virada do século com ex-membros, no formato de tributo oficial a Phil Lynott.
Em seguida, foi contratado por David Coverdale e se juntou ao Whitesnake. A parceria rendeu o momento de maior sucesso comercial na história da banda e muitas desavenças, fazendo com que a mágoa mútua perdure até os dias atuais.
Nas décadas recentes, manteve-se com poucas atividades profissionais. Chegou a ser anunciado no embrião do que se tornaria o The Winery Dogs, mas não ficou no grupo.
No dia 20 de janeiro de 2025, chegou a público a notícia de que o músico havia falecido, ainda em 2024, aos 65 anos. Ele não resistiu a uma batalha contra um câncer.
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