Fundada em 2010, a Nervosa passou por diversas mudanças ao longo dos anos. Apenas na bateria, por exemplo, oito instrumentistas diferentes já ocuparam o posto. Hoje, Prika Amaral é a única integrante remanescente da formação original.
Por ter feito parte de todas as fases, a vocalista e guitarrista não esconde o incômodo com as críticas advindas de tais alterações. Conversando recentemente com Marcelo Vieira para a Roadie Crew, a artista mencionou o tópico e lamentou o apelido recebido de “Prika Mustaine”, em referência a Dave Mustaine, líder do Megadeth, conhecido pela fama de ser difícil de trabalhar em razão das frequentes trocas no grupo.
Rotulando a visão como “rasa” e citando a realidade de outros empregos como exemplo, a artista explicou:
“As pessoas mudam de opinião, e isso faz parte. O pessoal precisa parar de inventar teorias e me culpar por tudo. Me chamam de ‘Prika Mustaine’ e coisas do tipo, mas isso é muito raso. É um trabalho como qualquer outro: ninguém tem o mesmo emprego ou o mesmo parceiro a vida toda, então por que na música seria diferente? Esse estigma de ser sempre a culpada já deu.”
Prika ainda ressaltou que, dentro de uma banda, é necessário que todos os membros estejam alinhados e com o mesmo nível de dedicação:
“Todo mundo ali abre mão de muita coisa e faz sacrifícios pessoais, então se uma pessoa não entrega o que deve, isso vira desrespeito com as outras. Como somos um grupo, todo mundo precisa estar no mesmo nível de dedicação.”
Prika Amaral: “não tenho problemas com nenhuma ex-integrante”
Em 2024, a frontwoman já havia sido perguntada a respeito do tema durante entrevista ao Blabbermouth. Na ocasião, a musicista afirmou que não tinha problemas com nenhuma ex-integrante da Nervosa e deixou claro que cada uma seguiu o caminho que considerava mais adequado para si:
“Sempre nos comparam e dizem, ‘os Rolling Stones tiveram a mesma formação por eras’. Sim, claro, mas era uma época diferente. Eles eram amigos desde a infância. Agora, não nos conhecemos. Nós nos conhecemos pela internet. Temos vidas diferentes. Eles nunca tiveram uma experiência dessas. Às vezes, você tem pessoas que acham que querem algo e passam por isso, então enfrentam os problemas que existem […]. Eu não tenho problemas com nenhuma ex-integrante da banda e não acho que elas tenham um problema com a Nervosa. É apenas uma maneira diferente de pensar, cada um escolhe o que é melhor para si. E está tudo bem. Não há problemas. Precisamos ser felizes e fazer o que queremos. A vida é muito curta.”
Nervosa atualmente
“Slave Machine”, álbum mais recente da Nervosa, chegou a público em abril. Além de Prika Amaral, a formação atual é composta por Helena Kotina (guitarra), Hel Pyre (baixo), Emmelie Herwegh (baixo) e Michaela Naydenova (bateria).
Durante apresentação no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, em dezembro do ano passado, a vocalista e guitarrista explicou o motivo pela qual a banda oficializou duas baixistas. Conforme o Whiplash, a frontwoman contou:
“Temos o privilégio de ter duas baixistas. Elas não tocam juntas, elas vão revezando entre as turnês e tudo mais. [Hel] tem uma filhinha pequena e nem sempre pode ir para todas as turnês. Ela tem que cuidar da filha, que é muito pequenininha, ela não tem com quem deixar […]. Eu não vou tirar nenhuma mulher só porque ela ficou grávida ou porque tem um filho. Isso não é motivo para tirar ninguém da banda. Sempre podemos encontrar um jeito de fazer todo mundo viver um sonho.”
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