Ian Gillan saiu do Deep Purple pela primeira vez em 1973. À época, o vocalista entregou uma carta de demissão à banda e aos empresários e deixou a formação meses mais tarde após realizar o último show da turnê em divulgação ao álbum “Who Do We Think We Are” (1973).
Inúmeros motivos levaram à decisão: conflitos criativos, sobretudo com o guitarrista Ritchie Blackmore, convivência desgastada e quantidade de trabalho. Influências externas também ocasionaram a rachadura do grupo, que ainda perdeu o baixista Roger Glover no mesmo ano.
Durante entrevista ao podcast Rockonteurs, transcrita pela Ultimate Classic Rock, o cantor mencionou o tópico. Primeiro, o integrante destacou como, inicialmente, todos os membros eram próximos e funcionavam como uma unidade:
“Você começa com cinco caras em uma van, levando os equipamentos atrás, depois cresce um pouco, compra um caminhãozinho para levar os instrumentos, contrata dois roadies e tudo vai se expandindo. De início, vocês ainda são uma unidade e continuam dividindo quartos.”
Só que a interferência de outras pessoas prejudicou a dinâmica interna. Sem citar nomes, o cantor explicou:
“Então chegou um momento em que, de repente, aquele grupo passa a incluir os relacionamentos pessoais de cada um. A partir daí, as influências externas já não se encaixam tão bem quanto a convivência entre os próprios integrantes da banda. Aos poucos, as pessoas começam a se afastar. De repente, um dos músicos já não fica mais no mesmo hotel porque essas pessoas não se dão muito bem, não querem conversar umas com as outras e todo o resto.”
Ian Gillan também tem culpa
O próprio assume a culpa no distanciamento. Porém, não deixa de mencionar a direção que Blackmore queria seguir como um grande fator para o comportamento:
“Eu fui tão culpado quanto qualquer outra pessoa, provavelmente mais do que qualquer um. Um dos fatores principais foi uma pequena mudança na mentalidade da banda. Acho que o Ritchie estava caminhando para aquilo que depois se tornaria o Rainbow em termos de composição. Tinha a impressão de que muito da empolgação e da loucura que existiam antes estavam desaparecendo aos poucos.”
Empresários e “interesses próprios”
Ao The Sandy Times no ano passado, Ian Gillan foi mais direto e ainda atribuiu a situação aos relacionamentos pessoais de cada um e à participação dos empresários:
“Quando começamos, éramos amigos muito próximos. Viajávamos juntos, eu e Ritchie dividíamos um quarto, enquanto Jon Lord e Roger Glover ficavam em outro, e nos dávamos muito bem. Mas, depois, todos arrumaram namoradas, vieram novos empresários, e diversas influências de fora começaram, aos poucos, a afetar a banda. A química entre as pessoas é extremamente delicada e está sempre sendo moldada por fatores externos. Não existe uma ciência capaz de explicá-la de verdade.”
À Classic Rock, o vocalista completou que as outras pessoas envolvidas com o Deep Purple tinham “interesses próprios”. Era aí que morava o problema:
“O clima no Deep Purple naquela época era simplesmente horrível e, para mim, foi um enorme alívio quando tudo aquilo finalmente acabou. Para entender o que estava acontecendo dentro da banda, seria preciso ser um psicólogo. Todo mundo daquela formação se comportava como um babaca e estou me incluindo nisso. Eu era tão ruim quanto o resto deles. O que também não nos ajudava naquela época era o envolvimento de muitas outras pessoas, que tinham seus próprios interesses e faziam com que trabalhássemos até a exaustão. Se tivéssemos conseguido fazer uma pausa, talvez as coisas pudessem ter sido resolvidas. Mas estávamos presos a um ritmo incessante, e chegou um momento em que eu simplesmente precisei sair.”
Sobre Ian Gillan
Nascido em Chiswick, distrito ao Oeste de Londres, Ian Gillan começou a carreira atuando em várias bandas locais. O primeiro grande destaque internacional aconteceu quando se juntou ao Episode Six, que também contava com o baixista Roger Glover.
Em 1969, os dois foram convidados para se juntar ao Deep Purple. Ficaram até 1973, retornando em 1984. O cantor saiu novamente em 1989, voltando em 1993 e permanecendo até hoje.
Em 1970, ganhou o papel principal em “Jesus Christ Superstar”, musical de Andrew Lloyd Webber. Foi o terceiro vocalista a gravar com o Black Sabbath, registrando o álbum “Born Again” em 1983. Saiu após a turnê de divulgação.
Sua carreira solo se divide em três fases: a Ian Gillan Band, nos anos 1970; o Gillan até 1982 e trabalhos com o próprio nome conciliando com o Deep Purple desde 1988.
Deep Purple no Brasil
O Deep Purple volta ao Brasil para show único. Será no dia 5 de dezembro (sábado), na Suhai Music Hall, em São Paulo. Ingressos estão à venda pelo site Eventim.
Será a 16ª visita do Purple ao Brasil — a mais recente até então ocorreu em junho de 2025, no festival Best of Blues and Rock, também na capital paulista. A banda conta hoje com Ian Gillan (vocal), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria), Don Airey (teclados) e Simon McBride (guitarra).
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