Spiritbox realça poder em grandes arenas e mostra aspirar a voos mais altos em SP

Quarteto canadense cai feito luva tocando antes do Korn, leva público próprio ao estádio e prova estar pronto para regressar com turnê própria

Quando o Spiritbox fez sua estreia no país em 2024 como uma espécie de “abertura de luxo” para o Bring Me the Horizon, no mesmo Allianz Parque para onde regressaram tocando antes do Korn no sábado (16), o colega Igor Miranda destacou em sua resenha aqui no site o fato de o quarteto formado por Courtney LaPlante (voz), seu esposo Mike Stringer (guitarra), Josh Gilbert (baixo) e Zev Rose (bateria) deixar de ser uma promessa e se tornar uma realidade. Pois bem: o que os canadenses fizeram desta vez foi repetir o feito e subir mais um ou dois degraus em termos de aceitação, entrega e conquista de novos fãs.

Não que não houvesse quem tenha ido ao estádio para vê-los, pois era até comum ver pessoas trajando camisetas do conjunto — especialmente o público feminino e/ou mais jovem. Todavia, o desenvolvimento de uma base de fãs é assim mesmo: se dá de modo gradativo e voltando a uma determinada cidade até terem público suficiente para uma turnê própria como headliner. E talvez seja este o próximo desafio deles por aqui; afinal de contas, já sabemos que em grandes arenas eles funcionam super bem.

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Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

A festa começou pontualmente às 20h com o metalcore de “Cellar Door”. Não há como evitar: Courtney magnetizava atenções e olhares. De diferente em relação a 2024, ela se apresentou de óculos — não escuros, mas aparentemente de grau mesmo — e, ao término de sua sucessora, “Black Rainbow”, notava-se um padrão peculiar: as músicas terminavam, mas não “acabavam por inteiro”. Sempre sobrava um “restinho” sonoro ao fundo funcionando com ambientação para encerrar o tema vigente e/ou uni-lo ao seguinte, que às vezes começava e você mal percebia.

A sensação não foi exclusiva deste escriba. Ao lado dele, um grupo de amigos dividiam impressões e um deles mandou um “Acabou a música?” numa espécie de “final falso” de “Black Rainbow”. Bem mais palatável, apesar dos riffs fortes, “Perfect Soul” evidenciou a facilidade da frontwoman em transitar dos guturais anteriores a vocais limpos sem deixar de ter a plateia na mão, a ponto de soltar um “I wanna hear you scream” com a faixa ainda em execução e ser plenamente atendida em resposta.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

O caldeirão de influências seguia fervendo com “Keep Sweet”, com linhas vocais melodiosas e beirando o pop substituídas por momentos de pancadaria sonora e partes super agressivas da vocalista. Era a terceira em sequência do novo álbum, “Tsumani Sea” (2025). E seu agradecimento pré-“Jaded” pode ter soado chavão ao citar a falta sentida do público brasileiro, a menção a terem tocado em dois shows esgotados e graciosamente perguntar se a galera queria mais algumas músicas. Porém, a alegria estampada no rosto dela atrelava simplicidade a sobra de carisma e sinceridade

Em “The Void” ressaltou-se a importância dos backing vocals de Josh, por vezes passando despercebido, mas fundamental para manter a engrenagem funcionando. “Yellowjacket”, por sua vez, trouxe pitadas de música eletrônica, baixo pulsante, riffs de moer os ouvidos e soou perfeita para banguear sem se preocupar com o domingo. Gilbert aparece novamente no microfone, agora assumindo as partes gravadas originalmente pelo convidado Sam Carter (Architects). É, ainda, uma das canções em que Courtney sensualiza para delírio da plateia — ela usa tal elemento a seu favor e não passa do ponto.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

“Circle with Me”, a próxima, pode ser encarada como a síntese do show: o início é arrebatador, mas quando se esperava a manutenção do quadro, acalma-se em variações de linhas vocais pesadas e depois envolventes. “Rotoscope” mostrou-se até dançante e “Holy Roller” foi dedicada a todos os presentes, ao baixista Shavo Odadjian, ao Seven Hours After Violet — e contou com a participação de seu vocalista, Taylor Barber. Foi outra faixa de começo arrasador flertando com o eletrônico, presente também em sua metade. A saideira foi “Soft Spine”, principal single do álbum mais recente.

Do repertório de estreia para este, excluíram “Angel Eyes”, “Blessed Be” e “Hysteria”, e acrescentaram “Black Rainbow” e “Keep Sweet”. Quatro canções do álbum de estreia, “Eternal Blue” (2021), dividiram espaço com o mesmo número de faixas de “Tsunami Sea”. Três números do EP “The Fear of Fear” (2023) e a faixa-título do também EP “Rotoscope” (2022) completam a conta.

Resta aguardar por um retorno para show solo, algo que Courtney LaPlante admitiu à Rolling Stone Brasil planejar para 2027. Se já sabemos que o Spiritbox é absolutamente funcional como atração de primeiro nível abrindo para grupos ainda maiores, imagine-se o que poderão mostrar para os fãs próprios e os agregados nas duas vindas a São Paulo ao tocarem num espaço menor e mais intimista. Demanda haverá.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Spiritbox — ao vivo em São Paulo

  • Local: Allianz Parque
  • Data: 16 de maio de 2026
  • Produção: 30e

Repertório:

  1. Cellar Door
  2. Black Rainbow
  3. Perfect Soul
  4. Keep Sweet
  5. Jaded
  6. The Void
  7. Hurt You
  8. Yellowjacket
  9. Circle With Me
  10. Rotoscope
  11. Holy Roller [com Taylor Barber]
  12. Soft Spine

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