“O ontem está morto e sepultado.” A tradução do título da faixa que abriu o repertório do Arch Enemy no Bangers Open Air 2026, no último sábado (25), parece resumir a constante reinvenção da banda — uma que leva a sério a máxima “rei morto, rei posto”, só que, no caso, com rainhas.

Escalado como headliner no Hot Stage após a saída do Twisted Sister, o grupo chegou cercado de especulações. Parte do público alimentou a expectativa de um retorno de Angela Gossow, a monarca original que hoje atua como empresária. O ruído aumentou quando Mayara Puertas (Torture Squad) fez publicações sugestivas nas redes sociais, levando fãs e até alguns veículos a apostarem em participações especiais.
Nada disso se confirmou. A coroa, ainda com fios de cabelo azul de Alissa White-Gluz, acabou entregue à americana Lauren Hart, conhecida pelo trabalho com o Once Human.

A nova vocalista entrou em cena com disposição, mas também sob escrutínio. Ao vivo, Hart demonstra esforço visível para alcançar a agressividade vocal exigida pelo repertório. Há entrega física — veias saltadas, postura tensa, expressão concentrada — e, em muitos momentos, ela consegue sustentar a intensidade. Ainda assim, fica a impressão de que o desempenho cobra um preço, levantando dúvidas sobre consistência e resistência a longo prazo.
A parte técnica comprometeu de forma mais evidente. O som do Hot Stage foi um obstáculo constante na hora e meia de apresentação. A bateria de Daniel Erlandsson, excessivamente alta e processada, engoliu o restante os instrumentos. As guitarras de Michael Amott e Joey Conception e o baixo de Sharlee D’Angelo careceram de definição.

O resultado foi um bloco sonoro indistinto, que soterrava nuances essenciais do death metal melódico que se ouve nos discos de estúdio. Em diversos momentos, o público parecia reconhecer as músicas apenas nos refrães, tamanha a dificuldade de identificação nos versos.

O repertório, por sua vez, apostou em segurança. Houve cortes em relação a apresentações recentes — quem esperava faixas como “Silverwing”, “Enemy Within” ou “Dead Eyes See No Future” ficou a ver navios. Em compensação, o setlist acertou em cheio ao revisitar dois dos álbuns mais celebrados da banda: “Wages of Sin” (2001) e “Doomsday Machine” (2005). “Ravenous” do primeiro e “Nemesis” do segundo garantiram a resposta mais imediata do público, ainda que prejudicadas pela equalização deficiente.

No fim das contas, para uma banda que construiu sua reputação em cima de precisão em meio a agressividade, ficou a sensação de que, naquela noite, nem tudo esteve à altura.

Arch Enemy no Bangers Open Air 2026 — setlist:
- Yesterday Is Dead and Gone
- The World Is Yours
- Ravenous
- War Eternal
- Dream Stealer
- To the Last Breath
- Blood Dynasty
- My Apocalypse
- Bury Me an Angel
- The Eagle Flies Alone
- No Gods, No Masters
- I Am Legend
- Dead Bury Their Dead
- Snow Bound
- Nemesis

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