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Som ensurdecedor compromete show do Arch Enemy no Bangers

Mesmo com repertório forte e curiosidade em torno da nova vocalista Lauren Hart, falhas técnicas impedem impacto proporcional ao peso do nome no topo do lineup

“O ontem está morto e sepultado.” A tradução do título da faixa que abriu o repertório do Arch Enemy no Bangers Open Air 2026, no último sábado (25), parece resumir a constante reinvenção da banda — uma que leva a sério a máxima “rei morto, rei posto”, só que, no caso, com rainhas.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Escalado como headliner no Hot Stage após a saída do Twisted Sister, o grupo chegou cercado de especulações. Parte do público alimentou a expectativa de um retorno de Angela Gossow, a monarca original que hoje atua como empresária. O ruído aumentou quando Mayara Puertas (Torture Squad) fez publicações sugestivas nas redes sociais, levando fãs e até alguns veículos a apostarem em participações especiais.

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Nada disso se confirmou. A coroa, ainda com fios de cabelo azul de Alissa White-Gluz, acabou entregue à americana Lauren Hart, conhecida pelo trabalho com o Once Human.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

A nova vocalista entrou em cena com disposição, mas também sob escrutínio. Ao vivo, Hart demonstra esforço visível para alcançar a agressividade vocal exigida pelo repertório. Há entrega física — veias saltadas, postura tensa, expressão concentrada — e, em muitos momentos, ela consegue sustentar a intensidade. Ainda assim, fica a impressão de que o desempenho cobra um preço, levantando dúvidas sobre consistência e resistência a longo prazo.

A parte técnica comprometeu de forma mais evidente. O som do Hot Stage foi um obstáculo constante na hora e meia de apresentação. A bateria de Daniel Erlandsson, excessivamente alta e processada, engoliu o restante os instrumentos. As guitarras de Michael Amott e Joey Conception e o baixo de Sharlee D’Angelo careceram de definição.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

O resultado foi um bloco sonoro indistinto, que soterrava nuances essenciais do death metal melódico que se ouve nos discos de estúdio. Em diversos momentos, o público parecia reconhecer as músicas apenas nos refrães, tamanha a dificuldade de identificação nos versos.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

O repertório, por sua vez, apostou em segurança. Houve cortes em relação a apresentações recentes — quem esperava faixas como “Silverwing”, “Enemy Within” ou “Dead Eyes See No Future” ficou a ver navios. Em compensação, o setlist acertou em cheio ao revisitar dois dos álbuns mais celebrados da banda: “Wages of Sin” (2001) e “Doomsday Machine” (2005). “Ravenous” do primeiro e “Nemesis” do segundo garantiram a resposta mais imediata do público, ainda que prejudicadas pela equalização deficiente.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

No fim das contas, para uma banda que construiu sua reputação em cima de precisão em meio a agressividade, ficou a sensação de que, naquela noite, nem tudo esteve à altura.

Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

Arch Enemy no Bangers Open Air 2026 — setlist:

  1. Yesterday Is Dead and Gone
  2. The World Is Yours
  3. Ravenous
  4. War Eternal
  5. Dream Stealer
  6. To the Last Breath
  7. Blood Dynasty
  8. My Apocalypse
  9. Bury Me an Angel
  10. The Eagle Flies Alone
  11. No Gods, No Masters
  12. I Am Legend
  13. Dead Bury Their Dead
  14. Snow Bound
  15. Nemesis
Foto: Gustavo Diakov @xchicanox

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Marcelo Vieira
Marcelo Vieirahttp://www.marcelovieiramusic.com.br
Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Há mais de dez anos atua no mercado editorial como editor de livros e tradutor freelancer. Escreve sobre música desde 2006, com passagens por veículos como Collector's Room, Metal Na Lata e Rock Brigade Magazine, para os quais realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais, cobriu shows e festivais, e resenhou centenas de álbuns, tanto clássicos como lançamentos, do rock e do metal.

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