O Symphony X, um dos expoentes do metal progressivo mundial, volta ao Brasil em março após quase dois anos. A ocasião agora é especial: os trinta anos de carreira. Os shows serão realizados em Curitiba (19/03), São Paulo (20/03) e Rio de Janeiro (21/03), com produção da Top Link Music. Para a ocasião, o vocalista Russell Allen contou, em entrevista ao site IgorMiranda.com.br, o que podemos esperar das apresentações, bem como outros detalhes sobre presente e futuro.
Allen prometeu um setlist variado e com todos os nove álbuns de estúdio contemplados, com o intuito de celebrar o aniversário da banda. “Vamos tocar várias músicas que acabamos de tocar na Europa, algumas que não tocávamos há muito tempo”, antecipa, com direito a citar um disco nominalmente: “The Divine Wings of Tragedy” (1996), terceiro e um dos mais prestigiados discos do grupo americano.
Se cumprida a declaração, provavelmente teremos um setlist inédito no país – ao menos se falarmos dos últimos anos. Este foi o repertório tocado pelo Symphony X durante apresentação recente no México, com sete álbuns contemplados:
- Of Sins and Shadows
- Sea of Lies
- Out of the Ashes
- The Accolade
- Smoke and Mirrors
- Evolution (The Grand Design)
- Communion and the Oracle
- Inferno (Unleash the Fire)
- Nevermore
Bis:
- Without You
- Dehumanized
- Set the World on Fire (The Lie of Lies)
Os três shows agendados representam mais um capítulo da história do Symphony X com o Brasil. Da primeira viagem, no ano 2000, até agora, já são mais de 20 anos, com onze visitas. Também por conta disso, Russell Allen demonstra um carinho único pelo país e diz que um dos momentos mais marcantes da trajetória da banda ocorreu aqui: a primeira turnê, com apresentação no antigo Cia do Brasil, em São Paulo.
“Pensamos: ‘Uau, conseguimos chegar até aqui. Isso está mesmo acontecendo’. Foi numa época em que, no resto do mundo, a banda ainda não havia emplacado — nos Estados Unidos, então, nem se fala. Tocávamos em casas pequenas na Europa, mas só a partir da Gigantour [festival itinerante do Megadeth no qual também tocaram com Dream Theater, Anthrax, Fear Factory e mais], em 2005, sinto que começamos a ganhar algum impulso nos EUA. Mas vocês sempre nos acolheram muito bem e abriram as portas. Devemos muito a vocês.”
E o novo álbum do Symphony X?
O trabalho de estúdio mais recente do Symphony X, “Underworld”, saiu em 2015. Desde então, sem novidades. Russell Allen conta que a produção de músicas inéditas segue fluindo, mas lenta. A expectativa é lançar o disco ainda em 2026.
A demora se deve ao processo de criação do guitarrista e principal compositor Michael Romeo. De acordo com Allen, o colega tem dificuldade em dividir o tempo desse tipo de trabalho com outras atividades profissionais — a exemplo de viajar.
“Ele não se sente confortável em interromper o processo de composição para ir ensaiar, praticar e sair em turnê. E eu entendo, pois ele compõe uma quantidade de música enorme para isso.”
Mas como soa esse material? O vocalista acredita que as mudanças de pensamento ao longo dos anos influenciam nos resultados, pois “existem coisas que já não nos empolgam tanto quanto antes — e isso tem a ver com a idade”. No entanto, ainda é totalmente Symphony X. “Épico”, no termo usado pelo cantor.
Adrenaline Mob não volta
Russell Allen desenvolveu uma carreira paralela ao Symphony X. Um de seus principais projetos foi o Adrenaline Mob — formado inicialmente com outros nomes icônicos do rock e metal, como Mike Portnoy (Dream Theater). O grupo está em hiato desde 2017 e não há qualquer planejamento para uma volta.
“Não vai voltar. Não acredito que volte. Pelo menos não com o meu envolvimento. Para isso, algo extraordinário teria que acontecer.”
O motivo da decisão é o trauma. A banda perdeu dois integrantes enquanto esteve ativa, de 2011 a 2017: o baterista AJ Pero (Twisted Sister), falecido em 2015 dentro do ônibus de turnê da banda devido a um aparente ataque cardíaco, e o baixista David Z, dois anos depois, em meio a um acidente de trânsito com vários veículos envolvidos que também vitimou a tour manager Janet Rains.
As atividades foram encerradas após a citada colisão na estrada, embora um fim nunca tenha sido anunciado de modo oficial. Os incidentes deixaram o cantor com TEPT (transtorno de estresse pós-traumático). Ele teve que fazer psicoterapia por mais de seis anos para enfrentar o problema.
“Passei por tragédias demais. É realmente muito difícil simplesmente voltar à estrada, deixar minha família e assumir esse risco. A dor de perder amigos e pessoas do meio é muito pesada, mas a ideia de não estar presente para a sua família é ainda mais assustadora.”
Os álbuns em dueto
Para além de bandas, Russell Allen também trabalhou em parcerias com outros cantores. Começando com Allen/Lande, junto do norueguês Jorn Lande. Quatro álbuns nasceram desta colaboração — “The Battle” (2005), “The Revenge” (2007), “The Showdown” (2010) e “The Great Divide” (2012) —, até que Jorn demonstrou não estar mais interessado nesse tipo de projeto.
Mesmo com a ruptura, Russell diz que ambos foram responsáveis, ao lado do produtor Magnus Karlsson, pelo estabelecimento e popularização da fórmula — repetida pelo próprio Allen no Allen/Olzon, junto da cantora sueca Anette Olzon (ex-Nightwish). A iniciativa rendeu os discos “Worlds Apart” (2020) e “Army of Dreamers” (2022).
A empreitada representou sua primeira experiência gravando material inteiramente em dueto com voz feminina, mas ele não vê como um grande desafio de se enfrentar. Inclusive, crê que a novidade abriu muitas possibilidades para como usar a voz. Ainda teceu elogios à colega, a quem considera “muito talentosa”: “A voz dela é como um raio laser: forte, precisa e extremamente marcante.”
Mesmo sem ser perguntado sobre um novo trabalho da dupla, Russell revelou em primeira mão que já há um terceiro álbum pronto para ser lançado.
“Eu ainda não falei sobre isso e ninguém sabe disso até agora. Não sei se eu deveria estar contando isso ou não, mas temos um novo disco pronto. Essa decisão cabe à Frontiers [Records, gravadora]. Não sei qual é o plano deles nem quando isso será lançado.”
Não necessariamente como um dueto, mas colaborando com uma banda, Allen diz que está disposto a gravar novamente ao lado dos seus “melhores amigos brasileiros” do Noturnall, junto dos quais registrou uma música, um videoclipe e um DVD em 2014. À reportagem, o vocalista Thiago Bianchi confirmou que há conversas para mais trabalhos em conjunto. O americano diz ainda que planeja colaborar com Fernando Quesada, ex-baixista do grupo.
Homenagem à filha neurodivergente
Enquanto o Symphony X ainda prepara material inédito e os outros projetos não contam com lançamentos recentes ou devidamente anunciados, Russell Allen finaliza algo que representará um movimento inédito em sua carreira. O vocalista lançará uma música solo, acústica, sobre sua filha autista.
A ideia é disponibilizar a canção em abril, mês de conscientização do autismo (abril azul). Claramente emocionado, o vocalista comenta:
“Ela lida com isso a vida inteira. E nós, como família, tentamos aprender a navegar por essa realidade — é muito difícil para nós e, principalmente, para ela. Ela é uma daquelas pessoas que têm muita consciência da própria condição e isso torna tudo ainda mais doloroso. No começo, ela não era verbal e tinha todas essas questões. Escrevi essa música com um foco muito grande no início da vida dela.”
A música contará com a participação da irmã de Allen. Trata-se da primeira vez em que ela canta em algum material registrado.
“Ela nunca tinha gravado comigo antes. Acho que o mundo nunca tinha realmente ouvido ela cantar.”
*O Symphony X se apresenta em Curitiba (19/03, Tork n’ Roll), São Paulo (20/03, Tokio Marine Hall) e Rio de Janeiro (21/03, Sacadura 154). Ingressos estão à venda no site Ticketmaster.
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