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Como Paul McCartney fez as pazes com sua fama de vilão dos Beatles

“Acabei comprando essa ideia de que eu só ficava mandando em todo mundo", desabafou o músico, que mudou de visão somente há poucos anos

Paul McCartney acabou, de certa forma, levando a culpa pelo fim dos Beatles. Por causa da fama de “mandão” e por ter sido o integrante que anunciou publicamente o rompimento da banda e acionou advogados para tratar dos trâmites legais, sua imagem ficou associada ao papel de “vilão” da história.

Por anos, o próprio Macca internalizou tal narrativa. Foi apenas recentemente, com o lançamento da série documental “Get Back” (2021), que o artista passou a enxergar o período sob outra perspectiva e fez as pazes consigo mesmo.

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Conversando com o diretor Peter Jackson, o cantor revelou que, ao ver a produção, responsável por mostrar as gravações do disco “Let It Be” (1970), percebeu que a realidade era outra. Conforme transcrição da American Songwriter, ele explicou: 

“Acabei, de certa forma, comprando essa ideia de que ‘coitados dos outros três’ e que eu só ficava mandando em todo mundo. Mas quando vi o filme, pensei: ‘não, não é assim. Está tudo bem. Somos apenas nós no estúdio, e eu não estou mandando, todo mundo parece feliz em trabalhar’. Foi um grande alívio para mim, na verdade. Fez com que eu me sentisse muito bem em relação àquele período.”

Em participação no podcast Fly on the Wall, McCartney também mencionou o assunto. Na ocasião, descreveu como “mágica” a sensação de assistir a “Get Back” por tal motivo:

“Foi meio mágico para mim [assistir ao ‘Get Back’], porque aquele período, na minha memória, sempre foi um pouco sombrio, já que estava ligado à separação dos Beatles. Então, ‘Let It Be’ acabou sendo editado um pouco com isso em mente, e eu o achei meio deprimente […]. Quando Peter Jackson foi escalado para fazer essa nova versão, eu disse a ele: ‘Peter, não sei se vou gostar, porque, sabe, eu fui culpado pelo fim dos Beatles e, na verdade, não fui eu. E venho tentando explicar isso às pessoas há muitos e muitos anos’. Mas, depois de alguns meses trabalhando no projeto, ele entrou em contato comigo e disse: ‘não é nada disso, é incrível, são apenas quatro caras numa sala, se divertindo e trabalhando juntos’.”

Paul McCartney sofreu com acusações

À revista GQ em 2018, o artista revelou que as acusações direcionadas a ele o afetaram profundamente, a ponto de passar a se enxergar, de fato, como o culpado pelo fim do Fab Four. À época, fez o seguinte desabafo:

“Uma das grandes tristezas para mim quando os Beatles acabaram foi que a única maneira de salvar o lado empresarial da coisa foi eu processar os próprios Beatles, o que foi uma dor enorme no coração. Por consequência, a culpa recaiu sobre mim. Eu fui ‘aquele que acabou com os Beatles’. Então passei bastante tempo — e ainda faço isso — tentando dizer: ‘não, não fui eu, o John queria ficar com a Yoko, então disse que estava deixando os Beatles’. Mas, por causa desse processo, espalhou-se a ideia de que eu era o vilão. E o pior de tudo foi que eu meio que acreditei nisso. Eu realmente não fui [o culpado], mas, se todo mundo acha que você foi, então talvez você tenha sido.”

O anúncio do fim dos Beatles

Apesar do relato indicando que John Lennon tomou a iniciativa, Paul McCartney acabou sendo o responsável por transmitir a notícia de que o Fab Four estava extinto. Isso o fez ser apontado como culpado por parte do público. À Rolling Stone, ele explicou por que optou por se pronunciar antes dos outros.

“Inicialmente, concordamos em não falar. Mas depois de três ou quatro meses, me sentia cada vez mais culpado quando as pessoas perguntavam como estava a banda e nós meio que sabíamos que provavelmente estávamos separados. Então eu fiz um movimento meio idiota. Quando olho para trás, foi muito duro e frio. Mas eu estava lançando o álbum ‘McCartney’ e realmente não queria fazer muita divulgação para ele. Assim, pedi a um cara do escritório para me fazer uma lista de perguntas, escreveria as respostas, imprimiríamos como um panfleto e apenas colocaríamos junto com as cópias de imprensa do álbum.”

Entre as questões, Paul respondeu entender que a parceria com John não seria reativada – embora, ao abordar a continuidade ou fim da banda, tenha apenas dito “não sei”.

“As perguntas eram bem diretas, e acabou sendo como se eu anunciasse que os Beatles tinham se separado. John ficou bem bravo com isso, aparentemente — essa é uma das coisas que ele disse que realmente o machucou e o cortou profundamente. Pessoalmente, eu não acho que foi uma coisa tão ruim anunciar ao mundo depois de quatro meses que tínhamos terminado. Tinha que sair em algum momento. Acho que talvez eu me arrependa da maneira como o fiz. Queria que tivesse sido um pouco mais gentil, ou ao menos com a aprovação dos outros. Mas senti que era hora.”

De qualquer modo, o músico não conseguiu escapar das acusações de que estava usando o ocorrido para promover o trabalho solo.

“Sim, acho que John pensou que eu estava usando esse press release para publicidade — como suponho, de certa forma, que eu estava. Tudo parecia muito estranho e isso irritou algumas pessoas. O lado bom foi que todos nós finalmente tivemos que admitir o fato de que tínhamos terminado três ou quatro meses antes. Estávamos ligando um para o outro constantemente, meio que dizendo: ‘Vamos voltar a ficar juntos’. E acho que eu, George e Ringo queríamos salvar as coisas. Mas vejo que John estava, naquele momento, muito envolvido em sua nova vida — o que você não pode culpá-lo. Ele sempre quis ser um pouco mais vanguardista. Morar em Nova York e a influência de Yoko, obviamente, o ajudaram a fazer isso. Foi muito emocionante para ele em muitos níveis. Então ficou claro naquela época que o grupo não voltaria a ficar junto. E foi isso.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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