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O álbum do Cream que deixa Eric Clapton orgulhoso

Apesar de ter sentido "vergonha" por estar no grupo e acreditar que tudo não passava de uma "enganação", guitarrista admira um dos projetos lançados pelos músicos

O Cream é um dos power trios mais influentes da história da música. Porém, Eric Clapton não esconde que o curto período de atividade do supergrupo, formado ainda por Jack Bruce (voz e baixo) e Ginger Baker (bateria), contou com uma série de erros. Segundo o vocalista e guitarrista, à época, ele era “irresponsável”, o que atrapalhou o andamento das coisas, assim como os conflitos internos. 

Apesar disso, o músico tem muito orgulho de um álbum da banda: “Goodbye” (1969), o quarto e último disco. 

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Durante entrevista com a Classic Rock em 2016, o artista, ao descrever o projeto de estreia “Fresh Cream” (1966) como “fraco”, disse a respeito: 

“Eu achava que o álbum de John Mayall era melhor do que o do Cream. Eu achava que nosso primeiro disco era fraco, para ser honesto. Havia apenas algumas coisas [envolvendo o Cream] das quais eu realmente me orgulhava — naquela época e agora. A maioria delas estava no álbum de despedida. Não sei, sinto que nos perdemos bem rápido com o Cream. Era tudo enganação. Estávamos apenas tentando manter as coisas funcionando. Não tínhamos realmente um líder. Acho que isso era parte do problema. A liderança mudava num piscar de olhos”.

Já em sua autobiografia, sem mencionar diretamente o último disco, Clapton explicou que se sentia “envergonhado” pelo trabalho do Cream por que o grupo parecia não evoluir musicalmente. Ele afirmou: 

“Comecei a ficar muito envergonhado de estar no Cream, porque achava uma fraude. Não estava evoluindo. Enquanto excursionávamos pela América, éramos expostos a influências extremamente fortes e poderosas, com o jazz e rock’n’roll, que cresciam ao redor, e parecia que não estávamos aprendendo com aquilo.”

Cream, Eric Clapton e “Goodbye” 

Curiosamente, Clapton já afirmou ter sido “forçado” a gravar o “Goodbye”. Durante uma entrevista com o Los Angeles Times, compartilhada pela Far Out Magazine, o “Slowhand” detalhou os momentos finais do Cream e revelou que, por ele, a situação estava tão ruim que o grupo teria acabado antes mesmo de fazer o disco final: 

“Eu não consegui encontrar uma maneira de sair. Eu não sei, eu estava sem força. E quando você está exausto das turnês e de lidar com toda a situação, você realmente não tem energia mental para tomar coragem e dizer: ‘ouçam, estou saindo’.”

Segundo o falecido produtor Phil Spector, quem convenceu o Cream a lançar um último material foi o presidente da Atlantic Records, Ahmet Ertegun. À Rolling Stone EUA (via Rolling Stone Brasil), ele contou que a situação envolveu uma mentira sobre o crítico e também produtor Jerry Wexler, conhecido por ter criado o termo “rhythm & blues”:

“O Cream estava acabando e ele (Ertegun) disse: ‘caras, vocês precisam fazer um álbum final para mim’. Eles disseram: ‘Por que, cara? Nós nos odiamos’, ou algo assim. Ahmet disse: ‘Oh não caras, vocês têm que fazer mais um álbum para mim. Jerry Wexler está com câncer, e ele está morrendo e ele quer ouvir mais um álbum de vocês’. Então eles vão, fazem o álbum e ele diz: ‘Então caras, Jerry Wexler não está morrendo, ele está bem melhor, ele melhorou’.”

“Goodbye” (1969) consiste em três faixas ao vivo (“I’m So Glad”, “Politician” e “Sitting on Top of the World”) e mais três gravadas em estúdio (“Badge”, “Doing That Scrapyard Thing” e “What a Bringdown”). Felix Pappalardi, integrante do Mountain, ficou responsável pela produção. “Badge”, composta com o saudoso George Harrison, continua marcando presença nos setlists mais recentes de Clapton.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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