A discografia do Red Hot Chili Peppers é extensa e cheia de momentos memoráveis, mas para Flea, um álbum pode ser considerado o mais completo da banda. O baixista contou qual é o disco em entrevista para Rick Beato.
“Californication” (1999) foi o escolhido do músico. Na visão do baixista, nenhum outro trabalho da banda trouxe tantas contribuições determinantes dos integrantes quanto o registro que marcou a volta do guitarrista John Frusciante.
Conforme transcrição do Ultimate Guitar, o baixista disse:
“Provavelmente como algo completo, eu diria ‘Californication’. Ele realmente capturou onde estávamos naquela época. Todo mundo estava trabalhando muito bem junto, todos realmente contribuindo de forma bonita com o melhor de cada um, provavelmente.”
Flea também destacou a importância da produção de Rick Rubin. A parceria havia se iniciado no começo dos anos 1990, em “Blood Sugar Sex Magik” (1991), como o músico relembrou:
“Quando fizemos ‘Blood Sugar’, que foi o primeiro disco que fizemos com Rick Rubin, ele disse: ‘olha, sempre soa como se estivessem usando tecnologia de estúdio demais. Quando vocês tocam em uma sala, é incrível. Nada soa como aquilo. Vocês tocando juntos, sentindo um ao outro, a tensão e o relaxamento, a improvisação, está acontecendo’. E nós já sabíamos disso, mas ele foi o primeiro que disse: ‘vamos colocar microfones e capturar esse som. Vamos fazer soar como vocês tocando juntos e uma sala’, e é assim que soa.”
Red Hot Chili Peppers e “Californication”
Lançado em junho de 1999, “Californication” marcou a trajetória do Red Hot Chili Peppers. Fenômeno de vendas, o disco emplacou sucessos como a faixa-título, “Otherside” e “Scar Tissue”. Estima-se que mais de 15 milhões de cópias tenham sido comercializadas globalmente. No Brasil, ganhou certificação de platina dupla.
Apesar de toda glória advinda, o processo envolveu muita superação. Antes do álbum tomar forma, a banda estava de laços cortados com John Frusciante.
Por causa dos vícios, sobretudo em heroína, o guitarrista deixou os colegas em 1992. Dave Navarro (Jane’s Addiction) ocupou sua vaga.
Tudo mudou quando o vocalista Anthony Kiedis visitou o antigo colega no hospital. A amizade foi retomada e os dois, juntos, apareceram na porta da casa de Flea.
À época, em 1998, o baixista trabalhava em um projeto solo, onde gravaria vocais e ofereceria “guitarras sensíveis”. Porém, quando deparou-se com os músicos lado a lado, mudou de ideia na mesma hora.
De início, os integrantes voltaram a tocar em conjunto na garagem de Flea e “imediatamente as coisas começaram a se encaixar”. Assim, ideias bizarras a respeito de seus próximos passos também surgiram.
Flea sugeriu que gravassem um álbum de música eletrônica. “Zooropa” (1993), do U2, e “The Fat of The Land” (1997), do Prodigy, eram as inspirações iniciais para o que tornou-se o “Californication”.
Porém, não deu certo. As razões também são inusitadas. Tanto William Orbit, conhecido por trabalhar com Madonna e Blur, quanto David Bowie, cotados para a produção, recusaram o convite. Assim, os músicos optaram por mudar a rota e explorar influências do rock alternativo e do punk-funk junto ao lendário Rick Rubin, responsável pelos dois discos anteriores.
Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.
