A gravadora Golden Robot Records anunciou um EP póstumo de John Sykes na última sexta-feira (16). Sem detalhes confirmados quanto ao título, o projeto “oferecerá aos fãs um poderoso capítulo final de um dos guitarristas mais reverenciados do rock”, com previsão de lançamento este ano, de acordo com comunicado.
Porém, a família do músico não autorizou a divulgação do material. Após a publicação da novidade, os responsáveis pelo legado do artista escreveram uma nota no site oficial do saudoso artista, destacando (via Blabbermouth):
“Em resposta ao recente comunicado de imprensa divulgado neste ano pela Golden Robot Records, consideramos necessário emitir uma declaração em nome do espólio de John Sykes.
Em 2019, John Sykes encerrou sua relação com a Golden Robot Records após problemas contínuos relacionados a acordos contratuais. Desde então, nem John Sykes nem seu espólio autorizaram, firmaram ou concordaram com qualquer tipo de acordo com a Golden Robot Records para que seu material inacabado fosse finalizado, lançado ou distribuído sob o selo da gravadora.
Diante dessas circunstâncias, estamos profundamente preocupados com a decisão de levar adiante tais ações em um momento em que John já não pode representar ou defender sua própria posição. Também chama a atenção o fato de que, nos anos que se seguiram à saída de John da gravadora, não tenha havido anúncios públicos ou tentativas de lançar esse material enquanto ele ainda estava vivo.
Na nossa avaliação, essas atitudes levantam sérias questões e soam profundamente desrespeitosas com o legado de John, além de ferirem sua família imediata, que ainda enfrenta o luto e tenta lidar com a perda de um pai, irmão e filho.”
Sykes entrou para a Golden Robot Records em 2018, mas deixou a companhia logo em novembro do ano seguinte. Segundo texto publicado na ocasião, “os acordos contratuais não foram cumpridos” e a integridade da companhia estava em jogo:
“Caros fãs de John Sykes, lamentamos informar que nossa parceria com a Golden Robot Records foi encerrada. Infelizmente, após a assinatura do contrato, os acordos contratuais não foram cumpridos pela Golden Robot Records, e houve pouca iniciativa para dar andamento ao projeto, apesar de todos os nossos esforços e paciência. Quando contratos escritos passam a ser substituídos por promessas verbais não cumpridas, toda a integridade de uma empresa se perde. Simplesmente não podemos trabalhar dessa forma. Queremos que os fãs saibam que temos plena consciência da frustração que isso pode causar. Neste momento, entendemos que o melhor caminho é lançar o álbum sob nosso próprio controle.”
Vale destacar que, em 2017, o guitarrista havia confirmado o lançamento do disco solo “Sy-Ops”, que nunca aconteceu. À revista Rocks, como transcrito pela Blabbermouth, contou à época a respeito da sonoridade:
“Terminei esse material há três anos. Mas aí meu empresário morreu. Com ele, perdi alguém em quem eu realmente podia confiar. Então, deixei o disco de lado. As pessoas que gostaram do que eu fiz no álbum homônimo de 1987 do Whitesnake e nos dois álbuns de estúdio do Blue Murder ficarão satisfeitas com o novo material.”
Prévias chegaram a ser disponibilizadas no SoundCloud e, posteriormente, foram lançados os singles “Dawning of a Brand New Day” e “Out Alive”. Os créditos incluíam Tony Franklin (Blue Murder, The Firm) e Chris Chaney (Jane’s Addiction) no baixo, Josh Freese (Nine Inch Nails, Foo Fighters, Weezer, A Perfect Circle, Guns N’ Roses) na bateria e Jamie Muhoberac (Fleetwood Mac) nos teclados, entre outros músicos.
Sobre John Sykes
Nascido em Reading, Inglaterra, John Sykes despontou na cena tocando com o Tygers of Pan Tang, banda referencial da NWOBHM. Gravou os álbuns “Spellbound” (1981) e “Crazy Nights” (1982), além de ter participado de duas faixas em “The Cage” (1983).
A seguir, foi recrutado pelo Thin Lizzy, gravando o disco “Thunder and Lightning” (1983) e realizando a turnê de despedida da banda. Participou de algumas reuniões na virada do século com ex-membros, no formato de tributo oficial a Phil Lynott.
Em seguida, foi contratado por David Coverdale e se juntou ao Whitesnake. A parceria rendeu o momento de maior sucesso comercial na história da banda e muitas desavenças, fazendo com que a mágoa mútua perdure até os dias atuais.
Nas décadas recentes, manteve-se com poucas atividades profissionais. Chegou a ser anunciado no embrião do que se tornaria o The Winery Dogs, mas não ficou no grupo.
No dia 20 de janeiro de 2025, chegou a público a notícia de que o músico havia falecido, ainda em 2024, aos 65 anos. Ele não resistiu a uma batalha contra um câncer.
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