Entrevista: Mike Muir fala sobre Suicidal Tendencies no Brasil, Jay Weinberg e mais

Banda americana de crossover thrash realiza 5 shows no país que vocalista aprendeu a amar: “ficavam perguntando por que eu estava tanto aí”

No título e refrão de uma das músicas mais conhecidas do Suicidal Tendencies, Mike Muir já avisava: “you can’t bring me down”. Você não pode derrubá-lo. Não pode nem mesmo pará-lo: o vocalista, ícone do crossover thrash e também líder do Infectious Grooves, simplesmente concedeu uma entrevista de quase 25 minutos a este site sem parar de andar. Enquanto respondia às perguntas em uma videochamada, deu várias voltas no que parecia ser um quarto de hotel. Não se sentou em momento algum.

A personalidade “imparável” de Muir ajuda a explicar, também, a decisão de agendar uma turnê de seu grupo principal pelo Brasil em meio a compromissos na Europa e Estados Unidos, no que seria uma semana de folga. Atualmente excursionando por festivais no velho continente, o Suicidal viajará diretamente de lá para uma série de cinco apresentações em nosso país: Rio de Janeiro (12/07, Sacadura 154), São Paulo (13/07, Esquenta Rockfun Fest, gratuito, mas com retirada de ingressos esgotada), Curitiba (14/07, Tork n’ Roll), Florianópolis (16/07, John Bull) e Belo Horizonte (17/07, Mister Rock). Antes, no dia 11, o cantor ainda participará da gravação do novo DVD do Planet Hemp na capital paulista.

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Mike, porém, garante ser um prazer. Afinal de contas, ele já esteve por aqui outras nove vezes só com o Suicidal, com direito a shows gratuitos com o Infectious Grooves e sua banda principal no intervalo de um mês, entre novembro e dezembro de 2019. Fora visitas estendidas que deixavam até pessoas próximas um pouco confusas.

“Antes da pandemia, fui ao Brasil umas 4 ou 5 vezes a ponto de ficar uns 3 meses. Fiz grandes amigos. A covid atrapalhou vários planos para 2020, mas quanto mais eu estava aí, mais as pessoas perguntavam: ‘O que Mike está fazendo aqui? Ele está em turnê com o Suicidal? Por que está aqui?’ [Risos]. Perguntavam por que eu estava sempre aí. ‘Ele arrumou uma namorada brasileira?’ [Risos]. Quando a resposta era negativa, sempre diziam: ‘Esse é o primeiro cara que fica vindo para o Brasil sem ser por causa de mulher’ [Risos]. Conheci pessoas incríveis aí. Há muitas semelhanças com relação ao skate, ao surf, à música, essa cultura.”

O frontman garantiu não ter um repertório definido para as apresentações — até porque há mudanças entre os shows, como tem sido feito pela Europa. Há, porém, a expectativa de que sejam tocadas várias músicas do álbum homônimo de estreia, lançado em 1983 e celebrado com uma turnê especial ano passado. Ainda de acordo com Mike, os demais integrantes — Dean Pleasants (guitarra), Tye Trujillo (baixo) e Jay Weinberg (bateria), não contando com Ben Weinman (guitarra) somente nesta tour nacional — têm buscado aprender novas músicas nos quartos de hotel por onde passam.

“Nós Somos Família”

A visita conta ainda com um atrativo adicional: uma música gravada com a participação de vários brasileiros, não apenas artistas, como também atletas e outras personalidades. “Nós Somos Família”, releitura em português de “We Are Family” (original do álbum “Freedumb”, 1999) traz vocais gravados por João Gordo, Fernanda Lira (Crypta), Badauí (CPM22), BNegão (Planet Hemp), Rodrigo Lima (Dead Fish), Supla, Mayara Puertas (Torture Squad), os campeões mundiais de skate Sandro Dias e Pedro Barros, além dos guitarristas Marcão Britto e Thiago Castanho (Charlie Brown Jr), entre outros músicos da cena alternativa nacional. Sobre a faixa, a ser disponibilizada em breve, Muir comenta:

“Sempre conversamos sobre fazer uma música com pessoas do Brasil. Colocamos Jay no estúdio, gravamos e falamos com algumas pessoas. Colocamos essa galera toda no estúdio e gravamos. Foi ótimo ver todo mundo fazendo isso por meio do FaceTime. Todos estavam empolgados e foram muito gentis. Anos atrás, seria muito difícil de se fazer, pois teria as gravadoras, precisaria assinar contratos. Agora dá para fazer. Só foi difícil encaixar os horários para colocar todos no estúdio ao mesmo tempo. Mas isso me deixa ainda mais grato. Ter essas pessoas participando de uma música sua é algo que eu nunca teria sonhado quando tudo começou.”

Chama atenção o fato já destacado de a letra ser em português. Isso significa que Mike não compreende uma palavra sequer do que está sendo cantado — a não ser, claro, algumas expressões em inglês que foram mantidas da letra original. Para ele, contudo, não é problema.

“Não entendo português, mas quando ouço a música, é como se desse para perceber o tipo de individualidade de cada pessoa. Há diferenças, mas tudo funciona junto. Às vezes quando ouço projetos desse tipo com pessoas diferentes, não parece certo, não encaixa, mas essa música soa incrível para mim. Muito emocionante e enérgico.”

Confira a seguir a versão em vídeo (em inglês) da entrevista. Continue abaixo a leitura da versão em texto.

Tye Trujillo e Jay Weinberg

Nos próximos shows, os fãs brasileiros terão a oportunidade de conferir, pela primeira vez, Tye Trujillo e Jay Weinberg em ação com o Suicidal Tendencies. O baixista, membro desde 2021, ocupa a vaga que foi de seu pai, Robert Trujillo (Metallica), entre 1989 e 1995. Também tocou com o Korn, durante a ausência de Fieldy. O baterista, integrado neste ano após também ter se apresentado com o Infectious Grooves, se notabilizou pelo trabalho com o Slipknot de 2014 a 2023.

Hoje com 19 anos, Tye fez sua estreia com o Suicidal aos 17, mas realizou jams e participações ainda antes disso. Provando mais uma vez que ninguém pode derrubá-lo — neste caso, literalmente —, Mike Muir relembra com bom humor a apresentação inaugural, no festival americano Blue Ridge Rock, em Danville.

“Robert estava lá todo nervoso, era o roadie nervoso. O cara toca para 60 mil, 70 mil pessoas e estava preocupado com o filho, tipo: ‘Tye, você entendeu isso? Tye, seu baixo está conectado?’. [Risos] Logo no começo, eu estava correndo pelo palco e Tye, que estava no praticado da bateria, resolveu sair e pular justamente no momento em que eu estava passando. Sou grande demais para frear tão rápido, então acabei o derrubando. Logo pensei: alguém vai me colocar na prisão por 10 ano! [Risos] Robert e sua esposa, Chloe, estavam logo ali. Não sabia nem o que fazer: se eu levantava Tye, se pedia desculpas para os pais… mas Tye só se levantou e continuou tocando. Normalmente eu não paro, mas depois que vi isso, eu parei por um segundo e pensei: ‘uau, impressionante’. Foi a iniciação ao punk rock à la Suicidal.”

Ter alguém tão jovem em sua banda não é algo novo para Muir. Além de Tye, outros músicos que se juntaram bem cedo ao grupo foram relembrados pelo cantor.

Thundercat tinha 16 anos quando começou a tocar baixo com a gente. Tocamos agora com o Avenged Sevenfold em Portugal e Brooks Wackermann, baterista do Avenged, tinha 14 anos quando começou no Infectious Grooves e 16 no Suicidal. No Hellfest, tocamos com o Foo Fighters e o baterista é Josh Freese, que começou a tocar com a gente quando tinha 17 anos. Tye será um desses músicos que, daqui 20 anos, o mundo será dele. Já é dele, na verdade.”

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Já com relação a Jay, Mike disse ter conhecido seu trabalho antes mesmo do Slipknot, pois soube que o baterista havia substituído o próprio pai, Max Weinberg, na E Street Band de Bruce Springsteen em 2009. Porém, a indicação veio de uma pessoa inusitada: o próprio filho de Muir, Tyson.

“Robert sinalizou que teria um período para fazer shows com o Infectious Grooves. Chamamos Brooks, mas ele estava com o Avenged Sevenfold, então tivemos que contratar um baterista. Meu filho, Tyson, é um grande fã de Jay e ficou falando para eu ligar para ele. Na época, ele havia feito uma cirurgia (no quadril e fêmur) e estava voltando a andar, então achei que ele não iria conseguir, fisicamente falando. Mas meu filho falou para ligar e descobrir. Eu nem tinha o número, mas Robert tinha, então mandei uma mensagem para saber como estava. Acabou dando tempo de ele se recuperar.”

O frontman está muito satisfeito com o novo integrante. Em sua opinião, Jay “se encaixa no Suicidal, abraça e entende quem nós somos, de onde viemos e para onde queremos ir”.

“Quando fizemos o primeiro ensaio, foi muito divertido. Acho que foi ótimo para ele também, pois ele conseguiu misturar muitas coisas do que faz. Ele gosta dessa liberdade. Pedimos para ele tocar do jeito dele. Mesmo que tenhamos tocado várias dessas músicas centenas de vezes, vejo filmagens depois e percebo o quão incrível tem ficado. Amo o jeito que ele toca e tenho muita sorte por tê-lo conosco.”

Novo álbum?

Com tantos elogios à formação atual, talvez falte apenas algo para eternizá-la de vez na história do Suicidal Tendencies: um novo álbum. O grupo não disponibiliza um trabalho de inéditas desde “World Gone Mad”, de 2016 — o sucessor, “Still Cyco Punk After All These Years” (2018), traz regravações do disco solo de Mike Muir, “Lost My Brain! (Once Again)” (1996).

Todos querem registrar novo material, exceto o próprio Muir. O motivo? Aos 61 anos de idade, o cantor prefere dedicar seu tempo à família.

“A única ironia de tudo isso não é fazer o disco, mas tudo que é feito depois do disco, todas as entrevistas, esse tipo de coisa. A questão é o tempo. Gosto de estar com minha família. Por outro lado, adoro música. Temos nosso próprio estúdio e literalmente centenas de músicas do Suicidal e de projetos diferentes.”

O vocalista recorreu a uma comparação com a gastronomia para explicar por que não deve sentir-se obrigado a gravar material novo.

“Não gosto de fazer música para ser adorado. Muita gente faz música para ser adorada ou esperando que as pessoas gostem. É como ser um cozinheiro e colocar bastante açúcar ou manteiga, deixando com um sabor doce, para que as pessoas gostem, mas no fim das contas aquilo será ruim para sua saúde. Prefiro ser mais desafiador.”

Por outro lado, há indícios de que o momento certo para gravar material novo esteja chegando. A formação atual, em sua opinião, está com os “motivos certos” para desenvolver um trabalho nesse sentido.

“Ben Weinman toca com a gente há 6 anos e sempre diz que quer gravar um disco com a gente. Ele conta que não se encaixava quando mais novo até descobrir o Suicidal aos 12 anos. Então, ele quer gravar um disco para o filho dele for poder ouvir, quando mais velho, junto dos amigos, descobrindo a banda também. Jay disse algo nesse sentido, lembrando-se de como adorou ouvir Suicidal pela primeira vez. Então, ele quer tocar em um disco que as pessoas ouçam e vejam: ‘esse é o Suicidal’. E temos Tye, que quer fazer seu próprio legado e não estar somente associado ao pai. Todos eles estão com razões certas para se fazer música. Sei que poderíamos fazer um disco do qual eu ficaria muito orgulhoso. E eu provavelmente me arrependeria se não aproveitasse a oportunidade de estar com essas pessoas para tentar fazer um disco.”

Em função disso, a agenda do Suicidal Tendencies está aberta após os shows que sucedem a turnê brasileira — serão poucas datas nos Estados Unidos, Bulgária e Romênia entre este mês e setembro. É intencional, segundo Mike: o cantor quer deixar tudo mais solto para que a banda consiga encontrar o que fazer em seguida, incluindo a possibilidade de um novo disco. Seja qual for o próximo passo, o Suicidal Tendencies não será derrubado.

Serviço – Suicidal Tendencies no Brasil

Rio de Janeiro

  • Data: 12 de Julho de 2024 (sexta-feira)
  • Local: Sacadura 154
  • Endereço: R. Sacadura Cabral, 154 – Saúde, Rio de Janeiro – SP, 20081-262
  • Abertura da Casa: 20h
  • Classificação Etária: 16 anos
  • Ingressos: a partir de R$130,00
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São Paulo

  • Data: 13 de Julho de 2024 (sábado)
  • Evento: Esquenta Rockfun Fest 
  • Local: Centro Esportivo Tietê
  • Endereço: Av. Santos Dumont, 843 – Luz, São Paulo – SP, 01101-000
  • Abertura dos Portões: 10h
  • Classificação Etária: 16 anos
  • Ingressos: Esgotados

Curitiba

  • Data: 14 de Julho de 2024 (domingo)
  • Local: Tork n’ Roll
  • Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 1695 – Rebouças, Curitiba – PR, 82590-300
  • Abertura da Casa: 18h
  • Classificação Etária: 16 anos
  • Ingressos: a partir de R$140,00
  • Compre aqui

Florianópolis

  • Data: 16 de Julho de 2024 (terça-feira)
  • Local: John Bull Floripa
  • Endereço: Av. das Rendeiras, 1046 – Lagoa da Conceição, Florianópolis – SC, 88062-400
  • Abertura da Casa: 20h
  • Classificação Etária: 18 anos
  • Ingressos: a partir de R$120,00
  • Compre aqui

Belo Horizonte

  • Data: 17 de Julho de 2024 (quarta-feira)
  • Local: Mister Rock
  • Endereço: Av. Teresa Cristina, 295 – Prado, Belo Horizonte – MG, 30410-620
  • Abertura da Casa: 18h
  • Classificação Etária: 16 anos
  • Ingressos: a partir de R$140,00
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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

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