Editora se pronuncia após revisor dizer que alterou livro de Paul McCartney

Influenciador digital Gilvan Moura, responsável pela função, declarou ter feito mudanças em “Paul McCartney – As Letras”

Durante o fim de semana, a editora Belas Letras se viu envolta em uma polêmica por conta de uma postagem do influenciador digital Gilvan Moura nas redes sociais. O mantenedor do canal Beatles School no YouTube atuou como revisor técnico do livro Paul McCartney – As Letras: 1945 Até o Presente, cuja versão original saiu em 2021.

­

- Advertisement -

Em um texto online, Gilvan afirmou ter “corrigido” o que considerou erros históricos do autor — o próprio Paul McCartney, em parceria com Paul Muldoon —, de acordo com seu conhecimento e percepção da obra. A publicação diz:

“O que vem a ser uma ‘revisão técnica’? Bom, o livro chega pra mim e eu corrijo todas as besteiras que o autor escreve. Dessa vez eu tive que corrigir várias coisas que, por causa de um cérebro já esfumaçado da erva, fez com que ele cometesse erros históricos. Tive várias vezes que escrever: ‘Paul, não foi assim. Sabe? Deixa eu te contar o que foi que você fez!’ Foi assim com Philip Norman e Mark Lewisohn. Daí devolvo pro Germano Weirich o texto corrigido e revisado após as comparações nas duas línguas. Eu praticamente escrevo o livro novamente e coloco o nome deles pra não ficar feio. Isso é uma revisão técnica. Abraço a todos. [emojis de risos]”

Diante da situação, que repercutiu bastante nas redes sociais, a Belas Letras emitiu um comunicado para afirmar que a postagem de Moura foi apenas uma “brincadeira, própria da linguagem que ele costuma adotar nos seus perfis”. A empresa também declarou que não houve qualquer alteração de conteúdo, o que pode ser confirmado na comparação das versões em inglês e português.

“Esclarecimento sobre a postagem de Gilvan Moura referente a revisão técnica de Paul McCartney – As Letras

Gostaríamos de esclarecer um recente mal-entendido surgido em relação a uma publicação feita pelo influenciador Gilvan Moura sobre o livro As Letras, de Paul McCartney, em versão brochura, que estamos lançando no Brasil.

No post mencionado, Gilvan adotou um tom irônico ao discutir sua contribuição como revisor técnico do livro. Entendemos que sua publicação foi apenas uma brincadeira, própria da linguagem que ele costuma adotar nos seus perfis, mas que gerou insatisfação e preocupação junto aos leitores sobre a qualidade da obra.

É fundamental afirmar alguns pontos:

1) O conteúdo da obra é exatamente o mesmo que está na edição de luxo lançada em 2021, em que Gilvan não atuou. Isso pode ser facilmente comprovado comparando as duas versões. E também comparando com o livro original em inglês.

Gilvan foi contratado para realizar uma leitura extra da nova edição, que teve sete letras acrescentadas por Paul McCartney. Ele releu a obra e, nas 600 páginas do livro, sugeriu apenas QUATRO ajustes, relacionados à forma como determinadas palavras seriam traduzidas do inglês.

2) Podemos assegurar que nenhum conteúdo foi alterado e a obra reflete fielmente a visão e o trabalho do autor Paul McCartney. Nossos leitores podem ter certeza de que a alma e o coração do ex-Beatle estão em cada palavra desse livro.

Temos um contrato vigente do qual faz parte a MPL, empresa do ex-Beatle, do qual muito nos orgulhamos, que não permite que façamos nenhuma alteração de conteúdo da obra sem autorização de Paul McCartney. Da mesma forma, a MPL acompanhou a produção do livro e autorizou sua publicação depois de sua já conhecida exigente análise da edição, após a leitura de Gilvan Moura ter sido realizada.

Leia também:  Morre Nelson Brito, baixista do Golpe de Estado

A Belas Letras afirma seu compromisso em oferecer obras de qualidade e conteúdo confiável aos leitores. A contribuição de revisores técnicos é parte essencial desse processo, garantindo que cada livro publicado atenda aos mais altos padrões editoriais e informativos.

Lamentamos qualquer mal-entendido que tenha sido causado e reafirmamos nosso compromisso com a transparência e a excelência em cada publicação que levamos aos nossos leitores. Estamos à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas adicionais que possam surgir.”

Moura também se manifestou por meio de um vídeo em seu canal no YouTube, que pode ser assistido abaixo. O influenciador reforçou ter se tratado de uma piada, pediu desculpas à editora e a quem não compreendeu inicialmente e declarou ter sido alvo de maldade alheia.

Em contato com a reportagem do site, também declarou que o incidente se deu “de forma criminosa e proposital”. Ele afirma: “As pessoas pegaram um print de uma piada como se fosse verdade simplesmente para me causar um problema com a editora, sendo que faço trabalhos com eles há anos”.

As reações do público

Entre os comentários publicados no X/Twitter – e repercutidos pelo jornal O Globo – estavam:

“O revisor do livro novo do Paul, que está sendo lançado no Brasil, faz uma postagem dizendo que praticamente reescreve o livro como se fosse ok, não respeitando o original.”

“Como assim ‘corrijo todas as besteiras que o autor escreve’????? É um livro científico? Didático?”

“Quero o livro de verdade. A editora que se limite a traduzir a bagaça.”

A função do revisor

Conforme o site da Universidade Federal de Santa Maria (RS), o revisor “vai tratar de questões de ortografia, sintaxe, etc, revisar legendas de imagens, hifenização por página, enfim, normalmente o revisor atua após a diagramação”.

Em outro item da publicação, é abordado o limite de espaço para que o texto não seja “danificado” pelo revisor.

“Devemos considerar o trabalho anterior pelo profissional da preparação de texto, que é quem vai lidar com o texto antes de ser repassado para o revisor. Mas, sim, o revisor deve, sempre, dialogar com o editor a fim de tirar dúvidas que possam ocorrer ao longo do trabalho. Já vi, por exemplo, texto que havia um personagem que falava dois idiomas e que o revisor passou tudo para o português, ou seja, descaracterizou a narrativa. O trabalho de revisão é delicado e deve sempre ter o apoio do editor e diálogo com o autor para retirar dúvidas. Além disso, as editoras normalmente têm um manual de edição, onde o revisor deve consultar as normas a serem atendidas.”

Sobre “Paul McCartney – As Letras: 1956 Até o Presente”

Como o título deixa claro, “Paul McCartney – As Letras: 1956 Até o Presente” reúne composições do astro britânico desde o início da carreira até recentemente. O Beatle complementa a publicação com comentários em primeira pessoa, trazendo curiosidades e análises sobre o contexto de cada uma das músicas.

Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.

ESCOLHAS DO EDITOR
InícioNotíciasEditora se pronuncia após revisor dizer que alterou livro de Paul McCartney
João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

7 COMENTÁRIOS

  1. Isso não passa de um “cancelamento” típico destes tempos de internet, onde qq um posta o que quer, não se importando com a queima da reputações. O Gilvan é um professor de inglês que tem um canal sobre Beatles (Beatles School) há 05 anos. Lá tem mais de 400 vídeos sobre os mais variados assuntos envolvendo Beatles e sempre com bom humor. São divertidíssimos e passam CONHECIMENTO, pois o Gilvan já leu tudo sobre a banda, NO ORIGINAL, e já fez várias revisões dos livros da Editora Belas Letras. O canal tem mais de 55mil assinantes e é o maior do Brasil no assunto. Gilvan é do porte de um Mark Lewisohn, o maior biógrafo dos Beatles, cujo livro Tune In (dois volumes com mais de 1500 pg) foi revisado (tradução foi outra pessoa fez). Por conta de seu trabalho, ele esteve em contato direto com o Mark, alertando-o para alguns erros de datas ou nomes, que o próprio autor concordou. Todo esse sucesso gerou uma inveja gigantesca no meio Beatlemaniaco nacional e volta e meia ele tem que lidar com estes haters. Nessa caso específico, algum destes haters conseguiu printar um comentário em tom de brincadeira (como Gilvan sempre fez nos vídeos) e largou no Twitter…nenhum jornalista se deu ao trabalho de ouvir o professor ANTES de publicar, como no caso de O Globo. É o que se aprende nas faculdade de jornalismo sérias. Enfim, estão sendo tomadas providências judiciais em relação ao haterr e aos que repostaram. Difamação e calúnia são crimes e quando divulgados em qq modalidade de rede social, tem a sua pena aplicada AO TRIPLO (arts. 138, 139 e 141 do Código Penal).

  2. Infelizmente vivemos dias em que qualquer coisa é tirada de contexto para o alcance do objetivo de quem publica. O Gilvan Moura é o maior historiador de Beatles do Brasil. É por causa dele que vários produtos que jamais pisaram em nosso país estão chegando em nossas mãos, e com uma qualidade de texto inquestionável, porque além de ser referência em Beatles, o Gilvan é também professor de inglês, que já morou na Inglaterra.
    A matéria aqui do site ficou boa, mas sugiro uma atualização com as postagens das pessoas que defendem o Gilvan, por conhecerem o seu senso de humor.

  3. “Gilvan é do porte de um Mark Lewisohn”. É do porte de um Paul McCartney também? rs. Dá pra pensar que o próprio Gilvan, o “corretor de besteiras”, escreveu esse comentário aí, sob um pseudônimo, em seu canal de humor rs.

  4. A verdade é que existe uma grande vaidade nesse meio, e quem é “porta-voz” dos grandes acaba, em algum momento, tomado por um pouquinho desta vaidade. Aquele print, se for verdade, demonstra que vc fez uma piada, mas com um ar de quem se acha o arauto destes conhecimentos. E de fato talvez você seja, mas humildade é sempre bom. Não tem que ficar bravo ou etc etc, são consequências dos atos. O que esperar de reação das pessoas após dizer “eu praticamente reescrevo o livro”, temos que acompanhar toooda a tragetória, saber quem vc é, canais no youtube, blablabla… pra isso? Não é bem assim, é por isso que temos que ter certos cuidados com o que dizemos. Foi uma infelicidade, e também o é essa cultura do cancelamento na internet, mas não adianta espernear, só concordar que de fato o comentário da forma como foi feito não foi muito legal.

    Mas que bom que ele tem essa grande rede de apoio (no youtube, no canal dele, todo mundo está apoiando), faz bem para a saúde mental.

  5. Quem segue o Gilvan Moura há anos como eu sabe que foi apenas uma brincadeira.
    Não conheço uma pessoa que tenha mais conhecimento e carinho pela obra dos Beatles do que ele.
    Me parece que as pessoas não conseguem mais interpretar uma ironia. Outros apenas fingem que não perceberam.

  6. Acho lamentável toda esta repercussão de uma brincadeira do professor e beatlemaníaco Gilvan Moura. A publicação tem no final vários emojis de gargalhada, deixando claro que era uma ironia. Infelizmente uma pessoa mal-intencionada ou ignorante quis criar esta celeuma e gerou impressionante “ódio” na Internet. Talvez as redes sociais sejam mesmo o fim dos relacionamentos e da comunhão entre as pessoas.

DEIXE UMA RESPOSTA (comentários ofensivos não serão aprovados)

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Últimas notícias

Curiosidades