Como euforia causada por Titãs levou a turnês canceladas de Ivete e Ludmilla, segundo revista

De acordo com fontes da indústria, reencontro da banda paulista fez com que produtora acreditasse em potencial maior que o real de outras atrações

O recente cancelamento das turnês de Ivete Sangalo e Ludmilla trouxe como diagnóstico um “excesso de otimismo” da produtora 30e, de acordo com fontes da indústria. Após o sucesso da reunião dos membros remanescentes da formação clássica do Titãs, a empresa — que também realiza festivais como Knotfest Brasil, MITA e I Wanna Be, além de tours de artistas nacionais e internacionais como Sepultura, Slash, Toto, Forfun, entre outros — acreditou possuir um poder maior que o imaginado, ocasionando uma série de insucessos.

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Em reportagem de Sérgio Martins para a Billboard Brasil, pessoas que pediram para permanecer no anonimato propuseram uma reflexão sobre o tema. Um ponto curioso se dá quando da análise de que, além do grupo de rock nacional, os recentes acertos se deram em datas dos pagodeiros do Soweto e, antes da pandemia, da dupla Sandy & Júnior.

Em todos esses casos, as excursões promoviam um reencontro pelo qual os fãs ansiavam – embora o Titãs continuasse existindo, apenas três de seus integrantes participavam das atividades. No caso das artistas que sofreram o cancelamento, são figuras com agendas contundentes e aparições frequentes na mídia, o que tira o ar de “novidade”.

A matéria começa analisando a situação de Ivete:

“Uma das maiores intérpretes do país, Ivete deu o pontapé inicial na turnê em comemoração dos 30 anos de carreira numa apresentação no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. As vendas foram uma decepção. Há notícias de pessoas ligadas à produção do show que foram a um shopping da cidade distribuir ingressos para o público. Ainda assim, a turnê ‘A Festa’ havia sido mantida.

Os resultados foram catastróficos. Para se ter uma ideia, o segundo show de Ivete, na Arena Manaus, teria capacidade para 44 mil pessoas. Pouco mais de 2,5 mil ingressos haviam sido vendidos. Em Presidente Prudente (SP), foi pior: não passaram de cem ingressos.”

“Ludmilla in the House”

No caso de Ludmilla, o fracasso foi ainda mais retumbante, já que a ideia sequer saiu efetivamente do divulgado.

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“Estima-se que ela teria recebido um adiantamento de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões para fazer a turnê ‘Ludmilla in the House’ pela 30e. Foi um fracasso. As dez apresentações programadas acabaram virando duas e, hoje, nenhuma. Os shows da carioca foram marcados para locais que abrigariam entre 10 mil e 20 mil pessoas. Não passaram de 500 bilhetes vendidos. ‘A 30e comprou Ludmilla e achou que tinha o Numanice’, diz uma fonte do showbiz em off para a Billboard Brasil, referindo-se à bem-sucedida turnê anterior da cantora (que era uma festa e não um show solo).”

Uma das fontes ouvidas pela reportagem entende que o êxito envolvendo Titãs e Soweto fez com que a 30e imaginasse possuir um poder acima do real.

“Ajuda a criar a ilusão. Mas é uma em um milhão. Colocar Titãs em estádio foi um golaço, mas é preciso tomar cuidado com o resto. Nem tudo funciona como Sandy e Junior.”

Também é preciso ressaltar os altos custos de produção, o que faz com que os ingressos também sejam comercializados em preços acima da realidade do público. E mesmo se as vendas forem boas, de acordo com outra fonte, o prejuízo acaba vindo pela falta de limites no orçamento.

“Se você fecha com um artista, mas não impõe limites na planilha, ele vai querer gastar muito e ter o máximo de produção. Às vezes, você enche o estádio e ainda assim não paga a conta.”

O impacto nos festivais

Em outro ponto do texto, é apontado a possível influência que os fracassos das iniciativas causarão em outras áreas, incluindo festivais.

“Nenhum estado brasileiro tem capacidade financeira para ter Lollapalooza, Primavera Sound e The Town num mesmo ano. O próprio Rock in Rio já começa com uma noite brasileira visando atingir outro público. Temos um fenômeno acontecendo no Rio, onde aquela fórmula de festivais com artistas nacionais parece não estar dando certo. Um fez, e surgiram mais dois ou três iguais. E aí nenhum tem o mesmo resultado. Acho que vai demorar uns dois anos até que tenhamos uma acomodação do mercado.”

As duas cantoras emitiram comunicados falando sobre os cancelamentos. Ambas responsabilizam a 30e pelos problemas. Ludmilla argumentou o não cumprimento de itens que já haviam sido acordados. Já Ivete enfatizou que não houve um planejamento adequado, também pactuado em contrato.

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Por sua vez, a empresa afirma que a decisão sobre o cancelamento foi tomada pelas artistas, algo que não era considerado pela produtora. Diz ainda que havia proposto “readequação de estrutura” para Ivete, sendo “surpreendida” com a nota da cantora. No caso de Ludmilla, declara que sequer havia negociado alternativas até receber o comunicado de sua equipe.

Titãs e a turnê “Encontro”

Em abril de 2023, o Titãs deu início à turnê “Encontro”. Responsável por reunir a formação clássica da banda — com os retornos especiais de Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Nando Reis e Charles Gavin —, a série de shows passou não só pelo Brasil, como também Estados Unidos e Portugal.

Devido ao sucesso, ganhou mais datas do que o planejado. Só em São Paulo, foram seis apresentações no estádio Allianz Parque. A despedida com os sete integrantes aconteceu durante o festival Lollapalooza Brasil, também na capital paulista, no fim do último mês de março.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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