Exclusivo: Cone McCaslin reflete sobre o fim do Sum 41, álbum final e Brasil

Baixista revela bastidores de “Heaven :x: Hell”, expressa esperança de voltar ao país e comenta experiência com trilha sonora de “American Pie 2”

Após 27 anos de atividades, o Sum 41 vai acabar. Ao menos foi isso que a banda canadense, que marcou o pop punk no início dos anos 2000, garantiu em publicação nas redes sociais em maio de 2023. “Somos eternamente gratos aos nossos fãs, antigos e novos, que nos apoiaram em todos os sentidos”, diz o comunicado assinado por Deryck Whibley (vocais, guitarra), Dave “Brownsound” Baksh (guitarra), Jason “Cone” McCaslin (baixo), Tom Thacker (guitarra) e Frank Zummo (bateria).

Mas a saideira não foi imediata, e trouxe consigo, além de um novo álbum — o duplo “Heaven :x: Hell” (clique aqui para ouvir), lançado em 29 de março —, a promessa de uma abrangente turnê de despedida, a ser concluída até o fim de 2024.

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Em conversa exclusiva com o site IgorMiranda.com.br, Cone McCaslin falou sobre tudo isso e muito mais. Confira abaixo.

Separação amigável

“Heaven :x: Hell” já estava pronto quando Deryck informou aos colegas seu desejo de encerrar o Sum 41. Segundo Cone, a decisão pegou a todos de surpresa, mas ele diz ter entendido as razões apresentadas pelo vocalista.

“Desde que éramos adolescentes, a única coisa que fizemos na vida foi isso. A banda terá quase 30 anos quando acabar, e todos nós estamos na faixa dos 40. É normal que ele queira explorar outras coisas e não ache que pode fazer isso com a banda ainda ativa.”

Para o baixista, mesmo os períodos de folga nunca foram necessariamente de descanso. Sempre havia entrevistas a serem dadas, ações promocionais a serem feitas e planos a serem traçados.

“Não quer dizer que não gostemos mais desse ritmo frenético. Mas chega um ponto em que, se você quer fazer algo diferente, a banda se torna um empecilho, pois sempre haverá algo relacionado a ela [acontecendo].”

Apesar de não compartilhar necessariamente dos mesmos sentimentos que Deryck, Cone afirma que a amizade entre os dois, que se conhecem desde o ensino médio, permanecerá.

“Éramos amigos antes de a banda existir. A banda surgiu depois que já éramos amigos. O motivo de estarmos nos separando não é porque não gostamos mais uns dos outros ou tivemos uma grande briga ou algo assim. Moramos em diferentes partes da América do Norte, então é lamentável que não possamos nos encontrar com frequência para sair juntos. Mas não vejo motivo para que não continuemos amigos.”

Tributo à carreira do Sum 41

“Acredito que este é o álbum certo para encerrar nossa trajetória”. É assim que Cone define o recém-lançado “Heaven :x: Hell”. O álbum, que é duplo, incorpora todos os estilos do Sum 41; enquanto o CD 1, “Heaven”, traz o lado pop punk, o CD 2, “Hell”, conta com uma abordagem orientada ao heavy metal.

Mostrar tudo o que a banda fez durante sua carreira não necessariamente faz do disco o melhor. Tal decisão, segundo o baixista, cabe às pessoas que estão ouvindo.

Sem dar nome aos bois — ou aos discos —, Cone reconhece que gosta mais de alguns do que de outros, mas que não há um álbum que não goste. Ele afirma: “Amo nossas primeiras músicas, e também gosto das que fizemos no meio de nossa carreira”.

A gestação de “Heaven :x: Hell” teve início durante a pandemia, mas somente após gravar todas as vinte faixas que compõem o trabalho que o grupo decidiu por um álbum duplo. Ele reflete:

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“Concordamos que, se misturássemos as músicas pesadas com as pop punk, o álbum ficaria estranho. Então, concluímos que seria interessante fazer um álbum duplo, o que nunca havíamos feito antes.”

Dessa forma, para o baixista, funcionou bem. Muitos fãs gostam mais das músicas pop punk, enquanto outros preferem as mais pesadas.

Cone concorda que a abordagem mais metal no pop punk é um diferencial presente na música do Sum 41 desde o trabalho de estreia “All Killer No Filler” (2001) em comparação com grupos contemporâneos. Ele diz não ver muitas bandas desse estilo fazendo músicas com, por exemplo, solos de guitarra. Sobre se tocar metal seria um futuro possível, só o tempo dirá.

“Quem sabe? Eu, particularmente, não tenho pensado muito nisso [no futuro]. Uma vez que a banda terminar, tudo estará em aberto. Ninguém está muito preocupado com isso, e não há pressa para definir qual será o próximo passo.”

Foto: JDunbarPhoto / Depositphotos

Múltiplas interpretações em meio ao adeus

A diferença entre os discos 1 e 2 de “Heaven :x: Hell” vai além do dado sonoro; a temática das letras varia de acordo com a intensidade musical. Cone explica que a rapidez e a agressividade das músicas de “Hell” requereram temas mais pesados do que os abordados em “Heaven”. Para ele, é necessário que letra e música andem de mãos dadas nesse sentido.

O que não quer dizer que não haja assuntos pesados em “Heaven”; que o diga o single “Landmines”, que à primeira ouvida soa como uma canção a respeito de um término de relacionamento, mas que também pode ser interpretada como uma metáfora para o anúncio da separação da banda. Por não ser o autor da letra, o baixista não sabe dizer qual foi a mensagem específica que se pretendia transmitir, mas dá o seu palpite:

“Diria que é mais sobre um relacionamento que deu errado. Na minha opinião, há outras músicas no álbum, como ‘How the End Begins’, que são mais direcionadas ao fim da banda. Até o Deryck admite que essa música trata mais sobre o fim da banda.”

Interpretações à parte, “Landmines” chegou ao número um das paradas alternativas nos Estados Unidos, repetindo o feito de “Fat Lip”, mais de duas décadas e meia depois. Cone considera a conquista um testemunho de que o Sum 41 está na ponta dos cascos, mas não acha que isso é suficiente para Deryck reconsiderar a decisão de sair de cena.

“Gostamos muito deste novo álbum. Pensamos que, se vamos encerrar, é melhor fazê-lo quando estivermos no nosso melhor momento como banda. E, musicalmente, acredito que estamos no auge de nossa carreira até agora. Não vejo isso mudando, mesmo tendo alcançado o número um, pois isso apenas reforça nossa decisão.”

Foto: Ben Houdijk / Depositphotos

“American Pie 2” e a rotulagem musical

Lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 10 de agosto de 2001, “American Pie 2 – A Segunda Vez é Ainda Melhor” foi sucesso de bilheteria. O filme dirigido por J. B. Rogers custou US$ 30 milhões para ser produzido e arrecadou mais de US$ 280 milhões no mundo todo. Embalando o reencontro dos amigos Jim, Oz, Kevin, Stifler e Finch durante o verão após seu primeiro ano de faculdade, músicas de Blink-182, Green Day e, lógico, Sum 41, que comparece com a já citada “Fat Lip”, além de “In Too Deep”.

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É justo afirmar, pelo menos em se tratando de Brasil, que a presença na trilha sonora do longa-metragem teve grande impacto na carreira da banda. Cone usa a palavra “sorte” para se referir a essa exposição a nível mundial. “Não tínhamos ideia de que [‘American Pie 2’] se tornaria um fenômeno”, diz ele, espantado com o fato de as pessoas ainda assistirem ao filme, “um clássico cult”, hoje.

Sobre os possíveis estigmas que a banda carrega em razão de “American Pie 2”, o baixista aponta um marco temporal: “Nosso gênero musical começou a ser chamado de pop punk naquela [mesma] época”. Para ele, quer o Sum 41 estivesse na trilha sonora do filme ou não, seria rotulado como pop punk.

“Nunca nos classificamos como uma banda pop punk, punk ou alternativa. As pessoas colocam rótulos em você independentemente de estar em ‘American Pie 2’ ou em ‘Scarface’. Isso é irrelevante. Quando jornalistas te colocam em uma caixa, o que você pode fazer?”

No Brasil, memórias e possibilidades futuras

A única vinda do Sum 41 ao Brasil foi durante a turnê Don’t Call It a Sum-Back em 2016, promovendo o então recém-lançado álbum “13 Voices”.

Cone tem boas lembranças dos shows em Porto Alegre e São Paulo e afirma que gostaria que a banda tivesse tido a oportunidade de vir para cá mais vezes, pois aqui estão os fãs mais obstinados nas redes sociais, “sempre pedindo ‘come to Brazil’, ‘come to Brazil’”.

O baixista diz ainda que, embora acredite que o grupo precisa voltar à América do Sul antes de terminar, não sabe se tal retorno será possível.

“Estamos discutindo novas datas para a turnê, tentando encaixar tudo. Há muitos fatores envolvidos nisso. Promoters, transporte de equipamentos e encontrar espaço entre os compromissos que já temos agendados. Mas estou esperançoso.”

Ele encerra mandando um recado para os fãs brasileiros:

“Peço desculpas [por só termos tocado no Brasil uma vez]. Mas também agradeço nossos fãs pela lealdade e o entusiasmo que colocam até mesmo nas mensagens que nos enviam online. Torço para que possamos nos ver em breve.”

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Marcelo Vieira
Marcelo Vieirahttp://www.marcelovieiramusic.com.br
Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Há mais de dez anos atua no mercado editorial como editor de livros e tradutor freelancer. Escreve sobre música desde 2006, com passagens por veículos como Collector's Room, Metal Na Lata e Rock Brigade Magazine, para os quais realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais, cobriu shows e festivais, e resenhou centenas de álbuns, tanto clássicos como lançamentos, do rock e do metal.

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