Slash diverte, mas não ousa em “Orgy of the Damned”

Guitarrista aposta em repertório previsível e convidados especiais em tributo ao blues

Em 2010, Slash lançou seu primeiro álbum solo. O trabalho se destacou por ter uma série de convidados especiais, com o guitarrista adaptando seu estilo a cada participação, o que gerou um trabalho bem diversificado. A seguir, foi montada uma banda, o The Conspirators, girando em torno da figura do vocalista Myles Kennedy (Alter Bridge). O grupo acompanha o homem da cartola em suas turnês até hoje.

O tempo passou, veio a reunião com o Guns N’ Roses, mas os pedidos por uma repetição do formato do disco que levava o nome de seu protagonista nunca cessaram. Chegamos a 2024 e ele finalmente atendeu o anseio dos fãs. Bem, ao menos em partes, já que desta vez os colaboradores que precisaram se adaptar à proposta do líder da empreitada.

- Advertisement -

“Orgy of the Damned” se caracteriza por oferecer versões para standards do blues e adjacentes, além de músicas que tiveram participação decisiva na junção que daria origem ao rock enquanto movimento. A iniciativa em si é válida. Porém, o tracklist peca por apostar em um repertório que já recebeu centenas de registros anteriores. Sons como “Born Under a Bad Sign”, “Crossroads”, “Oh Well” e “Papa Was a Rolling Stone” possuem covers até mesmo de nomes tão curiosos quanto Homer Simpson e o saudoso Jô Soares.

Os registros são da mais alta competência – vale destacar a produção assinada por Mike Clink, com quem Slash e o GNR trabalharam nos imortais “Appetite for Destruction” (1987) e “Use Your Illusion I & II” (1991), além do EP “Lies” (1988). A banda fixa traz nomes como Johnny Griparic (baixo – Richie Kotzen, Ace Frehley, Walter Trout etc), Teddy “ZigZag” Andreadis (teclados – Guns N’ Roses, Carole King, Chuck Berry etc) e Michael Jerome (bateria – Toadies, John Cale etc). Os dois primeiros estiveram no Slash’s Blues Ball, que teve vida curta na metade dos anos 1990.

As interpretações não fogem daquilo que se esperaria instintivamente. Os arranjos mais famosos – lembremos que, em um passado cada vez mais distante, composições do tipo ganhavam inúmeras versões em pouquíssimo tempo, com alguma se destacando das outras de forma quase instintiva – são respeitados, apenas contando com uma abordagem mais atualizada.

A abertura com “The Pusher”, composição de Hoyt Axton que se tornou famosa graças ao Steppenwolf e o filme “Easy Rider”, mostra força e é um dos destaques. Chris Robinson (The Black Crowes) esbanja categoria e mostra o porquê de ter sido uma das principais vozes do classic rock em sua geração. Em “Crossroads” se sobressai a presença de Gary Clark Jr., mesmo em se tratando de uma das escolhas mais manjadas entre todas.

Daí por diante, temos uma montanha russa. Dorothy esbanja classe em “Key to the Highway”, ao passo que Iggy Pop oferece personalidade – como em quase tudo que faz – para “Awful Dream”, de Lightnin’ Hopkins. Da mesma forma, brilham as estrelas de Beth Hart em “Stormy Monday” e um surpreendente Brian Johnson (AC/DC) em “Killing Floor”, escrita e imortalizada por Howlin’ Wolf, acompanhado pela gaita de boca de Steven Tyler (Aerosmith).

Leia também:  Max Cavalera topa reunião com o Sepultura? Ele responde

No entanto, por mais competentes que sigam sendo Billy Gibbons e Paul Rodgers, não dá para deixar de dizer que suas entregas em “Hoochie Coochie Man” e “Born Under a Bad Sign” consigam sair do lugar comum. E Demi Lovato possui talento reconhecido, mas soa acomodada e monocórdica em “Papa Was a Rolling Stone”, que renderia muito mais com uma execução de maior dedicação – a qual ela seria capaz, como demonstrou em vários números próprios. A autoral instrumental “Metal Chestnut” não faz diferença alguma.

Em linhas gerais, “Orgy of the Damned” serve como uma boa apresentação para quem ainda não se aventura pelos caminhos do blues. Slash e amigos passam pelo teste mostrando competência. Ainda assim, é importante ressaltar que várias das canções presentes possuem takes mais convincentes, competentes e espontâneos em décadas anteriores.

*Ouça “Orgy of the Damned” a seguir, via Spotify, ou clique aqui para conferir em outras plataformas digitais.

*O álbum está na playlist de lançamentos do site, atualizada semanalmente com as melhores novidades do rock e metal. Siga e dê o play!

Slash – “Orgy of the Damned”

  1. The Pusher (feat. Chris Robinson)
  2. Crossroads (feat. Gary Clark Jr.)
  3. Hoochie Coochie Man (feat. Billy Gibbons)
  4. Oh Well (feat. Chris Stapleton)
  5. Key to the Highway (feat. Dorothy)
  6. Awful Dream (feat. Iggy Pop)
  7. Born Under a Bad Sign (feat. Paul Rodgers)
  8. Papa Was a Rolling Stone (feat. Demi Lovato)
  9. Killing Floor (feat. Brian Johnson)
  10. Living for the City (feat. Tash Neal)
  11. Stormy Monday (feat. Beth Hart)
  12. Metal Chestnut

Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.

ESCOLHAS DO EDITOR
InícioResenhasResenhas de discosSlash diverte, mas não ousa em “Orgy of the Damned”
João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

2 COMENTÁRIOS

  1. Olha, não quero transformar isso aqui numa picuinha entre alguém que é fã e alguém que não curte o Slash (até porque eu entendi o ponto do repertório do álbum), mas essa resenha ficou tipo eu tendo que resenhar álbum, sei lá, do Coldplay. Eu faria de muita má vontade…

    Chester Burnett é o nome de batismo do Howlin’ Wolf…

DEIXE UMA RESPOSTA (comentários ofensivos não serão aprovados)

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui


Últimas notícias

Curiosidades