Eloy Casagrande conta em detalhes como entrou para o Slipknot

Baterista foi convidado para teste em dezembro e recebeu notícia de que estava dentro entre os dias 5 e 6 de fevereiro

Eloy Casagrande se juntou ao Slipknot, oficialmente, em abril. Porém, como era de se esperar, a história da nova parceria se desenrolou por meses até chegar ao anúncio para o público.

Em entrevista a Tomás Novaes para a Veja SP, o baterista brasileiro contou em detalhes todo o processo até a entrada definitiva à banda americana. Segundo ele, o convite surgiu através dos empresários dos mascarados, logo após o anúncio da turnê de despedida de seu então grupo, o Sepultura.

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O músico, claro, não sabe dizer ao certo como chegaram ao nome dele. Contudo, o trabalho do brasileiro já era bastante reconhecido no exterior, a ponto de sua entrada ser pedida por fãs desde o anúncio da saída de Jay Weinberg, meses antes, especialmente devido a Eloy ter gravado vídeos tocando músicas do grupo em outras ocasiões.

Ele disse:

“Ele (o empresário) perguntou se eu tinha interesse em fazer, primeiramente, uma audição. Eu aceitei. Eles me pediram para gravar e enviar alguns vídeos aqui mesmo, do Brasil. Inicialmente foram três músicas, depois me pediram mais três, e perguntaram se eu tinha algum plano de ir para os Estados Unidos, e eu tinha uma apresentação marcada lá em janeiro, com o meu projeto de música instrumental, Casagrande & Hanysz. Então eles adiantaram um pouco o meu voo, e fiquei cinco dias em Palm Springs, ensaiando com a banda completa. Depois eles me pediram para estender a estadia em mais cinco dias, para a gente gravar algumas coisas. Acho que isso também fazia parte dessa audição, eles jogavam ideias novas para mim, para ver como era a minha composição. Eles queriam me testar em todos os sentidos.”

Ainda de acordo com Casagrande, todos os integrantes precisaram aprovar a sua entrada — outros oito fazem parte do grupo. Entre 5 e 6 de feverero, ele recebeu a notícia de que estava dentro. Começou, a partir daí, um processo nada fácil, ainda que bastante satisfatório para quem realizava um sonho.

“Em um primeiro momento, eles não explicaram o que a gente faria. Foi tudo meio que no escuro. A primeira coisa que eles enviaram foi um documento de confidencialidade, pelo qual eu não poderia comentar isso com ninguém. Fui aprendendo o repertório, me preparando, e, faltando quatro dias para a viagem, eles mandaram uma lista de 32 músicas que seria importante eu saber. Muitas das que eu estava aprendendo não estavam nessa lista, então comecei a correr atrás das partituras. Quando cheguei lá (nos Estados Unidos), eles me passaram um setlist no primeiro dia, que tinha algumas músicas que eu também não sabia, mas a gente saiu tocando. No primeiro dia, eu estava com um nervosismo absurdo, porque a banda estava completa, e é bem impactante ver os caras ali na sua frente. Uma banda que eu escuto desde a adolescência, e acompanhava na televisão. No primeiro dia eu fui péssimo, não gostei da minha performance, mas a partir do segundo dia eu fui melhorando. A cada dia eles passavam um setlist diferente, pela manhã, então eu tinha algumas horas para aprender uma música ou outra que faltava. De forma geral, foi muito tranquilo. Eu tive o apoio de todos.”

E como foi a relação com os demais músicos? De acordo com Eloy, bastante positiva.

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“Eles foram muito respeitosos e tranquilos, porque sabiam que aquela posição em que eu estava era um lugar estressante. Então eles respeitaram o meu tempo, e agora, depois de alguns shows, estou muito mais tranquilo e confortável. Também não é fácil encaixar nove músicos tocando juntos, é como uma orquestra. Cada pessoa toca de uma forma diferente, então levou um tempo até eu entender como a banda funcionava e eles entenderem como eu funciono. A gente está muito feliz para fazer os próximos shows.”

Entrada oficializada

O Slipknot confirmou Eloy Casagrande como novo integrante em duas publicações diferentes nas redes sociais. A primeira se deu de forma discreta, no último dia 29 de abril, com uma marcação em uma foto no Instagram. Na mesma mídia, já no dia 30, o grupo divulgou uma imagem somente do baterista brasileiro, lhe dando boas vindas.

Depois, foi a vez do próprio brasileiro se manifestar. O baterista publicou um comunicado, também no Instagram, para celebrar a conquista.

Ele disse:

“Um momento muito emocionante. Impensável até então. Não há nada a perder, não há nada a ganhar. Há apenas o viver. Estamos aqui como um só.

Obrigado Slipknot por acreditar em mim. Obrigado a todos os maggots e fãs ao redor do mundo.

Vejo vocês na estrada, meus Slipknotos. ‘Here comes more pain’.”

Eloy Casagrande estreia no Slipknot

Eloy Casagrande estreou com o Slipknot em um show intimista de aquecimento no último dia 25 de abril, no bar e restaurante Pappy + Harriet’s, localizado em Pioneertown, Califórnia, Estados Unidos. Depois, foi apresentado de vez a um grande público no festival Sick New World, em Las Vegas, no dia 27. Os mascarados estavam entre os headliners, junto do System of a Down.

Os próximos compromissos englobam dois shows em festivais americanos (Welcome to Rockville e Sonic Temple nos dias 12 e 19 de maio) e uma turnê pela América do Norte entre agosto e setembro. Em outubro, a banda toca no festival Aftershock e nas duas datas do Knotfest Brasil, marcado para 19 e 20 de outubro, no Allianz Parque, em São Paulo.

Em novembro, os mascarados seguem para o México. No mês seguinte, é a vez da Europa e do Reino Unido, com uma turnê que vai até o dia 21, pertinho do Natal.

Dança das cadeiras

A saída de Eloy Casagrande de sua banda anterior, o Sepultura, foi anunciada no fim do último mês de fevereiro. A banda se declarou surpresa com a decisão, comunicada internamente no início do mês, semanas antes de começar a turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”. O rompimento ocorreu justamente para que o músico brasileiro se dedique a outro projeto, não revelado à época.

O nome de Casagrande era especulado por fãs do Slipknot desde a demissão de Jay Weinberg, no fim do ano passado. Curiosamente, com sua entrada, aconteceu um movimento de troca de bateristas entre três bandas. A saber, em três atos:

  • Primeiro: Em novembro do ano passado, Jay foi demitido do Slipknot. Nenhuma razão clara foi apresentada pela banda no anúncio, apenas “decisões criativas”.
  • Segundo: No fim de fevereiro, a saída de Eloy Casagrande foi confirmada pelo Sepultura. A banda afirma que o baterista brasileiro se desligou “para seguir carreira em outro projeto”. Desde a dispensa de Weinberg, seu nome passou a ser especulado no Slipknot, com a efetivação se confirmando em abril.
  • Terceiro: A vaga de Casagrande no Sepultura foi ocupada por Greyson Nekrutman, baterista do Suicidal Tendencies — que convocou justamente Weinberg para substitui-lo.

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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

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