O grande diferencial de Jimi Hendrix, segundo Jeff Beck

Apresentação da Jimi Hendrix Experience em Londres sacudiu a cena local e mudou a carreira de grandes nomes do rock

Alguns acontecimentos entram para a história da música por mudarem tudo o que vem depois deles. É o caso da chegada de Jimi Hendrix a Londres, em novembro de 1966.

Ao conferir o americano se apresentar no pub Bag O’Nails, muitos guitarristas ingleses tiveram um choque que os obrigou a sair da zona de conforto, mudando suas carreiras. Um desses músicos era ninguém menos do que Jeff Beck.

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Como outros presentes, Beck, que nos deixou em janeiro de 2023, já falou sobre o assunto. Algumas de suas falas foram resgatadas para a edição 325 da revista Classic Rock.

Na ocasião, Jeff confirmou o tamanho do impacto que a Jimi Hendrix Experience causou em Londres.

“Para mim, a primeira onda de choque foi Jimi Hendrix. Essa foi a maior coisa que sacudiu todo mundo. Apesar de termos todos nos estabelecido com certa segurança no campo da guitarra, ele veio e restabeleceu todas as regras em uma noite.”

Beck descreve o que tornava Hendrix tão especial. Para ele, a abordagem física do guitarrista americano era única e deixava a todos boquiabertos naquele contexto.

“A coisa que eu notei foi não só seu blues incrível, mas seu ataque físico na guitarra. Suas ações eram todas de um acorde, um pacote explosivo. Eu, Eric (Clapton, então guitarrista do Cream) e Jimmy (Page, então guitarrista dos Yardbirds) fomos amaldiçoados, porque éramos de Surrey: todos nós parecíamos que tínhamos saído da janela de uma loja Burton. Ele me acertou como um terremoto quando chegou. Tive que pensar muito e por muito tempo sobre a próxima coisa que faria.”

Sobre Jimi Hendrix

Nascido em Seattle, Johnny Allen Hendrix – posteriormente James Marshall Hendrix – teve seu primeiro violão aos 15 anos. Paralelamente à carreira musical amadora, serviu o exército, se tornando paraquedista. A seguir, começou a tocar acompanhando nomes como The Isley Brothers, Little Richard, Wilson Pickett, Slim Harpo, Sam Cooke, Ike & Tina Turner e Jackie Wilson.

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Na segunda metade dos anos 1960 formou a Jimi Hendrix Experience, power trio com o qual revolucionou os caminhos da música popular. Seu experimentalismo o colocou no patamar de um dos maiores instrumentistas de todos os tempos. Em 1969 formou a Band Of Gypsys, que se enveredava pelos caminhos das jam bands.

Morreu aos 27 anos no dia 18 de setembro de 1970. A causa oficial foi uma overdose de barbitúricos, embora seja algo contestado até hoje por pessoas que lhe eram próximas.

Sobre Jeff Beck

Nascido em 24 de junho de 1944, em Wallington, Surrey, na Inglaterra, Geoffrey Arnold Beck envolveu-se com a música inicialmente cantando em um coral de igreja. Ao conhecer o trabalho de outro revolucionário da guitarra, Les Paul, ficou impressionado e se apaixonou pelo instrumento. Porém, só começou a tocar mesmo na adolescência.

No início da vida adulta, transitou por uma série de bandas em Londres. Em 1965 juntou-se ao Yardbirds na vaga deixada por Eric Clapton. Ficou apenas um ano, período em que a banda lançou seus maiores hits. A passagem acabou mal, já que ele foi demitido por constantemente não aparecer para os shows.

Em 1967, foi a vez de arriscar-se como dono de banda: o Jeff Beck Group, com Rod Stewart nos vocais, Ronnie Wood no baixo e Micky Waller na bateria. Os primeiros álbuns do projeto, “Truth” (1968) e “Beck-Ola” (1969), são citados como fundamentais para o desenvolvimento do heavy metal. Foi considerado para substituir Syd Barrett no Pink Floyd, mas ninguém na banda teve coragem de convidá-lo.

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Com o fim da formação inicial de seu próprio grupo, montou o Beck, Bogert & Appice e seguiu trabalhando em carreira solo, além de uma nova configuração do Jeff Beck Group. Explorou não apenas as já conhecidas influências do blues e rock, como também da soul music, incluindo colaborações com Stevie Wonder.

Na década de 1980, Beck restringiu seu trabalho a apenas algumas aparições em shows beneficentes. Retornou de vez com o álbum “Flash” e também se reuniu com Rod Stewart. A partir dos anos 1990, reduziu o ritmo de sua carreira, com idas e vindas e longos hiatos entre seus álbuns. Entre suas colaborações nas décadas de 1980 e 1990, estão registros com Mick Jagger, Jon Bon Jovi, Buddy Guy, Tina Turner, Seal, Duff McKagan, Brian May e ZZ Top.

Seu último trabalho completo foi “18”, uma colaboração com o ator e também músico Johnny Depp. Saiu em julho de 2022 e reuniu majoritariamente covers de artistas como Beach Boys, Marvin Gaye e The Velvet Underground. Participou também de “Patient Number 9”, álbum de Ozzy Osbourne, gravando guitarra em duas músicas: a faixa-título e “A Thousand Shades”. Em janeiro de 2023, ele faleceu aos 78 anos de idade após contrair meningite bacteriana.

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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