O artista que inspirou George Harrison a virar músico: “posso ser melhor que ele”

Declaração concedida durante entrevista em 1980 foi resgatada para novo livro sobre os Beatles

Em 1980, o ex-diretor de operações da Apple Corp, Peter Brown, se juntou ao escritor Steven Gaines para um novo projeto de livro. Juntos, conduziram entrevistas com o círculo íntimo dos Beatles, dando origem ao best-seller “The Love You Make”.

Porém, muitas conversas permaneceram nos arquivos até recentemente. “All You Need Is Love: The End of the Beatles”, com tais declarações, sai oficialmente na próxima quinta-feira (11).

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A obra possui 352 páginas e será distribuída na sua versão em inglês através da editora Monoray. Por enquanto, não há previsão para lançamento em português.

Uma das figuras ouvidas foi George Harrison. Em prévia obtida pelo The Times e repercutida pelo Guitar.com, o guitarrista falou sobre o músico que o inspirou a se aventurar pelo instrumento.

“Tenho memórias de quando era um garoto de cerca de doze anos, sonhando com grandes lanchas, ilhas tropicais e coisas que não tinham nada a ver com Liverpool, uma cidade escura e fria. Lembro-me de ir ver Cliff Richard e pensar: ‘f*da-se – eu poderia fazer melhor do que isso’.”

Curiosamente, Sir Cliff Richard é o segundo britânico que mais vendeu discos na história da indústria fonográfica do Reino Unido, justamente atrás dos Beatles. Considerando nomes estrangeiros, Elvis Presley ainda se coloca entre os dois.

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Beatles x Cliff Richard

A menção nada condecorosa feita por George Harrison não deve ter sido feita sem intenção de alfinetar. Quando o Fab Four estourou mundialmente, Cliff Richard se sentiu não apenas ameaçado, como deixou transparecer uma inveja – especialmente pelo fato de que, apesar de um grande nome em território local, o artista jamais repetiu a mesma fama internacional.

Quando os Beatles encantaram multidões no The Ed Sullivan Show em 1964, Cliff reagiu à apresentação esbravejando:

“É ridículo! Todos se esqueceram de mim? O que está acontecendo?”

O fim de acordo com George Harrison

Em outro trecho publicado, George dá sua versão para o que levou à banda ao fim. Para ele, a superexposição acabou exercendo papel decisivo, criando uma saturação que também se tornou interna.

“Continuávamos nos dando conta que estávamos ficando cada vez maiores, até que todos percebemos que não poderíamos ir a lugar nenhum – você não poderia pegar um jornal ou ligar o rádio ou a TV sem se ver. Tornou-se demais. Ficamos presos e por isso tinha que acabar, é o que eu acho… Éramos como macacos em uma jaula.”

Ainda assim, Harrison viu uma vantagem em ter que passar por tudo isso em grupo. Para exemplificar, usou o rei do rock, à época já falecido.

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“Elvis tinha uma comitiva… mas havia apenas um homem que teve aquela experiência de como era ser Elvis Presley. Eu acho que teria sido muito mais solitário do que ser um dos Fab Four, porque pelo menos poderíamos nos apoiar rindo, chorando ou o que quer que fizéssemos um ao outro. Foi definitivamente uma vantagem estar em grupo.”

John Lennon seria o primeiro Beatle a morrer, assassinado no final do ano em que as entrevistas para o livro foram conduzidas. George Harrison faleceu de câncer aos 58 anos, no dia 29 de novembro de 2001. Paul McCartney e Ringo Starr seguem nesse mundo, com 81 e 83 anos, respectivamente. A idade do baterista é a mesma de Cliff Richard, que também está vivo.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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