O grande problema do Black Sabbath em “Headless Cross”, segundo Iommi

Álbum representou o maior sucesso comercial do grupo em muito tempo, mas poderia ter se saído ainda melhor

“Headless Cross” (1989) é icônico para o Black Sabbath por uma série de motivos. O décimo quarto álbum de estúdio do grupo simboliza o retorno de uma estabilidade que não existia mais desde os tempos de Ronnie James Dio, além de resgatar uma sonoridade que não se ouvia em um disco do grupo há mais tempo ainda. Mesmo assim, Tony Iommi aponta um problema com o trabalho.

Este e outros discos gravados com o vocalista Tony Martin estão sendo relançados no box set Anno Domini: 1989 – 1995, que chega em 31 de maio. Para promover o material, os dois Tonys apareceram juntos em um vídeo no canal oficial do guitarrista no YouTube onde a pauta é justamente “Headless Cross”.

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Nesse contexto, Iommi discute o principal problema com o registro: o trabalho da gravadora I.R.S. A transcrição é do site:

“Quando foi lançado, ‘Headless Cross’ se saiu muito bem na Europa. Realmente teve um bom desempenho na Europa porque tivemos divulgação. Na Inglaterra, é claro, tínhamos a I.R.S. Records, que não funcionou. Nos Estados Unidos, certamente também não.”

O guitarrista lamenta que o finado selo comandado por Miles Copeland (irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police) não tenha feito um bom trabalho de marketing. Para ele, o novo box set representa a ocasião para os fãs descobrirem – ou redescobrirem – o álbum.

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“É realmente triste que não tenha sido promovido como poderia ter sido. Muitas pessoas nem sabiam que tínhamos lançado um álbum, exceto na Alemanha, onde eles realmente o promoveram. Foi bom na Europa em geral. Uma pena, na verdade, mas, claro, agora é a hora.”

Black Sabbath e a I.R.S. Records

Até aquele momento, o Black Sabbath era um dos nomes mais antigos do casting da gravadora Warner, até Miles Copeland entrar em contato com Tony Iommi. O líder do grupo foi seduzido pelo discurso de que a I.R.S. não teria nenhum envolvimento artístico no novo álbum, que viria a ser “Headless Cross”. O guitarrista relatou ao jornalista Martin Popoff:

“Ele foi o motivo para eu assinar o contrato. Porque todas as outras gravadoras que estavam interessadas [na banda] também queriam envolvimento artístico. Eu não queria isso. Eu queria fazer meu negócio por conta própria, e Miles percebia isso. Ele disse: ‘Olha, você sabe como o Black Sabbath tem que ser.’ E eu gostei da forma que ele abordou isso. Assim que assinei o contrato, Miles, por mais que quisesse, não se envolveu.”

O “casamento” entre Sabbath e I.R.S. até durou bastante. O último álbum da parceria foi o polêmico “Forbidden”, de 1995.

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Sobre “Headless Cross”

Apesar de ter sido o segundo álbum do Black Sabbath com o vocalista Tony Martin, “Headless Cross” foi o primeiro no qual ele participou ativamente do processo criativo, escrevendo as letras – que estão entre as mais sombrias da banda. Foi também a estreia do veterano baterista Cozy Powell junto ao grupo e o único com o baixista Laurence Cottle.

Como relatado por Iommi, o disco foi bem recebido na Europa, de modo geral, mas a divulgação fraca da gravadora nos Estados Unidos e Inglaterra impediu resultados melhores. A turnê ficou marcada por uma longa série de shows na Rússia, que estava em plena transição com o fim da União Soviética.

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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