O acidente de avião que quase matou Travis Barker

Baterista do Blink-182 passou 11 semanas no hospital se recuperando após incidente que tirou a vida de quatro pessoas

Travis Barker, baterista do Blink-182, é uma daquelas pessoas que podem dizer que nasceram de novo. No caso do músico, a “nova chance” veio no dia 19 de setembro de 2008, quando sobreviveu a um grave acidente de avião no estado americano da Carolina do Sul.

Para se ter um gravidade do acidente, quatro pessoas morreram e o avião foi inteiramente consumido pelas chamas. Se não bastasse ter se ferido com certa gravidade, o baterista ainda desenvolveu fobia de aviões — problema solucionado apenas 13 anos depois, com a ajuda da esposa.

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A seguir, confira os detalhes deste acidente que quase matou Travis Barker e suas consequências na vida do músico.

O acidente de avião de Travis Barker

Travis Barker estava em Columbia, Carolina do Sul, por conta de uma apresentação que fez junto do DJ Adam Goldstein (mais conhecido como DJ AM), um de seus grandes amigos.

Já era tarde da noite quando a dupla embarcou em um Learjet 60. O destino era o aeroporto Van Nuys, no estado da Califórnia.

Havia outros quatro ocupantes na aeronave: o segurança Charles Still, o assistente Chris Baker (ambos também amigos de Barker), além da capitã Sarah Lemmon e do copiloto James Bland.

Pouco antes da meia-noite do dia 20 de setembro, o avião iniciou o procedimento de decolagem quando os ocupantes escutaram um barulho alto. Isso se resultou da explosão de um dos pneus do trem de pouso da aeronave.

A capitã Lemmon abortou a decolagem e logo avisou a torre de controle para enviar equipes de resgate, ciente de que não haveria tempo suficiente para parar a aeronave.

Para o apresentador Larry King (via Buzzfeed News), Barker revelou mais detalhes da dinâmica do acidente.

“(O pneu) do trem de pouso estourou, parecia o barulho de tiros. Parecia que alguém estava disparando uma arma perto de minha cabeça. Aí, o avião simplesmente saiu de controle em espiral. Ele basicamente levantava voo, batia no chão e voltava para o ar. A cada batida, as chamas e a fumaça ficavam maiores e antes do impacto final, o avião estava completamente em chamas.”

O Learjet 60 acabou saindo da pista, se chocou com uma cerca limítrofe do aeroporto e parou, já completamente tomado pelo fogo, em um declive. Os bombeiros levaram aproximadamente uma hora para controlar as chamas.

Apenas Travis Barker e Adam Goldstein sobreviveram ao acidente de avião. O baterista afirmou que na pressa em deixar o avião, pulou em um local que o deixou encharcado de combustível. Como consequência, ficou com o corpo todo em chamas e não teve outra escolha a não ser arrancar suas roupas e rolar no chão para apagar o fogo.

O músico sofreu queimaduras de terceiro grau que atingiram aproximadamente 65% do seu corpo. Quase resultaram na amputação de seu pé direito.

Como consequência, Barker passou 11 semanas internado no hospital, onde realizou 27 cirurgias para aplicar enxertos de pele, além de ter recebido inúmeras transfusões de sangue.

Foto: yakub88 / Depositphotos

Internação complicada

Para o podcast Joe Rogan Experience (via Elle), Barker lembrou do período difícil que passou internado por conta do acidente.

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Primeiro, o baterista afirmou que, por algum tempo, pensou que todos os que estavam a bordo conseguiram sobreviver ao acidente.

“Quando estava no hospital, estava sob o efeito de tantas drogas que não sabia que dois dos meus amigos tinham falecido. Também não sabia que os pilotos faleceram. Não me lembro de nada. Ficava pensando que todos estavam no hospital, incluindo os pilotos e meus amigos. Pensei que todos estavam em quartos diferentes até umas duas semanas antes de sair. Aí, enlouqueci, não estava em um bom lugar.”

Depois, Barker revelou que não foi fácil realizar suas cirurgias, muito por conta das drogas que costumava usar.

“Em umas 11 cirurgias no centro de queimaduras, eu acordava me debatendo nos médicos. Eles me abriam e eu ficava louco. Tentava sair da mesa (de cirurgia), não sabia o que estava acontecendo, mas eles não me deram medicação suficiente para me fazer adormecer porque já me automedicava e abusava dos remédios por um longo tempo. Eu simplesmente acordava no meio da anestesia.”

Pensamentos suicidas e fobia de aviões

Além das sérias lesões físicas, Travis Barker também ficou com sua saúde mental abalada por um bom tempo graças ao acidente.

Em 2015, o músico revelou que, durante uma época, precisou ficar longe do telefone. O motivo? Passou a ligar para amigos perguntando se não poderiam o auxiliar a tirar a própria vida, chegando ao ponto de oferecer para eles um incentivo financeiro.

“Tiveram de tirar o telefone do meu quarto porque fazia essas ligações. Ligava para amigos meus e dizia: ‘sabe, vou depositar um milhão de dólares na conta de qualquer um… chega, já era pra mim’.”

O baterista do Blink-182 ainda revelou que após o acidente, passou a ter fobia de aviões e ficou muito tempo sem pisar em um. Em 2021, comentou que sempre era tomado por pensamentos ruins quando via ou se aproximava de uma aeronave.

“Se eu visse um avião (no céu), já imaginava que ele ia cair e que não queria ver aquilo. Conforme me aproximava de um, sentia que estava mais próximo de coisas ruins do que de coisas boas. Me sentia próximo da experiência de ter de escapar, estar no meio de um acidente e me queimar, tentando salvar meus amigos de um avião em chamas.”

Essa fobia de aviões acabou se tornando uma pedra no sapato na carreira de Barker — afinal, passar muito tempo viajando era algo comum em sua rotina. Após o Blink-182 retomar as atividades, em 2009, o baterista optava por viajar de ônibus em shows realizados nos Estados Unidos e Canadá e de barco quando as apresentações aconteciam em outros continentes, como a Europa. No entanto, como a logística era complicada, o grupo evitava sair da América do Norte.

Barker ainda precisou lidar com a morte de DJ AM, que ocorreu 11 meses após o acidente. O amigo, que também desenvolveu fobia de aviões, passou a exagerar no consumo de drogas — incluindo algumas mais pesadas que havia parado de utilizar — e morreu por conta de uma overdose.

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O acidente afetou igualmente a família de Travis Barker. Seus filhos também desenvolveram fobia de aviões por conta de todo o trauma gerado pelo acidente.

O baterista, inclusive, fez uma revelação assustadora em seu livro: afirmou que dias antes do acidente, sua filha, Alabama, implorou para que ele não viajasse após sentir que algo ruim estava prestes a acontecer. A menina disse o seguinte, ao prantos, para Barker:

“O teto (do avião) vai cair papai, o teto vai cair.”

Cura com a esposa

Apenas em 2021, 13 anos após o acidente, que Travis Barker conseguiu superar sua fobia de aviões: embarcou para uma viagem em família no México com sua nova esposa, Kourtney Kardashian.

O casal Travis Barker e Kourtney Kardashian
Foto: reprodução / Instagram

Barker revelou como a companheira o ajudou no processo:

“Fiz um acordo com ela no qual ela me disse: ‘eu amaria viajar bastante com você. Quero ir pra Itália com você, quero ir pra Cabo (San Lucas) com você, quero ir pra Paris com você, quero ir pra Bora Bora com você’. Aí, eu disse: ‘bem, o dia que você me disser que quer voar, digo que vou com você. Faria qualquer coisa contigo. Só me avise 24 horas antes’. E foi o que ela fez. Ainda é algo muito novo para mim, mas ter algo que me dá força e esperança para superar coisas que foram tão traumáticas em minha vida significa muito pra mim. Ela é definitivamente isso pra mim. Estou invencível ao lado dela. É como seu nunca tivesse sonhado, nunca tinha considerado voar de avião de novo.”

Seguindo o desejo da mulher, Travis Barker se casou com Kourtney Kardashian justamente na Itália. Além disso, seus filhos também conseguiram superar a fobia que tinham de aviões.

No entanto, por mais que tenha superado o medo, o baterista admitiu, em 2023, que ainda odeia voar, mas que não deixará mais esse trauma o impedir de tocar sua vida e carreira.

“Eu ainda odeio voar. Adoro fazer turnês e tocar música, mas infelizmente associo viajar e voar à morte. Eu sou forte e nada pode me impedir de viver a vida.”

Os fãs do Blink-182 quase ficaram órfãos de seu baterista. Sorte de todos que a vida deu uma segunda chance a Travis Barker.

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** No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.

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Augusto Ikeda
Augusto Ikedahttp://www.igormiranda.com.br
Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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