Por que não faz mais sentido compor músicas políticas, segundo Thom Yorke

Para líder do Radiohead, a arte enfrenta uma crise de insignificância causada por um contexto sem alma

Em meio à escala do Britpop ao mainstream no meio da década de 1990, o Radiohead subverteu as tendências ao se posicionar no mercado com músicas politicamente carregadas. Perante o alinhamento do movimento cultural com os ideais do New Labour — abordagem política da administração do então primeiro-ministro, Tony Blair —, a banda liderada por Thom Yorke fez críticas à alienação, manipulação midiática e desigualdade social em álbuns como “The Bends” (1995).

Anos depois, em entrevista ao The New York Times, Yorke refletiu sobre a relevância das músicas políticas no cenário atual. Para o vocalista e guitarrista, simplesmente perdeu o propósito falar sobre o tema hoje em dia.

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Ele disse:

“Dez, quinze, vinte anos atrás, havia um sentimento de que expressar ideias políticas em letras ou falar sobre isso em revistas tinha alguma importância. Agora, se você se desvia para o político, se perde em um fluxo rápido — e se fica dentro do âmbito pessoal, você se sente insignificante.” 

O músico então expressou o sentimento de que a arte parece insignificante diante do desalmado contexto político. Yorke afirmou:

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“A capacidade da arte de se envolver de forma significativa mudou. Há uma sensação de paralisia ao assistir a esse teatro do absurdo acontecendo, politicamente falando. Não parece que dá para colocar sua alma nesse teatro, porque esse teatro não tem alma. A subversão da verdade e da realidade que estamos testemunhando no momento significa que seria perigoso para a arte se envolver nelas. É uma m#rda.”

Thom Yorke e a crise de relevância da arte

Mesmo perante um cenário pessimista, Thom Yorke apontou a solução para a crise de relevância enfrentada pela arte. Para o músico, está na união da empatia e de outras manifestações artísticas como forma de resistência. 

“[…] O reparo precisa ser sobre empatia em vez de ser colocado uns contra os outros de uma maneira falsa, e a música pode fazer isso. Ela dá às pessoas a chance de se unirem por uma razão que não é faccional. Boa música sempre foi uma forma de rebelião, seja com os Beatles ou o Public Enemy. Todos os bons artistas têm esse elemento. Para mudar as coisas, ou para formar qualquer resistência, as pessoas precisam de uma linguagem por meio da qual expressá-la. Pode ser a música, a arte, a literatura, o jornalismo.”

Britpop e New Labour

O New Labour marcou um período de mudanças políticas no Reino Unido por meio de abordagens menos conservadoras, encabeçadas por Tony Blair. Durante a era do Britpop, o líder do movimento político estreitou laços com integrantes de bandas como Oasis e Blur, firmando uma conexão entre a cultura pop e a política britânica. 

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Contrários à associação, os membros do Radiohead mantiveram uma postura crítica e distante que, em 2003, evitou que o grupo fosse relacionado ao polêmico envolvimento de Blair com a Guerra do Iraque.

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Tairine Martins
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Tairine Martins é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Administra o canal do YouTube Rock N' Roll TV desde abril de 2021. Instagram: @tairine.m

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