Como vídeo da Playboy fez Eric Singer parar no Black Sabbath

Baterista passou rapidamente por algumas grandes bandas antes de se firmar no Kiss, mas tudo começou com a famosa revista

Antes de ganhar fama substituindo Eric Carr no Kiss e permanecendo na última formação da banda, já de volta com as maquiagens, o baterista Eric Singer tocou com outros grandes nomes. Ele foi um dos músicos que passaram pelo Black Sabbath em sua época mais volátil em termos de lineup, na segunda metade da década de 1980. A história de como ele chegou lá começa de forma inusitada, envolvendo a revista Playboy.

A trajetória dos primeiros anos de carreira foi contada pelo próprio Singer em entrevista à edição de fevereiro de 2024 da revista Modern Drummer. O músico se recordou do período em que, até então, havia tocado apenas com uma banda local de Cleveland, chamada Beau Coup.

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Tudo muduo quando surgiu um concurso promovido pelo veterano baterista Carmine Appice, notório pelos trabalhos com Vanilla Fudge, Ozzy Osbourne, King Kobra, Rod Stewart, entre outros.

“Minha primeira audição veio porque alguém me viu em um concurso Drum Off de Carmine Appice, eu preciso dar crédito a Carmine. Eu não ganhei, fiquei em terceiro lugar, mas Brenda Lee Holiday ligou para Carmine e pegou meu número e me chamou para estar em um vídeo da Playboy chamado ‘Women in Rock’ (nota da edição: na verdade, chama-se ‘Girls of Rock & Roll’, foi lançado em 1985 e traz uma performance de Brenda Lee Holiday para a música ‘I’m the Other Woman’). O cara que tocou baixo no vídeo tinha um estúdio de ensaios onde Lita Ford e o Black Sabbath ensaiavam.”

Primeiro, Lita Ford

Antes de chegar ao Black Sabbath, Eric Singer foi indicado primeiro para a banda de Lita Ford, que estava perdendo seu baterista, Randy Castillo, para Ozzy Osbourne. Depois de muita dedicação, Singer teve uma audição brilhante com Lita, conforme ele próprio conta.

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“Randy Castillo era o baterista de Lita, mas ele ia sair, e aquele baixista me disse que eu seria bom para a banda de Lita. Ele falou para ela sobre mim e me deixou levar meu kit para uma de suas salas de ensaio por duas semanas, para praticar e aprender o álbum ‘Dancing on the Edge’ (1984). Eu aprendi aquele disco inteiro. Randy Castillo era o baterista nele e tinha várias boas partes de bateria. Ela fez uma audição com cerca de 10 bateristas. Quando eu toquei, a primeira coisa que ela disse foi: ‘quando eu fecho os olhos é como se Randy não tivesse saído’. Nunca vou me esquecer disso. Eu aprendi aquele disco nota por nota, então quando tocamos, era exatamente como no disco. Quis ter certeza de que faria uma boa tentativa e deu certo. Foi isso que me fez começar minha jornada. Tenho sempre que dar créditos a Lita Ford, ela deu minha primeira oportunidade.”

Para o Black Sabbath e além

Naquela época, Lita Ford e o Black Sabbath tinham mais em comum do que o estúdio onde ensaiavam. A ex-integrante das Runaways teve um relacionamento com o guitarrista Tony Iommi, que se interessou pelos trabalhos de seu novo baterista.

A partir daí, as coisas começaram a acelerar para Eric Singer.

“Lita estava saindo com Tony Iommi na época e ele estava produzindo algumas demos de Lita e estava trabalhando em material novo para um álbum. Ela me disse que Tony queria que eu tocasse bateria em algumas de suas demos. Foi meio surreal, a próxima coisa que você sabe é que eu estou no estúdio tocando no álbum ‘Seventh Star’ (1986) do Black Sabbath. Foi a primeira vez que eu toquei em um disco e tenho que admitir que não tinha tanta experiência. Mas por eu ter colocado tanto trabalho e estar tão focado, isso ajudou a lançar minha carreira.”

Apesar de não parecer pelas palavras de Singer, Lita Ford não ficou nada feliz em perder seu baterista para o Black Sabbath. A mudança acabou sendo o estopim para a separação do casal.

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Sequência de Eric Singer

Ironicamente, a estadia de Eric Singer no Sabbath também não foi longa. Ele gravou “Seventh Star” e saiu durante a produção de “Eternal Idol” (1987), junto do baixista Bob Daisley, embora seus registros tenham sido mantidos.

A dupla foi parar na banda solo de Gary Moore, mas não gravaram nada em estúdio. Em 1989, o baterista seguiu o Badlands e para o grupo de Alice Cooper, com quem gravou e excursionou mais de uma vez. No mesmo ano, ele realizou uma turnê com Paul Stanley como artista solo.

Dali, a ligação com o Kiss já estava estabelecida e ele foi efetivado em 1991, quando Eric Carr faleceu. A história a partir daí é mais bem documentada, com Singer se dividindo basicamente entre o Kiss e Alice Cooper — e seu projeto solo, ESP, existindo sempre que era possível. E nada disso teria acontecido sem aquele vídeo para a Playboy.

Foto: Gustavo Diakov

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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