Os 11 melhores bateristas na opinião de Mike Portnoy

O homem das mil bandas estabeleceu ordem cronológica em vídeo gravado para o canal da revista Revolver

Além de ter tocado em um número de bandas que nem o próprio deve ser capaz de citar sem precisar de uma consulta aos arquivos, Mike Portnoy aprendeu a absorver as mais diversas influências. Porém, como todo mundo, ele possui aquelas referências que sempre serão as favoritas.

A revista Revolver quis saber o seu 11 ideal, como se fosse um time de futebol. As escolhas recaíram sobre – em ordem cronológica, como ele mesmo fez questão de deixar claro:

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  • Ringo Starr (Beatles)
  • Keith Moon (The Who)
  • John Bonham (Led Zeppelin)
  • Neil Peart (Rush)
  • Bill Bruford (Yes, King Crimson, Roy Harper, UK)
  • Terry Bozzio (Missing Persons, Frank Zappa)
  • Stewart Copeland (The Police)
  • Alex Van Halen (Van Halen)
  • Lars Ulrich (Metallica)
  • Charlie Benante (Anthrax, Stormtroopers of Death, tributo ao Pantera)
  • Dave Lombardo (Slayer, Fantômas, Dead Cross, Mr. Bungle, Empire State Bastard, Misfits)

Veja comentários de Portnoy sobre cada um deles:

Ringo Starr (Beatles): “A lista está em ordem cronológica de quando eles apareceram na minha vida e nos meus ouvidos e quando me influenciaram. Mas mesmo que isso seja cronológico, este primeiro realmente é o número um na minha lista porque os Beatles são minha banda favorita de todos os tempos e Ringo Starr obviamente foi um baterista muito, muito importante na minha vida. No dia em que nasci… nasci cerca de seis semanas antes do ‘Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ ter sido lançado. Na verdade, os Beatles terminaram sua última sessão para o ‘Sgt. Pepper’s’ no dia em que nasci. Então, sim, literalmente desde o primeiro dia da minha vida, os Beatles estavam lá e Ringo era muito importante para eles. Ele é tão subestimado. As pessoas não percebem que os Beatles não teriam feito a música que fizeram sem ele. Ele foi muito importante para o processo de gravação e tudo o que os Beatles fizeram. Tudo o que Ringo fez foi o primeiro a ser feito e só por isso ele tem que ser o primeiro desta lista.”

Keith Moon (The Who): “O número dois, cronologicamente para mim… começou com os Beatles, mas logo depois que fui apresentado ao The Who e Keith Moon, eles tiveram um impacto enorme em mim. Ele tocava bateria como um instrumento principal. Foi o primeiro baterista que ouvi que tocava bateria dessa maneira, como um instrumento principal. Então, durante toda a minha infância, só conseguia ouvir esses discos. Não tínhamos Blu-rays, DVDs e streaming de internet como temos hoje em dia. Então, só dava para ouvir esses bateristas e imaginar como eles eram. Mas em 1979, o filme ‘The Kids Are Alright’ foi lançado. E para mim, ver Keith na tela grande foi como meu momento ‘Beatles no Ed Sullivan Show’. Todo mundo fala sobre os Beatles em ‘Ed Sullivan Show’. Bem, eu ver Keith Moon na tela grande em ‘The Kids Are Alright’ foi como se eu não conseguisse tirar os olhos dele. Fiquei hipnotizado e percebi naquele momento que aquele era o tipo de baterista que queria ser. Ele estava muito animado. Não conseguia tirar os olhos dele. Ele se tornou um dos meus maiores heróis de todos os tempos.”

John Bonham (Led Zeppelin): “Número três, e não posso subestimar o quão importante esse cara é, não só para mim, mas para tantos bateristas ao redor do mundo… John Bonham. Ele representou uma virada de jogo. Foi, e ainda é até hoje, considerado um dos maiores de todos os tempos. A carreira dele foi tão curta, sabe, só o tivemos do ano 1968 até 1980. Só tivemos 12 anos com ele para pensar no que poderia ter acontecido todos esses anos depois. Infelizmente, nós o perdemos tão jovem. Então a discografia dele é muito limitada, mas é muito impactante. Desde o início de ‘Good Times, Bad Times’ no primeiro álbum até o final, ‘In Through the Out Door’, tudo o que ele fez tinha muito bom gosto, poder e sutileza. Ele tocava bateria como um lenhador, com tanto poder. Mas, ao mesmo tempo, ele tinha muita delicadeza. Ele conseguia tocar coisas como aquela parte shuffle de ‘Fool in the Rain’. Seu senso de musicalidade… ele tocava bateria tão musicalmente. Todas aquelas ótimas introduções de bateria, ‘When the Levee Breaks’, ‘Rock and Roll,’ ‘The Rover’, ‘The Crunch’, ele tinha tantas partes de bateria completamente identificáveis. E até hoje ele ainda é um dos maiores de todos os tempos.”

Neil Peart (Rush): “Provavelmente a pessoa desta lista que teve o maior impacto em mim. Quer dizer, todos esses caras tiveram, mas esse próximo provavelmente foi o baterista mais importante da minha carreira, do meu desenvolvimento como baterista. Claro, é Neil Peart. Quando eu era adolescente, por volta dos 13 ou 14 anos, queria ter o maior kit de bateria. Eu queria tocar músicas mais desafiadoras. E foi aí que descobri a música de Neil Peart e Rush. Isso virou meu mundo de cabeça para baixo. Ele foi minha introdução às construções de tempo mais estranhas e à bateria musical de forma muito legal e criativa. Eu costumava ver a revista Modern Drummer. Os outros garotos estavam olhando as revistas ‘Playboy’ e eu olhava as páginas centrais da ‘Modern Drummer’, estudando os kits de bateria e coisas assim. E Neil teve um impacto tremendo em mim naquele momento da minha vida. Fiquei obcecado, literalmente aprendi todas as partes da bateria dele, todos os álbuns do Rush por dentro e por fora. Aprendi como começar a ler transcrições de bateria lendo todas as coisas de Neil, os livros de transcrição de Neil Peart. Um dos maiores de todos os tempos, influenciou milhões e milhões de bateristas em todo o mundo. Eu definitivamente fui um deles. E mais tarde, nos tornamos amigos, o que foi uma das maiores honras da minha vida.”

Bill Bruford (Yes, King Crimson, Roy Harper, UK): “Acabei de mencionar Neil Peart e minha introdução à música progressiva. Assim que comecei a entrar naquela toca do coelho, o próximo baterista teve um impacto enorme, enorme em mim: Bill Bruford. Eu descobri Bill Bruford com Yes, os álbuns ‘Fragile’ e ‘Close to the Edge’. Mas então, assim que comecei a saber mais sobre Bill, me aprofundei em sua discografia. Se há algum cara na música progressiva que é como o pai do prog, é ele. Porque ele também se juntou ao King Crimson e ele tem uma discografia incrível com eles, Depois também fez parte da banda nos anos 1980. Ele até ficou com o King Crimson nos anos 90, nos anos 2000, com bateria dupla e outras coisas. Então, sim, há o trabalho dele com o Yes e o trabalho dele com o King Crimson. Ele ainda fez uma turnê com o Genesis na primeira tour deles com Phil Collins cuidando do microfone. As coisas com o UK e depois também seu material solo. Ele tinha uma banda incrível com Alan Holdsworth e Jeff Berlin fazendo coisas mais parecidas com jazz fusion. O impacto de Bill Bruford sobre mim ao entrar na toca do coelho progressivo foi enorme.”

Terry Bozzio (Missing Persons, Frank Zappa): “O número seis é outro baterista progressivo. Quando eu era adolescente e entrei nessa toca do coelho progressivo, havia Neil Peart e Bill Bruford. Mas também havia o próximo cara, Terry Bozzio. Após o primeiro álbum no UK, Bill Bruford e Allan Holdsworth deixaram a banda e Terry Bozzio entrou, para o álbum ‘Danger Money’. Esse álbum teve um impacto enorme em mim, uma bateria realmente progressiva. E obviamente, as coisas que Terry fez com Frank Zappa tiveram um impacto enorme em mim. Zappa é um dos meus maiores heróis musicais e adoro tudo o que ele fez ao longo de sua carreira. Mas o período dele com Terry foram provavelmente alguns dos meus álbuns favoritos. Simplesmente alucinante. E mesmo que Neil Peart e Bill Bruford tenham me apresentado aos ritmos diferentes, foi a música de Terry Bozzio e Frank Zappa que me apresentou a polirritmos malucos. Tudo o que Terry fez ao longo dos anos na comunidade da bateria em termos de clínicas e vídeos de bateria e outras coisas… ele continuou a impulsionar o que a bateria pode ser e ainda faz até hoje.”

Stewart Copeland (The Police): “Afastando-me das coisas mais progressivas, esse cara era mais um baterista mainstream. Você ouvia a banda dele no rádio o tempo todo nos anos 80. Ele elevou a música deles a outro nível em termos de bateria. Estou falando de Stewart Copeland e da música que ele fez com o The Police. De todos os caras que estão na minha lista, a maioria das pessoas na minha lista tem essa discografia incrível de dezenas de discos, enquanto Stewart Copeland e The Police só fizeram cinco álbuns. Nesses cinco álbuns, a bateria em todos eles é absolutamente excelente. Stewart tocou com tanta delicadeza, seu trabalho de chimbal, seu trabalho com o splash. Não importava se era uma simples música de rádio, sabe, ‘Every Breath You Take’ ou algo assim: em qualquer uma daquelas músicas de qualquer um daqueles álbuns que foram grandes sucessos de rádio, a bateria tem muita personalidade. Não poderia ser qualquer outro baterista tocando aquelas partes de bateria. Stewart tinha estilo e som característicos e adicionou muita musicalidade à bateria de todas aquelas músicas, e ainda hoje, eu poderia ouvir qualquer um desses álbuns e simplesmente ficar maravilhado.”

Alex Van Halen (Van Halen): “Houve muitos bateristas no final dos anos 70 que surgiram antes que o metal se tornasse muito rápido e thrash. Você tinha caras como Cozy Powell, Simon Phillips tocando nos álbuns do Judas Priest e Michael Schenker. Esses grandes bateristas de hard rock, há tantos que eu poderia listar: Clive Burr, Ian Paice, Bill Ward. Mas o cara que tenho que colocar nessa lista como tendo a maior influência sobre mim, desse grupo de caras, seria Alex Van Halen. Ele tocava em um um kit grande e enorme. Seu bumbo udplo era incrível. A bateria nos primeiros quatro ou cinco, até seis álbuns do Van Halen, todos os primeiros álbuns de David Lee Roth… a bateria em cada um desses álbuns é incrível e teve uma enorme influência em mim. E na minha primeira banda com a qual tocava na adolescência… gostávamos de tocar tudo do Van Halen. Lembro-me de quando a MTV começou a ter aqueles vídeos do Van Halen, acho que eles lançaram vários vídeos ao vivo da ‘Fair Warning Tour’. A MTV tocava isso o tempo todo e eu ficava impressionado ao ver Alex tocando. E acho que outra coisa importante sobre Alex Van Halen é a relação baterista-guitarrista. Você sabe, o relacionamento que Eddie e Alex tiveram é algo com o qual eu poderia me identificar. Em todos os anos no Dream Theater, meu relacionamento com John Petrucci foi muito parecido. E muitas das minhas seções rítmicas favoritas em bandas eram seções rítmicas de guitarra e bateria. Alex e Eddie Van Halen, James Hetfield e Lars Ulrich, Vinnie Paul e Dimebag. Eu tive isso no Dream Theater com John Petrucci.”

Lars Ulrich (Metallica): “Falando da relação guitarrista-baterista, como acabei de mencionar com Alex Van Halen e Eddie Van Halen… bem, por volta de 1983, ouvi ‘Kill ‘Em All’ do Metallica e Lars Ulrich virou meu mundo de cabeça para baixo. Não posso precisar o tamanho do impacto que ele teve sobre mim. E ele é detonado no mundo da bateria. Muitos bateristas gostam de falar mal dele, mas eu discordo. Acho que Lars é tremendamente importante para o mundo da bateria. Ele era o tipo de baterista que eu admirava e que era como o líder de sua banda. Ele era o porta-voz. Dava para ver que ele estava por trás das composições, da produção, do merchandising e de todas essas coisas. A maneira como ele liderou e ainda lidera o Metallica foi algo que teve um impacto enorme em mim. Quando eu estava criando o Dream Theater, eu meio que queria ser aquele tipo de baterista que tinha controle sobre tudo o que estava se fazendo. Sua bateria foi inovadora. A bateria em ‘Kill ‘Em All’, ‘Ride the Lightning’, ‘Master of Puppets’ e ‘…And Justice for All’, os quatro primeiros, teve um impacto enorme, enorme em mim e ainda tem até hoje. E não posso precisar o quão importante ele é para a bateria e para o mundo do metal em geral.”

Charlie Benante (Anthrax, Stormtroopers of Death, tributo ao Pantera): “Antes de fazer esta entrevista, assisti às escolhas do ‘Top 11’ de Charlie Benante e é incrível como nossas listas são parecidas. Mas um baterista que não estava na lista de Charlie era Charlie Benante. E ele está na minha lista! Metallica, Anthrax, Slayer, Megadeth, Flotsam and Jetsam, Overkill, Nuclear Assault… eu ouvia tudo isso e realmente teve um impacto enorme em mim. Charlie era um dos meus bateristas favoritos entre todos esses caras. Talvez porque eu era nova-iorquino e realmente me identificava com o Anthrax. Eles tocavam L’Amour o tempo todo, eu os vi nos primórdios. Eu poderia dizer que ele teve influências semelhantes às minhas. Ele tinha interesses semelhantes aos meus. Os programas de TV sobre os quais ele falava, os filmes ou coisas assim. Senti uma afinidade muito especial com sua formação e seu estilo. E talvez seja por isso que ele e eu nos tornamos bons amigos ao longo dos anos. Ele é um dos meus melhores amigos e é alguém para quem eu poderia literalmente enviar mensagens de texto todos os dias para falar sobre os Beatles, Iron Maiden ou algo assim. Mas sobre a bateria, ele pegou aquela coisa do speed metal e passou a tocar com muita precisão. E a bateria, especialmente em ‘Among the Living’, naquele álbum, foi simplesmente tremenda. E também devo mencionar sua bateria com o S.O.D., o álbum ‘Speak English or Die’ teve um enorme impacto em mim. Adorava aquele álbum porque era um cruzamento de todas as coisas que eu estava ouvindo. Eu ouvia todo tipo de thrash metal, mas também ouvia a cena hardcore de Nova York naquela época. Então, o S.O.D. meio que pegou o material de thrash metal e o hardcore de Nova York que eu estava ouvindo e juntou tudo.”

Dave Lombardo (Slayer, Fantômas, Dead Cross, Mr. Bungle, Empire State Bastard, Misfits): “Não posso falar de Lars e Charlie sem falar de Dave Lombardo. Eu ouvia o Slayer desde o começo, quando eles surgiram. Adorei ‘Show No Mercy’ e ‘Hell Awaits’. Mas foi só em ‘Reign in Blood’ que o som e a produção passaram para o próximo nível. Com a produção de Rick Rubin, foi a primeira vez que Dave soou tão limpo, preciso, nítido e puro. A trindade sagrada – ou profana – dos álbuns ‘Reign in Blood’, ‘South of Heaven’ e ‘Seasons in the Abyss’ teve um impacto enorme na minha bateria naquela época, em meadosdos anos 80. Dave foi brilhante especialmente nesses álbuns, mas ao longo dos anos, ele se tornou alguém que tocou com tantas bandas diferentes. Eu me identifico com isso. A versatilidade de Dave, como ele conseguia fazer coisas realmente experimentais, além do thrash que ele faz. Eu tenho muito respeito por ele ser capaz de fazer isso, é um baterista muito versátil. Não é apenas thrash metal. Ele faz todas essas coisas diferentes, e eu admiro totalmente isso nele.”

Sobre Mike Portnoy

Nascido em Long Beach, Nova York, Michael Stephen Portnoy começou a se interessar por música por influência do pai, DJ de uma rádio local e com uma vasta coleção de discos.

Após ter tocado nas bandas Rising Power e Inner Sanctum – que lançaram discos independentes – ganhou uma bolsa de estudos no Berkelee College Of Music, em Boston. Lá conheceu o guitarrista John Petrucci e o baixista John Myung. Os três deram início ao Majesty, que evoluiu para o Dream Theater. A banda se tornou a mais popular do mundo no segmento conhecido como prog metal. Permaneceu até 2010.

Em toda a carreira, participou de inúmeros grupos e projetos. Possui uma parceria constante com o músico Neal Morse, a quem acompanha em várias empreitadas. Atualmente, seus principais trabalhos são o The Winery Dogs e o Sons of Apollo.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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