O curto período em que Mike DiMeo cantou para o Deep Purple

Vocalista americano participou do processo de criação do álbum “The Battle Rages On...”, mas Ian Gillan acabou reassumindo o posto para as gravações

Apesar de contar com a admiração de parte dos fãs, o álbum “Slaves and Masters” (1990) confundiu o público do Deep Purple. A entrada de Joe Lynn Turner no lugar de Ian Gillan foi bancada pelo guitarrista Ritchie Blackmore, que já havia trabalhado com o vocalista na fase mais bem-sucedida comercialmente do Rainbow. Os elementos mais próximos do AOR não casaram bem com o hard rock tradicional do grupo.

Após a turnê de divulgação – que incluiu a primeira passagem da banda pelo Brasil –, o cantor foi convidado a se retirar. Na verdade, tirando Blackmore, ninguém na banda gostou da tentativa. Chegou ao ponto de os outros instrumentistas retirarem os vocais de Turner dos seus monitores durante os shows.

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A busca por um novo titular para o microfone parecia óbvia. Era claro que Jon Lord, Roger Glover e Ian Paice queriam a volta de Gillan. Mesmo assim, Ritchie não estava disposto a dar o braço a torcer. Sendo assim, foi atrás de um novato americano chamado Mike DiMeo. Totalmente desconhecido, o artista se apresentava na área de Nova York.

Em entrevista de 2005 ao Nightwatcher, o vocalista falou sobre o que fez com a banda no período.

“Trabalhei em três músicas com eles. Ritchie me ligou e, dois dias depois, eu estava no estúdio em Connecticut. Roger Glover e eu nos sentamos, trocamos algumas palavras e cantei sobre as faixas. Mas a gravadora BMG praticamente estragou tudo. Disseram que era o 25º aniversário, queriam a banda clássica de volta para lançar o disco. Ritchie estava aguentando o máximo que podia, mas eventualmente a banda disse: ‘olha, queremos ir em frente com isso’. Essas três músicas saíram com Ian cantando vocais e melodias, letras, então foi isso.”

Mike não revelou quais seriam as faixas que foram aproveitadas no controverso álbum “The Battle Rages On…” (1993). O que ele não fez questão de esconder foi a decepção em como as coisas aconteceram.

“Para ser completamente honesto, fiquei desapontado. Quando penso nisso agora, digo a mim mesmo: ‘uau, teria sido ótimo’, mas não sou o tipo de pessoa que fica remoendo as coisas. Aconteceu e foi legal, pena que não deu certo. Há demos flutuando por aí, mas não eram produtos acabados. Isso foi algo em que Roger e eu trabalhamos no estúdio muito rápido. Na verdade, Bruce Payne ligou para mim, o empresário do Purple, e disse: ‘Ritchie quer você na banda’. Foi muito breve, não é algo que eu realmente goste de falar porque não aconteceu. Não vou sair por aí dizendo ‘sim, eu fui o cantor do Purple’, pois não fui.”

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O futuro para Deep Purple e Mike DiMeo

O retorno de Ian Gillan desagradou Ritchie Blackmore. O clima era tão ruim que uma agressão do guitarrista ao cantor em cima do palco chegou a ser registrada no home vídeo “Come Hell or High Water”.

A segunda metade da turnê de “The Battle Rages On…” foi feita com Joe Satriani assumindo a vaga. Posteriormente, Steve Morse entrou em definitivo e passou as décadas seguintes com a banda, saindo recentemente para a entrada de Simon McBride.

Em 1994, Mike DiMeo se tornou vocalista do Riot, onde permaneceu até 2006. No período, gravou 6 álbuns de estúdio, além de outro ao vivo. No ano seguinte, se juntou ao Masterplan, gravando o disco “MK III” (2007). Também integrou o The Lizards.

Mais tarde, se tornaria tecladista de Johnny Winter, registrando os trabalhos derradeiros da vida do guitarrista. Ocupou a mesma função na banda de Bonnie Tyler. Ainda possui créditos com artistas como Vinnie Moore, Phenomena, Midas Fate e Sebastien, entre outros.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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