O desastre real que inspirou “Três Dias que Mudaram Tudo”

Nova série da Netflix explora a catástrofe ocorrida na usina de Fukushima, no Japão, um dos acidente nucleares mais graves da história

Três Dias que Mudaram Tudo” se tornou o mais novo sucesso da Netflix. Os oito episódios do show produzido no Japão exploram um dos desastres mais marcantes da história recente humana: o acidente nuclear de Fukushima, que ocorreu no país em 2011.

O desastre, que recebeu a mesma classificação do acidente de Chernobyl, foi consequência do intenso terremoto que atingiu o país – principalmente sua costa leste. Uma série de acontecimentos resultaram no vazamento de material radioativo tanto no ar quanto no mar, que devem continuar afetando a vida de muitas pessoas nas próximas décadas.

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A seguir, vamos explicar como aconteceu o acidente que inspirou a criação de “Três Dias que Mudaram Tudo”.

Sobre a Central Nuclear de Fukushima

A Central Nuclear de Fukushima ocupa uma área de 3,5 km² nas cidades de Okuma e Futaba, localizadas na região de Tohoku, no nordeste do Japão. A construção começou em 1967 e as operações no local começaram em março de 1971.

A usina é composta por um total de seis reatores nucleares e estava entre as maiores do planeta, seja em tamanho e capacidade de geração de energia. A responsável pela construção e operação de Fukushima era a Tokyo Electric Power Company, mais conhecida pela sigla TEPCO.

Usina Nuclear de Fukushima Daiichi em 2013 (foto: National Land Image Information [Color Aerial Photographs], Ministry of Land, Infrastructure, Transport and Tourism)

Terremoto de Tohoku, a causa

Em 11 de março de 2011, às 14h46, o território japonês foi atingido por um terremoto de magnitude 9.1, um dos maiores que já atingiram a nação, que recebeu a alcunha de “Terremoto de Tohoku”. O sismo gerou um enorme tsunami que pegou de surpresa até mesmo um país que estava preparado para enfrentar este tipo de desastre natural.

As enormes ondas que atingiram o Japão acabaram com a infraestrutura de diversas cidades costeiras do país e aproximadamente 18 mil pessoas perderam a vida no desastre. Se não bastasse toda essa devastação, o pior ainda estava por vir por conta do que aconteceu na Central Nuclear de Fukushima. 

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A usina, que operava apenas três dos seis reatores disponíveis – os demais estavam em manutenção -, teve suas linhas de transmissão danificadas por conta do tremor. Desta forma, os funcionários precisaram acionar geradores a diesel para poder resfriar o reatores em operação.

O local também contava com um muro de 6 metros de altura para impedir um possível tsunami de invadir a usina, construída à beira do mar. No entanto, aproximadamente 50 minutos após o início do terremoto, Fukushima foi atingida por ondas de até 15 metros, que ultrapassaram o paredão com facilidade.

A água inundou o local em que ficavam os geradores, que pararam de funcionar. Assim, a central ficou sem energia para realizar o resfriamento dos reatores. Os funcionários tentaram, sem sucesso, evitar que o pior acontecesse.

Sem o resfriamento, três dos reatores superaqueceram e seus núcleos derreteram. Para piorar, uma série de explosões de hidrogênio ainda danificaram as unidades de contenção dos reatores 1, 3 e 4, o que liberou vapor radioativo na atmosfera e também causou o vazamento de água contaminada no Oceano Pacífico.

Cientes da gravidade da situação, as autoridades locais precisaram evacuar em torno de 160 mil pessoas que moravam em um raio de 20 km no entorno da central de Fukushima.

Para se ter uma ideia da gravidade do acidente, ele foi apenas o segundo na história a ser classificado como nível 7 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares, a maior de todas. O primeiro e único até então a receber essa classificação foi o famoso acidente nuclear da usina de Chernobyl, na Ucrânia, ocorrido em 1986. 

Três dos reatores da Fukushima Daiichi superaqueceram, causando colapsos que eventualmente levaram a explosões, que liberaram grandes quantidades de material radioativo no ar (foto: Digital Globe / CC BY-SA 3.0)

Consequências do desastre de Fukushima

Quem mais sofreu, claro, foram as pessoas que residiam nas proximidades da Central Nuclear de Fukushima. Apenas entre 2019 e 2020 que os moradores de Okuma e Futaba puderam retornar – e somente em áreas liberadas parcialmente. 

No entanto, muitas pessoas abandonaram de vez as duas cidades com medo da radiação e alguns locais ainda continuam interditados, o que criou cidades-fantasma na região. Além disso, algumas regiões ainda podem levar de 30 a 40 anos para serem descontaminadas por completo. 

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Esse é o mesmo período de tempo estimado para que a própria usina de Fukushima seja descomissionada por completo. O custo estimado do processo, mais a descontaminação do local e o pagamento de indenizações a vítimas é de US$ 195 bilhões – sendo que US$ 143 bilhões serão pagos apenas pelo TEPCO.

A investigação realizada pelo governo japonês concluiu que o desastre nuclear de Fukushima se tratou de erro humano e colocou toda a culpa na TEPCO por não ter seguido as recomendações de segurança para eventos desta natureza. Apesar disso, em 2019, três executivos da empresa foram absolvidos de negligência pela Justiça do Japão.

O próprio governo japonês, de certa forma, também assumiu a culpa. Em 2012, o então primeiro-ministro Yoshihiko Noda afirmou que “o Estado também compartilha a culpa pelo desastre”. Cinco anos depois, a Justiça japonesa afirma que o governo tinha “responsabilidade parcial” pelo desastre – tanto que ajudou a bancar a indenização de muitas vítimas. 

O acontecimento também despertou um sentimento contra a energia nuclear por todo o Japão. Muitos protestos foram registrados nos dias e meses seguintes ao desastre.

Até hoje, apenas uma morte foi diretamente atribuída ao desastre: a de um trabalhador da usina, que foi confirmada pelo governo japonês em 2018. No entanto, é importante ressaltar que muitas pessoas morreram durante a evacuação do local. 

Por fim, no aniversário de 10 anos do desastre, um relatório da ONU afirmou que não foram relatados “efeitos adversos de saúde” entre as pessoas que moravam no entorno da usina.

“Três Dias que Mudaram Tudo” está disponível na Netflix.

*As informações deste texto vieram dos sites Wikipédia, Veja, Esquire, Screen Rant e BBC.

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Augusto Ikeda
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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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