Por que o Talisman não fez o sucesso esperado, segundo Jeff Scott Soto

Vocalista ressaltou que projeto se tornou uma banda apenas a partir do seu segundo álbum, “Genesis”

Apesar de não ter feito o mesmo sucesso que alguns de seus pares, o Talisman conta com uma pequena, porém fiel base de fãs. A discografia do grupo capitaneado pelo vocalista Jeff Scott Soto e o baixista Marcel Jacob conta com ótimos momentos, que satisfazem os fãs de hard rock quando o estilo passava por um período de vacas magras.

Durante entrevista ao site IgorMiranda.com.br, também disponível em vídeo, o cantor relembrou o início dessa história, que sequer tinha um plano futuro definido à época em que tudo começou.

“O primeiro álbum, ‘Talisman’ (1990), foi meio que para cumprir um contrato solo assinado pelo Marcel com uma pequena gravadora sueca. A única razão pela qual o fizemos foi porque todas aquelas músicas haviam sido escritas para o segundo disco solo do John Norum [‘Face the Truth’ (1992)], com quem o Marcel tocava. Só que um dia os dois brigaram e ele deixou a banda, levando as músicas consigo. Originalmente, o vocalista seria o Göran Edman, mas ele decidiu ficar com John. Então, fui chamado para cantar. Ou seja, o Talisman nunca foi pensado como uma banda. O Marcel só tinha aquelas músicas, queria gravá-las e lançá-las.”

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Dois meses depois do lançamento do álbum, o telefone de Jeff toca. Era Marcel.

“Ele disse: ‘Temos um problema: nossa música está no Top 10. Não no Top 10 do hard ou do metal. Estamos no mesmo Top 10 que o Roxette, e os caras da gravadora querem que façamos uma turnê!’ Por essa ninguém esperava. Filmamos um clipe para ‘Just Between Us’, demos as caras num programa de TV e deslanchamos. Fizemos uma turnê. Um ano e meio depois, eu estava conversando com o Marcel, com quem não falava há um tempo. Falamos sobre a tal turnê e eu revelei que gostaria de fazer outra. ‘Sério?’, ‘Sério.’ ‘Achei que você não estava interessado.’ ‘Jura? Pois eu achei que você não estava interessado.’ No dia seguinte, ele me liga. Começamos a falar sobre gravar um segundo álbum. Foi quando decidimos que o Talisman seria uma banda de verdade.”

O passo seguinte foi estabilizar uma formação e partir em frente para uma carreira sólida. Os petardos “Genesis” (1993), as partes 1 e 2 de “Humanimal” (1994), “Life” (1995), “Truth” (1998), “Cats & Dogs” (2003) e “7” (2006) compunham uma discografia sempre regular no alto nível.

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Por que o sucesso não veio

É unânime entre os adeptos do hard rock mais melódico que o Talisman deveria ter sido muito maior do que foi. Em retrospecto, Soto avalia:

“Aqui nos Estados Unidos, temos uma expressão que diz ‘a day late, a dollar short’. Chegamos atrasados à festa. A indústria fonográfica e a música popular estavam mudando em 1990 e 1991. Como todo mundo sabe, a cena dos anos 1980 estava quase morrendo, o grunge estava assumindo o controle. Se tivéssemos lançado o primeiro álbum do Talisman cinco anos antes, provavelmente teria explodido, teríamos ficado muito maiores. Mas lançamos num momento em que o gênero estava morrendo lentamente. Tentamos levar para uma direção mais divertida e funkeada no ‘Genesis’, mas acabou soando datado. Então, estávamos meio que presos naquele limbo: por um lado, agradando os fãs que ainda estavam apegados a isso, mas por outro sendo incapazes de conquistar novos fãs porque todo mundo só queria saber de grunge e do Pearl Jam.”

O fim do Talisman

O Talisman se separou em 2007, quando Jeff Scott Soto assumiu os vocais do Journey – experiência que durou pouco tempo.

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Quando a banda estava preparando uma reunião, Marcel Jacob tirou a própria vida, aos 45 anos. Os músicos remanescentes chegaram a fazer alguns shows em sua homenagem, mas sem planos para retomar o grupo sem seu principal compositor.

Veja a entrevista completa:

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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