Assistimos a “Terrifier 2” e à toda a franquia que tem feito o público passar mal

Novo filme de terror de Damien Leone é realmente assustador, ainda que escorregue por querer ser grande; antecessor de 2016 é ainda melhor

Fazia tempo que eu realmente não sentia medo com um filme. Confesso que sentia até falta desse sentimento em minha rotina. Isso mudou desde que “Terrifier 2” surgiu ao mundo e ainda me levou a seus antecessores.

Com um terror gráfico para além do gore, um timing de suspense interessante e proposta inovadora – além, claro, do extraordinário maníaco criado –, o longa faz jus aos acontecimentos e realmente pode causar mal-estar aos desavisados. 

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Contudo, com maior investimento e ambição, o filme falha ao querer se tornar grande. Apesar de melhor trabalhado, perde seu charme de independente.

A parte boa é que despertou a curiosidade para que todas as obras da franquia fossem conferidas. Todas elas serão comentadas a seguir.

Um filme brutal

“Terrifier 2” atualmente está em cartaz nos Estados Unidos e não tem data para estrear no Brasil. Obviamente, de um jeito ou de outro, todos já conseguem assistir à obra.

A sinopse é a mais singela possível: em dia de Halloween, uma cidade com jovens está prestes a comemorar o momento. Eis que surge o palhaço Art – magnificamente interpretado por David Howard Thornton – que por onde passa, deixa um rastro de violência em patamares absurdos.

São mais de duas horas de violência pura e ininterrupta, além de níveis doentios de comportamento. O longa é visualmente forte e bem feito, com direito a efeitos práticos maravilhosos. Há carisma e criatividade ao mesclar, por vezes, o terror com a comédia.

Ainda assim, o grande acerto aqui e em toda a franquia é a manutenção do medo constante. Mesmo que nada esteja acontecendo – e, claro, sem o uso de nenhum artificio barato do gênero –, o sentimento se faz presente durante toda a experiência.

Por outro lado, esta sequência não é melhor que seu antecessor e se complica ao criar uma história de 148 minutos. É fora da realidade um filme de terror deste tamanho.

O diretor e roteirista Damien Leone acaba por criar tantas coisas interessantes que pareceu não sabe a hora de parar. Trouxe elementos dramáticos para um roteiro que não pedem nada além de violência. O palhaço Art não é um ser sobrenatural, mas tal questão é apresentada na trama junto de um drama familiar que não se conclui.

O início de uma franquia

O desenvolvimento do palhaço Art enquanto personagem de uma franquia ocorre há bastante tempo. Sua primeira aparição, ainda interpretado por Mike Giannelli, foi em um curta-metragem de 2008 chamado “The 9th Circle”.

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Cinco anos depois, Damien Leone lançou o filme independente “All Hallows’ Eve”. Em apenas 83 minutos, a obra retrata uma babá que, na noite de Halloween, cuida de duas crianças que são irmãs. Uma delas encontra uma velha fita VHS em seu saco de doces; elas então assistem ao material, composto de três curtas de terror que formam um longa. Em todas as histórias aparece o palhaço Art.

“All Hallows’ Eve” segue à risca os itens de um cinema independente: roteiro fraco, interpretações péssimas, efeitos práticos toscos, diálogos vergonhosos, qualidade de imagem amadora com excesso em luz e cores vivas, além, é claro, da reutilização de cenas repetidas. Ruim enquanto obra, mas tem dois acertos: o palhaço, original e perturbador, e o formato onde você fica com medo o tempo todo. Tudo isso sem jumpscare.

“Terrifier” e carreira solo

Em 2016, naturalmente, Art ganhou um filme solo: “Terrifier”, também dirigido por Damien Leone. Agora, o personagem seria interpretado por David Howard Thornton, mais competente que seu antecessor. A obra saiu no Brasil com o título “Aterrorizante”, mas o nome original é o que realmente se tornou popular por aqui.

Este longa é o mais simples em termos de roteiro. Novamente em uma noite de Halloween, há duas amigas voltando de uma festa. Elas esbarram com o macabro palhaço Art e logo são perseguidas pelo maníaco, que deixa um rastro de assassinatos sádicos pelo caminho.

Considero o primeiro “Terrifier” uma obra-prima do terror. Em apenas 86 minutos, temos o mesmo clima de suspense inovador que perdurou na obra anterior junto a um ritmo frenético que traz Art em cena o tempo todo. Acerta-se ainda na melhora da qualidade de imagem e amarração do roteiro. Funciona mesmo com os diálogos ainda horríveis e soluções infantis.

Outro ponto de destaque é a grafia gore espetacular. Aqui, sim, o palhaço Art pinta e borda na violência explícita e ainda entrega um final pra lá de satisfatório.

Todos valem muito a pena

Mesmo com problemas característicos de cinema independente, os três filmes citados são bastante recomendados – principalmente o primeiro “Terrifier”, de 2016. São assustadores e chocantes ao mesmo tempo em que preservam o carisma e desenvolvem um personagem que, dentro de alguns anos, estará ao lado de outros maníacos da história do terror.

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Raphael Christensen
Raphael Christensenhttp://www.igormiranda.com.br
Ator, Diretor, Editor e Roteirista Formado após passagem pelo Teatro Escola Macunaíma e Escola de Atores Wolf Maya em SP. Formado em especialização de Teatro Russo com foco no autor Anton Tchekhov pelo Núcleo Experimental em SP. Há 10 anos na profissão, principalmente no teatro e internet com projetos próprios.

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