Max Cavalera explica por que “Roots”, do Sepultura, não é nu metal

Ex-frontman considera o álbum primitivo demais para se encaixar no subgênero: “as afinações são graves, mas os riffs são muito simples”

O Sepultura é uma das maiores influências no surgimento do nu metal enquanto subgênero. O fato inconteste, no entanto, acabou fazendo com que fãs dos primórdios acusassem a banda brasileira de ter buscado de forma consciente se encaixar no movimento. Porém, nem todos pensam dessa forma, especialmente quem lá esteve.

Em entrevista ao canal chileno iRock (transcrita pelo Blabbermouth), o vocalista e guitarrista Max Cavalera deixou registrada sua opinião sobre o assunto. E contestou a ideia de que “Roots”, álbum que é o centro da polêmica, não seja suficientemente metálico.

“Acredito que as pessoas não deram uma chance real a ele. Para mim, é um disco muito pesado. Músicas como ‘Straighthate’, ‘Spit’, ‘Ambush’ e ‘Endangered Species’ são bem heavy, rápidas e brutais.

Por ter se tornado popular, acabou rotulado como algo da moda, o que o associou ao nu metal. Mas o vejo como justamente o oposto, é quase um álbum feito por homens das cavernas. Sim, as afinações são graves, mas os riffs são muito simples. É um trabalho bastante focado na percussão.”

Apesar da natureza polêmica da obra, Max não perde a chance de exaltar o resultado.

“Por si só, em sua essência, é um disco especial com certeza. Não vou dizer que é o meu favorito porque é como escolher o filho preferido, não dá certo. Não quero escolher entre discos do Sepultura. Eu gosto de tudo. Mas vejo ‘Roots’ como uma ideia. Nasceu na hora certa. Era apenas uma ideia maluca que eu tinha em mente, gravar com índios brasileiros e trazer isso para o metal. E eu acho que isso foi muito ambicioso e muito corajoso.

Poucas pessoas fazem isso com suas carreiras, apostando tudo em um disco com ideias malucas como essa. Porque muita coisa pode dar errado. Muitas bandas gostam de jogar na bola de segurança. Fazem o disco que os fãs esperam e tudo fica bem. Nós não éramos esse tipo de banda. Gostávamos de seguir em frente. Nunca tentamos fazer a mesma coisa. Para mim, este foi um álbum emocionante.”

Sepultura e “Roots”

Lançado em 20 de fevereiro de 1996, “Roots” foi o sexto disco de inéditas do Sepultura. Mostrou a banda intensificando suas influências experimentais, com direito a incursões na música percussiva brasileira, registros com uma tribo Xavante e as então novas vertentes do metal.

Foi o último trabalho de inéditas a contar com Max Cavalera, que sairia após a turnê devido a desentendimentos entre os músicos e sua esposa, a empresária Gloria Cavalera. Carlinhos Brown, Mike Patton (Faith No More), DJ Lethal (Limp Bizkit, House of Pain), Jonathan Davis e David Silveria (Korn) participaram das gravações.

“Ratamahatta” é a primeira música autoral da banda totalmente em português. “Ambush” é um tributo ao ativista ambiental Chico Mendes. “Dictatorshit” fala sobre o golpe militar de 1964. “Endangered Species” alerta para a destruição da natureza no Brasil.

“Roots” vendeu mais de 2 milhões de cópias em todo o mundo. Ganhou disco de ouro no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Holanda, Austrália, França e Áustria, além de prata na Inglaterra.

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1 comentário
  1. Se até o Andreas já disse que teve influência do New Metal!!!! Gostava do álbum em si…até entender o que era o Nu metal!!!! Conheço amigos que curtem muito o som das bandas Korn, Deftones e outras do estilo…cheguei a ouvir o disco Follow de Leader do Korn, lembro muito dos clipes que passava naquela época de Korn e Deftones…até o visual com aqueles tenis e moleton Adidas, calça camuflada os caras curtiam!!!! Nada contra o visual e a estilo dos caras, apenas fui entendendo o que era o Nu metal, com o tempo deixei de gostar do disco Roots e apenas curto algumas músicas!!!! Na minha opinião é o Nu Metal mesmo, já que o próprio max disse ter sido influenciado pelo Korn!!!! valeu!!!!

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