Foto: Kate Izor

Roger Waters reúne rockstars em apoio a artista presa na Turquia

Nûdem Durak está detida desde 2015 por acusação de ligações com o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), considerado organização terrorista por Turquia e Estados Unidos; Pete Townshend, Peter Gabriel, Robert Plant, Brian May e Nick Mason se uniram a Waters em defesa à cantora

Roger Waters reuniu vários grandes nomes do rock em defesa da cantora e compositora Nûdem Durak. Ela está presa desde 2015 por acusação de ligações com o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que a Turquia e os Estados Unidos consideram uma organização terrorista. A detenção aconteceu sem a possibilidade de a artista apresentar provas em sua defesa.

Quando se apresentou para cumprir a sentença de 19 anos, Durak teve permissão para levar um violão. Porém, o instrumento foi destruído durante uma verificação de rotina na cela, em 2017, quando agentes penitenciários o partiram ao meio.

Em entrevista à Al Jazeera antes de ir para a prisão, Durak falou sobre sua relação com o objeto que foi quebrado.

“Sempre sonhei em ter um violão, mas não tinha dinheiro para isso. Minha mãe me deu seu anel de casamento e disse: ‘Venda e compre um violão’. Significou o mundo para mim.”

Dessa forma, Waters decidiu enviar a Durak o violão Martin preto que usou na turnê “Us + Them” de 2017/18. Desde que o instrumento começou a viagem ano passado a partir de Long Island, Nova York, foram feitas várias paradas pela Europa. Pete Townshend, Peter Gabriel, Robert Plant, Brian May, Marianne Faithfull, Mark Knopfler, Noel Gallagher e Nick Mason estão entre os astros do rock que estão o endossando com palavras de apoio antes de seguir para Bayburt, na Turquia.

Roger Waters e Pete Townshend comentam o caso

À Rolling Stone, Roger Waters disse ter sentido raiva ao tomar conhecimento da história. Após uma extensa pesquisa sobre o caso, a mente por trás dos principais trabalhos do Pink Floyd vem chamando a atenção para a situação, recrutando astros para amplificar a mensagem e, posteriormente, conseguir um novo julgamento.

“Nûdem Durak é nossa irmã e temos a responsabilidade absoluta de apoiá-la e às centenas de milhares de outras pessoas que continuam sofrendo seu destino com cárcere privado e encarceramento em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos e Reino Unido.”

Guitarrista e idealizador do The Who, Pete Townshend também comentou a situação à Rolling Stone.

“A arte deve ser onde nosso coração criativo pode ser libertado, seja para a elevação do espírito humano ou para nossa necessidade de justiça. Nûdem é curda. Sua voz está conectada à sua alma e sua alma sempre cantará para sua família, seu povo e sua nação. Como músicos, não podemos parar. Nossa verdade é quem somos e quem nascemos para ser. A música dela é ótima. É tão triste que um país com o imenso legado artístico histórico da Turquia trate uma boa musicista da maneira que tratou Nûdem – sintam o que sintam sobre o desejo de reconhecimento dos curdos.”

Curdos na Turquia

De acordo com a BBC, em artigo de 2019:

“Os curdos formam uma população estimada entre 25 milhões e 35 milhões e habitam uma região montanhosa que se espalha pelos territórios de cinco países: Turquia, Iraque, Síria, Irã e Armênia. Eles compõem o quarto maior grupo étnico do Oriente Médio, mas nunca conseguiram um país próprio.

Por que a Turquia considera os curdos uma ameaça?

Há uma hostilidade enraizada entre o Estado turco e os curdos do país, que representam de 15% a 20% da população da Turquia, em torno de 80 milhões de habitantes.

Os curdos receberam tratamento duro nas mãos das autoridades turcas ao longo de diversas gerações. Em resposta aos levantes nas décadas de 1920 e 1930, muitos curdos foram reassentados, nomes e roupas foram proibidos, o uso da língua curda foi limitado e até a existência de uma identidade étnica curda foi negada, com pessoas designadas como ‘Turcos da Montanha’.

Em 1978, Abdullah Ocalan fundou o PKK, que defendia um Estado independente curdo na Turquia. Seis anos depois, o grupo iniciou uma luta armada. Desde então, mais de 40 mil pessoas foram mortas e centenas de milhares foram desalojadas.

Nos anos 1990, o PKK recuou em seu pleito por independência, pedindo maior autonomia cultural e política, mas continuou a lutar. Em 2013, um cessar-fogo foi acordado após a realização de conversas a portas fechadas.

O cessar-fogo entrou em colapso em julho de 2015, depois que um atentado suicida atribuído ao Estado Islâmico matou 33 jovens ativistas na cidade de Suruc, de maioria curda, perto da fronteira com a Síria. O PKK acusou as autoridades da Turquia de cumplicidade e atacou soldados e policiais turcos. Em seguida, o governo turco lançou o que chamou de ‘guerra sincronizada ao terror’ contra o PKK e o Estado Islâmico.

Desde então, milhares de pessoas, incluindo centenas de civis, foram mortas em confrontos no sudeste turco.”

Roger Waters e a política internacional

Roger não é um estranho na luta política internacional. O músico possui opiniões incisivas sobre a situação do Oriente Médio. Seu apoio à Palestina e ao movimento BDS na Cisjordânia, pedindo aos artistas que não se apresentem em Israel até que o país conceda direitos equitativos aos palestinos, levou a acusações de antissemitismo.

“Não sou antissemita ou contra o povo israelense. Sou um crítico das políticas do governo de Israel.”

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