Por que o supergrupo Blind Faith não deu certo, segundo Steve Winwood

Egos e pressão da indústria fizeram um dos projetos mais promissores do fim dos anos 1960 se desmanchar após um disco e uma curta turnê

No papel, o Blind Faith prometia. O supergrupo reuniu músicos do Cream, Traffic e Family que já eram consagrados à época: Steve Winwood no vocal e teclados, Eric Clapton na guitarra, Ginger Baker na bateria e Ric Grech no baixo.

Porém, na prática, o quarteto durou apenas um disco e uma turnê de três meses, com direito a apresentação de estreia diante de 100 mil pessoas no Hyde Park, em Londres, Inglaterra.

O que deu errado? Em 2010, Winwood trouxe algumas explicações ao conceder entrevista à Classic Rock.

“Tivemos problemas desde o primeiro dia, com egos, empresários e organização, o que é ainda pior quando se trata de um supergrupo. A própria indústria colocou muita expectativa. Ficaram empolgados e a pressão foi muito grande. Com isso, você acaba cometendo erros. E ainda eram três managers diferentes representando os músicos. Tudo se tornava contratual.”

Mesmo quando esse tipo de projeto dá certo, existe outro problema: o que fazer na sequência para seguir impressionando o público?

“Quando você começa com a ideia de uma nova banda, você tem toda a sua vida para descobrir o que vai fazer, como ajustar e como aprimorar. Se faz sucesso, o problema é: o que fazer a seguir? Você fica sem saber. Tudo é uma questão de tempo. Você precisa passar rapidamente para o próximo projeto e ter certeza de que não é um imitação pálida do disco de estreia.”

No fim das contas, o músico se conforma com o que aconteceu à banda.

“Talvez tenha sido melhor o Blind Faith ter durado tão pouco. O único álbum que fizemos é muito bom e supera o teste do tempo. Algumas músicas se tornaram clássicos, como ‘Presence Of The Lord’ e ‘Can’t Find My Way Home’.”

O álbum de estreia do Blind Faith

Lançado em 9 de agosto de 1969, o trabalho homônimo do Blind Faith chegou ao topo das paradas nos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá, vendendo mais de um milhão de cópias.

A capa causou polêmica, ao trazer uma menina de 11 anos nua segurando um avião de brinquedo de forma a dar um contexto fálico. Acabou censurada em vários países.

* Texto por João Renato Alves e Igor Miranda.

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