John Bonham copiou Carmine Appice? O que diz o baterista do Vanilla Fudge

Veterano diz que falecido integrante do Led Zeppelin inspirou-se até demais em sua forma de tocar o instrumento

Saudoso baterista do Led Zeppelin, John Bonham é um dos músicos mais influentes do mundo em seu instrumento. Mas até ele teve suas inspirações. Carmine Appice, músico que tocou com Vanilla Fudge, Cactus, Ted Nugent, Paul Stanley, Ozzy Osbourne, King Kobra e vários outros, diz ser uma das referências trazidas por Bonzo ainda antes da fama.

O Vanilla Fudge e o Led Zeppelin tinham várias coisas em comum no início da carreira. Ambas as bandas trabalhavam para a mesma gravadora e tinham a parte administrativa e burocrática gerenciada pelas mesmas pessoas. Inevitavelmente, os dois grupos logo fizeram uma turnê juntos.

Porém, a banda de Carmine Appice era mais velha e maior naquele momento. Dessa forma, o Zeppelin era a atração de abertura.

Em entrevistas, Appice conta que a geração de bateristas de heavy rock nasceu a partir de um problema de equipamentos: sequer existia sistema de PA naquela época. Durante recente bate-papo com uma rádio (via Ultimate Guitar), ele contou:

“Quando comecei em 1967, no Vanilla Fudge, nem existiam sistemas de PA, então, eu tinha que tocar mais forte para fazer a bateria ficar mais alta. Todos esses bateristas surgiram a partir disso. Dino Danelli, do The Rascals, veio um pouco antes, mas os bateristas dessa época eram Mitch Mitchell, Ginger Baker, Keith Moon… eles não tocavam tão pesado. Eu colocava toda a força do meu corpo para ser ouvido.”

As “superbaterias” e a turnê com o Led Zeppelin

Carmine Appice conta que passou a adotar baterias maiores, com mais peças, para abraçar de vez essa forma de tocar. A ideia acabou influenciando diversas gerações seguintes, de Max Weinberg (Bruce Springsteen & The E Street Band) a Tommy Lee (Mötley Crüe).

Um dos músicos impressionados naquela época foi o então jovem John Bonham, que também tinha um estilo mais pesado de se tocar.

O músico do Led Zeppelin teria pedido para que Appice o ajudasse a conseguir um contrato de patrocínio com a Ludwig, empresa fabricante de baterias. O objetivo era conseguir um kit tão grandioso – em tamanho e sonoridade – quanto o do colega do Vanilla Fudge, conforme o próprio contou em entrevista para o podcast Aftershocks (via Blabbermouth).

“Tenho uma foto da minha bateria e da bateria dele, e era o mesmo kit, que era grande, uma bateria enorme. Comecei isso com a Ludwig em 1968, e eles (Led Zeppelin) estiveram em turnê com a gente no fim de 1968. Ele tinha um pequeno bumbo de 22“ e eu tinha um de 26“. Eu tinha um grande tom no centro e grandes tons do lado, com uma caixa grande. Quando ele viu isso, ele disse: ‘cara, você pode me ajudar a conseguir um contrato com a Ludwig?’ Então eu liguei para a Ludwig e disse ‘ei, tem essa banda nova abrindo para nós, esse cara, John Bonham… acho que eles vão ser grandes.’”

Dito e feito: John Bonham conseguiu o contrato com a Ludwig e naquela turnê, as baterias dele e de Carmine Appice eram idênticas em configuração e até na cor. Posteriormente, o baterista do Led Zeppelin iria retirar um dos bumbos, ficando com uma configuração própria, mas de acordo com Appice, foi assim que nasceu a lendária bateria de Bonzo.

Quem copiou quem?

Não é apenas na montagem da bateria que os dois são frequentemente comparados. O estilo de tocar é realmente bem parecido – e isso fica evidente ao ouvir os primeiros álbuns do Vanilla Fudge.

Durante o podcast “Musicians On Couches Drinking Coffee” (via Blabbermouth), Appice relembrou uma conversa que teve com Bonham durante a turnê que as duas bandas fizeram juntas.

“Quando ouvi o disco e ouvi a tercina em ‘Good Times, Bad Times’, eu disse: ‘uau, que pé impressionante tem esse cara, é incrível’. Então no primeiro show que eles fizeram com a gente, eu disse para John antes do show: ‘adoro seu trabalho com os pés no disco, é incrível’. E ele disse ‘obrigado, peguei de você’. Eu disse ‘não me lembro de fazer isso, pegou?’. E ele: ‘sim, está no seu disco do Vanilla Fudge’. Perguntei onde estava aquilo, porque naqueles dias – e ainda hoje –, eu não toco o que eu ensaio, eu toco o que vem na minha mente quando estou lá. Então eu tinha feito aquilo em um álbum, ele mostrou – acho que era no álbum ‘Renaissance’.”

O clima durante a turnê era de amizade. Os dois, inclusive, faziam “citações” frequentes ao trabalho um do outro durante os shows. Hoje, Appice comenta:

“Ele tocava alguma virada minha e me olhava, daí nós dávamos risadas. Quem diria que essas viradas seriam associadas a ele?”

Led Zeppelin com Carmine Appice

O baterista do Vanilla Fudge garante que não quer soar pretensioso, embora reconheça que seja fácil dizer isso sem a presença de Bonzo, falecido em 1980, para contradizê-lo. No entanto, Appice já manifestou vontade de tocar com os membros remanescentes do Led Zeppelin, chegando a se julgar mais apto que o filho de John, Jason Bonham, responsável por substituir o pai em ocasiões especiais.

“Ele é o filho de John Bonham, mas não toca como John Bonham. Ele toca mais… ele toca mais como ele. Ele não é John. Ele tem o nome, mas não é John Bonham. Eu também não sou, mas acho que meu estilo é mais próximo, porque vim primeiro e John ouvia as coisas que eu fazia, fazendo do jeito dele. Levamos eles em sua primeira turnê. Soa muito próximo.”

O próprio baterista diz que na turnê de 1968, ele e o baixista do Vanilla Fudge, Tim Bogert, tocaram com o Led Zeppelin em algumas jams improvisadas. No entanto, não deve passar disso mesmo.

* Texto por André Luiz Fernandes, com pauta e edição por Igor Miranda.

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