Inglorious capricha no álbum de covers “Heroine”, interpretando cantoras do rock e pop

Disco mescla versões para artistas clássicas e contemporâneas, como Whitney Houston, Tina Turner, Evanescence, Alanis Morissette e Halestorm

O Inglorious lançou seu segundo álbum em 2021 – e o primeiro disco de covers de sua trajetória. Intitulado “Heroine”, o trabalho, que chega a público por meio da gravadora Frontiers Music Srl, reúne versões para músicas de artistas femininas, tanto do rock quanto do pop.

“Heroine” vem para firmar o grupo britânico com sua nova formação, que fez sua estreia em estúdio no último mês de fevereiro, com seu quarto disco, “We Will Ride”. Além do vocalista Nathan James e do baterista Phil Beaver, presentes desde o início, a banda conta agora com Danny Dela Cruz e Dan Stevens nas guitarras e o brasileiro Vinnie Colla no baixo.

Com 11 faixas ao todo, o álbum busca mesclar sons clássicos e contemporâneos. Canções de Whitney Houston, Tina Turner, Heart e Joan Jett, entre outras veteranas, dividem espaço com produções de nomes mais atuais, como Miley Cyrus, Evanescence, Halestorm e Avril Lavigne.

As gravações rolaram durante o período de isolamento social, provocado pela pandemia. Vozes e bateria foram registradas em estúdio, enquanto guitarras e baixo foram captados pelos próprios músicos em casa.

Todas as cópias vendidas da versão de “Heroine” em LP vão gerar £1 (uma libra esterlina) em doação para a instituição de caridade Women’s Aid, que zela pelos direitos das mulheres.

Nathan James complementa:

“As pessoas acham que os cantores que são meus ídolos são homens do rock e do blues, mas eles não poderiam estar mais errados. Cada uma dessas artistas me inspirou como performer, compositor, cantor ou pessoa. Seja a voz invencível de Whitney, o carisma de Tina, a honestidade de Alanis, a intensidade de Lzzy ou o controle de Amy Lee.

Eu amo o ímpeto que todas essas mulheres trazem para sua música e queremos agradecer por isso. Não apenas para essas artistas, mas a todas as incríveis mulheres em nossas vidas, que têm nos amado e nos apoiado. Com isso em mente, estamos doando uma libra de cada cópia vendida em nossa loja online para a fantástica organização de caridade Women’s Aid, que faz um trabalho incrível apoiando mulheres e jovens garotas.”

Ouça “Heroine” no player abaixo, via Spotify, ou clique para conferir em outras plataformas. Confira resenha sobre o álbum na sequência.

Em “Heroine”, Inglorious capricha em escolhas e releituras

Um álbum de covers é sempre um projeto repleto de dilemas para os músicos envolvidos. Quais faixas devem ser escolhidas? Para essa tarefa, é preciso ter um conceito na seleção ou vale apenas gravar as favoritas? E com as opções feitas, toca-se as canções da forma original ou aposta-se em releituras, mudando o produto original?

Em “Heroine”, o Inglorious conseguiu encontrar boas respostas para essas perguntas. Já é interessante, por si só, que o disco adote uma temática específica: apenas versões para músicas de artistas mulheres. Pode ser do pop, do rock, de antigamente, da atualidade… desde que se encaixe na roupagem hard rock do grupo e nos potentes e agudos vocais de Nathan James, está valendo.

Fora isso, as escolhas foram felizes e a banda soube definir quando mexer na roupagem das faixas originais e quando mantê-las.

Dá para perceber que os caras não estavam para brincadeira logo na faixa de abertura: “Queen of the Night”, hit de Whitney Houston, ganhou peso sem perder o tempero pop original. As linhas vocais são arrasadoras, o groove é matador e as guitarras souberam se posicionar. É uma das melhores músicas do álbum, além de servir como prova de que a recente mudança de formação fez bem demais ao Inglorious.

Na sequência, a versão de “Barracuda”, clássico do Heart, tem abordagem mais conservadora ao promover poucas alterações no instrumental – que já é difícil de ser tocado em sua proposta original. A lógica é subvertida com “Midnight Sky”, música da nova fase de Miley Cyrus que ninguém imaginaria entrar em um trabalho como esse. Boa versão, onde o groove de Phil Beaver e Vinnie Colla merece destaque.

A cozinha segue em destaque em “Nutbush City Limits”, de Ike & Tina Turner – agora, num ritmo mais tradicional e caráter despojado, com direito a instrumentos sopros e um piano malandro ao fundo. Pulamos, então, uns 30 anos para chegar à faixa seguinte: “Bring Me To Life”, original do Evanescence, em uma das versões mais peculiares do álbum. Da mudança na tonalidade, que valorizou o peso e as linhas vocais, à adoção de uma estrutura onde a banda só entra após o primeiro refrão, foram só acertos. A participação de um quase irreconhecível Jeff Scott Soto nos vocais mais graves é a cereja do bolo.

A audição segue com mais duas escolhas menos convencionais. “Fighter”, um dos momentos mais roqueiros de Christina Aguilera, foi uma ótima lembrança e ofereceu uma performance vocal fora de série por parte de Nathan James. “I’m With You”, original de Avril Lavigne, ganhou brilho extra a partir de detalhes sutis na produção. A ideia de ir além da dinâmica guitarra-baixo-bateria foi um baita acerto, especialmente pela entrada de um pedal steel muito bem tocado por Sarah Jory. O solo final de Danny De La Cruz também merece menção à parte.

Junto de “Barracuda”, a regravação de “I Hate Myself For Loving You”, de Joan Jett and The Blackhearts, é, talvez, a que mais se aproxima da zona de conforto do Inglorious. Boa versão, mas, pessoalmente, escolheria alguma faixa mais ousada de Joan.

A regravação de “I Am the Fire”, original do Halestorm, não poderia dar errado. Em se tratando de hard rock, é uma das melhores bandas dos últimos anos fazendo cover de outra das melhores bandas dos últimos anos. A performance de Nathan volta a impressionar – não é fácil interpretar Lzzy Hale – e todo o instrumental acompanha o alto patamar de qualidade exigido pela canção.

É curioso como o Inglorious encerra seus álbuns com faixas um tanto anticlímax, mas que fazem sentido no fim das contas. Não poderia ser diferente em “Heroine”. Após uma excelente versão acústica para “Time After Time”, de Cyndi Lauper – provavelmente, uma das cantoras pop mais adoradas por fãs de rock -, o quinteto saiu, com méritos, de sua zona de conforto ao regravar “Uninvited”, de Alanis Morissette. O resultado impressiona: o tom dramático da canção original foi mantido e até realçado com a cuidadosa interpretação de cada músico.

Não basta ter talento para produzir um álbum de covers interessante: é preciso ter boa capacidade de julgamento, desde a escolha do repertório ao trabalho de rearranjar as faixas. Por sorte, o Inglorious demonstrou possuir ambas as características em “Heroine”.

Dentro de sua proposta, o disco é ótimo. Soa divertido quando é preciso, prende a atenção nas ocasiões necessárias, apresenta escolhas e abordagens não tão óbvias e oferece performances individuais acima da média – afinal, estamos falando de um álbum onde um cantor homem interpreta músicas gravadas originalmente por mulheres e instrumentistas de hard rock vão de Tina Turner a Avril Lavigne.

Mais um grande trabalho de uma banda que, cada vez mais, merece a sua atenção.

Inglorious – “Heroine”

  1. “Queen Of The Night” (Whitney Houston cover)
  2. “Barracuda” (Heart cover)
  3. “Midnight Sky” (Miley Cyrus cover)
  4. “Nutbush City Limits” (Tina Turner cover)
  5. “Bring Me To Life” (Evanescence cover)
  6. “Fighter” (Christina Aguilera cover)
  7. “I’m With You” (Avril Lavigne cover)
  8. “I Hate Myself For Loving You” (Joan Jett cover)
  9. “I Am The Fire” (Halestorm cover)
  10. “Time After Time” (Cyndi Lauper cover)
  11. “Uninvited” (Alanis Morissette cover)

O Inglorious é:

  • Nathan James – vocal
  • Danny De La Cruz – guitarra
  • Dan Stevens – guitarra
  • Vinnie Colla – baixo
  • Phil Beaver – bateria
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