Foto: Paul Harries

Inglorious evolui e ganha peso no novo álbum “We Will Ride”, estreia da nova formação

Agora com o baixista brasileiro Vinnie Colla, grupo britânico soa mais denso e consistente em seu trabalho

O novo álbum do Inglorious está entre nós. “We Will Ride”, quarto da discografia da banda britânica de hard rock, chega a público por meio da gravadora Frontiers Music Srl.

O trabalho marca a estreia de uma nova formação, que traz os guitarristas Danny Dela Cruz e Dan Stevens, além do baixista brasileiro Vinnie Colla. O trio se junta ao vocalista Nathan James e ao baterista Phil Beaver, remanescentes do line-up anterior.

O quinteto está tocando junto desde 2019, quando os guitarristas Drew Lowe e Andreas Eriksson e o baixista Colin Parkinson saíram da banda de uma vez só. Na época, o Inglorious acabava de lançar seu álbum anterior, “Ride to Nowhere” (2019). Dela Cruz, Stevens e Colla assumiram a turnê de divulgação e logo planejaram a gravação de um novo trabalho com James e Beaver.

Ouça abaixo, na íntegra, via Spotify:

“We Will Ride” foi o primeiro álbum do Inglorious a contar com um produtor externo – função assumida por Romesh Dodangoda (Bring Me The Horizon, Bullet For My Valentine, Motörhead). As gravações aconteceram em 2020, no País de Gales, em meio ao lockdown provocado pela pandemia no Reino Unido. A gravadora garante que os músicos respeitaram as regras de distanciamento social.

Todo esse cenário de mudanças promoveu a chegada de um novo Inglorious. A formação atual soa mais consistente e ousada, desde as composição até a escolha de timbres e saídas instrumentais. Trabalhar com um produtor também parece ter feito a diferença.

Como resultado, “We Will Ride” tem uma proposta musical mais pesada e até densa do que os álbuns anteriores da banda. É como se, enfim, o Inglorious tivesse dado aquele “passo além” que os fãs esperavam nos discos anteriores – algo que parece ter sido ensaiado no bom “Ride to Nowhere”.

Aqui, embora esteja mais difícil traçar paralelos, a banda faz mais referências a nomes como Rainbow (com Dio, claro) e Scorpions (da fase com Uli Jon Roth, guitarrista com quem Nathan James tocou no passado), além de agregar influências do metal contemporâneo. Em vários momentos, o grupo deixa de emular aquele som do rock clássico presente nos outros discos, algo que já estava passando da hora de acontecer.

As performances individuais de cada músico também trazem certas peculiaridades. Nathan James, a quem nunca vou me cansar de elogiar, passou a explorar registros mais graves de sua voz. Danny Dela Cruz e Dan Stevens compõem uma boa e entrosada dupla de guitarristas, com destaque ao primeiro, que cuida dos solos com competência. Vinnie Colla traz um som de baixo mais discreto e efetivo, trabalhando mais em prol das músicas do que seu antecessor. É um baixista propriamente dito, que sabe o que está fazendo – e isso parece ter deixado Phil Beaver ainda mais solto na bateria, o que é ótimo.

She Won’t Let You Go“, lançada como primeiro single, abre o álbum em grande estilo, reunindo todos os elementos que fizeram o Inglorious se tornar um destaque do hard rock na década passada. “Messiah“, na sequência, dá início às mudanças que serão aprofundadas ao longo do disco. A faixa soa mais pesada e intensa do que boa parte do catálogo anterior do grupo, além de trazer uma abordagem mais contemporânea.

Medusa” volta a fazer referência aos clássicos do hard rock, com riffs canastrões – compostos por Joel Hoekstra (Whitesnake) – e pegada envolvente. A balada “Eye of the Storm“, em seguida, parece ter surgido cedo demais na tracklist. Ainda era hora de pisar no acelerador. Apesar disso, a faixa convence por seu refrão aberto e bem construído, além da sempre incrível performance de Nathan James.

A ótima “Cruel Intentions“, assim como “Messiah”, parece transitar por um território ainda inédito ao Inglorious. Soa pesada e densa, não só pela performance dos músicos (incluindo o ótimo solo), como pelo campo harmônico diferenciado. “My Misery” é ainda mais heavy e volta a posicionar a banda no ano de 2021, mostrando que os caras não são meros reprodutores de clichês da década de 1970.

Do You Like It?” soa mais familiar às práticas da banda e dialoga com certos momentos de “Ride to Nowhere”, onde a abordagem hard rock ganhou contornos mais melódicos – agora, visivelmente, com dose extra de punch. A excelente “He Will Provide“, na sequência, subverte a lógica da faixa anterior. Abre com um riff de swing incrível, passa por versos quase Black Sabbath, transita por uma série de referências e desagua em mais um solo fora de série. Essa música era o teste de fogo da nova formação – e eles passaram com méritos.

Dona de uma intro de baixo matadora, “We Will Meet Again” é quase heavy metal e, talvez, uma das mais obscuras do disco. Próxima do fim, “God of War” soa bem contemporânea e poderia se passar por um hit pop rock não fossem as linhas de bateria mais quebradas de Phil Beaver. A faixa-título encerra os trabalhos de forma envolvente. Os versos são soturnos e não chamam tanta atenção, mas o refrão cresce e pega de jeito.

No geral, embora seja injusto posicionar “We Will Ride” na discografia do Inglorious (é outra banda, oras), dá para dizer de antemão: quem gostou dos outros álbuns também vai curtir (e se impressionar com) esse aqui. Já aqueles que não foram cativados pelos trabalhos anteriores podem dar uma nova chance, já que o som mudou – em minha visão, para melhor.

Trata-se, sobretudo, de um álbum de autoafirmação. “We Will Ride” mostra que o Inglorious segue vivo e ainda mais enérgico do que foi no passado. Os fãs agradecem.

O álbum está representado em minha playlist de lançamentos. Siga e dê o play:

Inglorious – ‘We Will Ride’

Nathan James (vocal)
Danny De La Cruz (guitarra)
Dan Stevens (guitarra)
Vinnie Colla (baixo)
Phil Beaver (bateria)

Músico adicional:

Rob Lindop (teclados, piano)

1. She Won’t Let You Go
2. Messiah
3. Medusa
4. Eye Of The Storm
5. Cruel Intention
6. My Misery
7. Do You Like It
8. He Will Provide
9. We Will Meet Again
10. God Of War
11. We Will Ride

* Foto da matéria: Paul Harries / divulgação

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