Foto: Gabrielle Duplantier / divulgação

Gojira amplia leque de referências e se mostra pronto para as massas em “Fortitude”

O novo álbum do Gojira está entre nós. “Fortitude“, sétimo trabalho de estúdio da carreira desta banda francesa que mescla metal progressivo, groove e até death e post-metal, chega a público por meio da gravadora Roadrunner Records.

O sucessor de “Magma” (2016) foi gravado em janeiro de 2020 com produção do líder do grupo, o vocalista e guitarrista Joe Duplantier, em seu estúdio próprio Silver Cord, e mixagem de Andy Wallace. Joe, que também é o autor da capa do álbum, é acompanhado na formação por Christian Andreu (guitarra), Jean-Michel Labadie (baixo) e pelo irmão Mario Duplantier (bateria).

Ouça a seguir, via Spotify:

Embora não seja conceitual, “Fortitude” tem um fio condutor em suas letras. Temáticas como desobediência civil (“Into the Storm”) e críticas ao consumismo (“Born for One Thing”) e ao desmatamento (“Amazonia”), entre outras, são exploradas ao longo do trabalho, que soa bem menos introspectivo, lírica e melodicamente, na comparação com “Magma” – este, composto após a morte da mãe de Joe e Mario.

A maturidade de quem está na estrada há duas décadas se reflete por aqui. O álbum traz os elementos sonoros que consagraram o Gojira ao longo dos anos, mas com elementos e referências adicionais que parecem transformá-los, enfim, em uma banda grandiosa, que merece se apresentar em arenas lotadas. O quarteto dos irmãos Duplantier sempre me pareceu ter maior aprovação da crítica do que do público em geral, mas esse trabalho deve resolver tal problema.

Born For One Thing“, canção que abre o disco em alta voltagem, parece sintetizar todos esses pontos citados. Nela, até os versos soam como refrão. As referências ao Sepultura aparecem muito, tanto nessa faixa quanto na seguinte, “Amazonia“, que Joe Duplantier já admitiu ser um tributo à banda brasileira. A música em questão faz uma crítica pontual ao desmatamento e acerta em todos os quesitos: da letra ao groove, da melodia à métrica. Tudo soa adequado por aqui.

Another World“, já conhecida do público assim como as duas primeiras, é conduzida por ótimos riffs, embora a falta de variação deixe-a um pouco abaixo das anteriores. Por sorte, “Hold On” não deixa a peteca cair. Da surpreendente abertura em coro ao andamento mais progressivo, com boas variações rítmicas e melódicas, cada compasso dessa faixa deverá funcionar muito bem nos shows.

De instrumental cavalar, “New Found” faz tímidas referências ao Pantera de Dimebag Darrell, mas sem deixar a própria identidade de lado. A climática passagem percussiva mais ao miolo da canção é de arrepiar.

A faixa-título oferece, enfim, algum momento de respiro. Trata-se de uma espécie de vinheta meio tribal, meio melódica, cujo gancho melódico é aproveitado na canção seguinte, a alternativa “The Chant“. Com vocais mais limpos, a música se aproveita de influências que vão do stoner ao grunge. Só faltou alguma variação melódica mais dinâmica, mas os solos na segunda metade compensam essa fragilidade.

Sphinx” parece encerrar os experimentos em um primeiro momento, já que soa como o Gojira dos velhos tempos, focado nos vocais gritados e em riffs excelentes. Tais características são preservadas na progressiva “Into the Storm“, que transita com naturalidade entre andamentos acelerados e passagens típicas de “arena metal”.

The Trails” volta a flertar com o alternativo, sendo guiada por um riff que remete ao nu metal dos dias de hoje. O (pré?-)refrão de vocal sussurrado é completamente anticlímax – e surpreende positivamente. O encerramento com “Grind” retoma a sonoridade pesada de outros momentos, com direito às melhores linhas de bateria de Mario Duplantier no álbum.

No geral, “Fortitude” tem todos os elementos que se espera de um bom trabalho de metal contemporâneo. Soa atual em letras, envolvente em melodias e intenso nos grooves. Tem refrão marcante, mas também tem riff pesado. Reúne influências diversas, mas apresenta um som único como resultado final.

Ainda é cedo para ranqueá-lo no catálogo do Gojira, mas não parece exagerado dizer que “Fortitude” está entre os melhores trabalhos da carreira da banda. Provavelmente, também será lembrado como um dos melhores discos de metal em 2021 – e com justiça.

O álbum está representado em minha playlist de lançamentos, atualizada semanalmente. Siga e dê o play:

Gojira – Fortitude

01. Born For One Thing
02. Amazonia
03. Another World
04. Hold On
05. New Found
06. Fortitude
07. The Chant
08. Sphinx
09. Into The Storm
10. The Trails
11. Grind

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