Foto: divulgação

Soul Station, projeto de Paul Stanley, tem altos e baixos no álbum “Now and Then”

O Soul Station, projeto de Paul Stanley (Kiss), resolveu lançar um álbum que mistura clássicos do soul/R&B com músicas autorais nessa mesma pegada. O trabalho tem seus altos e baixos – surpreende em alguns pontos, decepciona em outros.

O Soul Station, projeto de R&B/soul music de Paul Stanley (Kiss), lançou nesta sexta-feira (19) seu primeiro álbum de estúdio, “Now and Then”. O disco chegou a público por meio da gravadora Universal Music.

Criado em meados de 2015, o Soul Station busca mostrar a outra faceta musical de Paul Stanley: o ídolo do hard rock é apaixonado por soul e R&B, especialmente das décadas de 1960 e 1970. O frontman do Kiss já realizou algumas apresentações com o projeto nos Estados Unidos e Japão, mas, até então, não havia lançado material gravado em estúdio oficialmente.

Além de Stanley nos vocais, a banda apresenta Rafael “Hoffa” Moreira na guitarra, Sean Hurley no baixo, Alex Alessandroni e Ely Rise nos teclados, Eric Singer na bateria, Ray Yslas na percussão, Jon Pappenbrook no trompete e Gavyn Rhone, Crystal Starr e Laurhan Beato nos backing vocals.

Dessa formação, dois nomes são bem conhecidos pelos fãs. O primeiro, claro, é o de Eric Singer, que integra o Kiss e ainda participou da turnê solo de Paul Stanley em 1989. O segundo é o de Rafael Moreira, guitarrista brasileiro que tocou com Stanley na tour que divulgou o álbum solo dele, “Live to Win” (2006) – aparecendo, inclusive, no trabalho ao vivo “One Live Kiss” (2008).

“Now and Then”, ao todo, possui 14 faixas, sendo cinco autorais e 9 covers. Entre os artistas e grupos homenageados, estão Al Green, Smokey Robinson and The Miracles, The Temptations e Five Stairteps. Ouça a seguir:

Antes de tudo, é importante destacar que “Now and Then” é um álbum brega. O Soul Station é um projeto brega. Assumidamente. Basta observar as fotos da banda, inclusive nos shows, para se chegar a essa conclusão sem sequer ouvir a uma nota musical. E não há problema algum nisso. Quem não gosta de uma farofa musical, que atire a primeira pedra.

Eu, claro, adoro uma farofada, mas não esperava muito de “Now and Then”. Embora o panorama geral do álbum esteja dentro da classificação (mediana) que eu já imaginava, acabei me surpreendendo positivamente com alguns pontos mais específicos.

O primeiro é o desempenho do próprio Paul Stanley. Embora tenha sofrido com diversos problemas vocais nos últimos anos, o Starchild consegue se apresentar bem na maior parte do disco.

Como fã, inclusive, me conforta saber que Stanley não desaprendeu nada sobre música com o passar dos anos, mesmo estando há quase uma década sem lançar um álbum com o Kiss. As habilidades perdidas por ele foram físicas, relacionadas à idade e ao desgaste natural de um rockstar que não desacelerou. Ou seja: ainda há bom gosto e bom senso de sua parte.

A banda de apoio também merece destaque. Eric Singer, em especial, se mostrou uma escolha certa para o projeto, pois foi capaz de emular as linhas originais e até de acrescentar rudimentos e viradas que engrandeceram as canções. Os outros músicos também mandam muito bem – não há nada fora do lugar e tudo é produzido para deixar o frontman do Kiss em evidência.

É interessante, ainda, observar a performance de Paul naqueles covers que foram melhor escolhidos. Entre os exemplos, há “Could It Be I’m Falling In Love” (original dos Spinners), onde ele consegue oferecer nuances vocais acima da média; “The Tracks of My Tears” (Smokey Robinson and The Miracles), que se encaixou bem em seu timbre natural; e “Let’s Stay Together” (Al Green), na qual conseguiu preservar as boas características da gravação clássica.

Curiosamente, alguns dos melhores momentos do disco ficam a cargo das faixas autorais. “I, Oh I”, por exemplo, é de muito bom gosto. Já “Whenever You’re Ready (I’m Here)” traz boa dinâmica de dueto entre Stanley e uma de suas cantoras de apoio. “Lorelei”, por sua vez, é bem-sucedida ao explorar o registro grave da voz de Paul.

Citados os acertos, há de se mencionar os tropeços. O repertório em especial não foi bem escolhido, já que nem sempre priorizou a voz de Paul Stanley.

O Starchild não é um vocalista de soul/R&B e ainda tem sofrido com as limitações da idade. Quando, então, precisou recorrer aos falsetes e a outras formas de vocalização, soou um pouco vazio, sem as nuances vocais esperadas. Observa-se essa situação nos covers de “O-o-h Child” (Five Stairsteps) e “Just My Imagination” (Temptations) e na autoral “I Do”.

Além disso, é difícil ouvir o álbum inteiro em uma tacada só. O material como um todo soa enjoativo. Começa bem, mas vai perdendo força. Parece ser, novamente, culpa da escolha das músicas.

Destacados os pontos positivos e negativos, posso dizer que “Now and Then” é recomendado para fãs inveterados de Kiss e admiradores do soul/R&B das décadas de 1960 e 1970 – especialmente as ramificações mais românticas e menos dançantes. Nichos um tanto específicos.

Sei que esse álbum é a realização de um sonho pessoal para Paul Stanley. Ainda assim, não imagino que tanta gente teria interesse de botar esse disco pra tocar daqui algum tempo.

Paul Stanley’s Soul Station – ‘Now and Then’

01. Could It Be I’m Falling In Love [cover dos Spinners] 02. I Do
03. I, Oh I
04. Ooo Baby Baby [cover de Smokey Robinson and The Miracles] 05. O-o-h Child [cover de Five Stairsteps] 06. Save Me (From You)
07. Just My Imagination (Running Away With Me) [cover dos Temptations] 08. Whenever You’re Ready (I’m Here)
09. The Tracks Of My Tears [cover de Smokey Robinson and The Miracles] 10. Let’s Stay Together [cover de Al Green] 11. La-La – Means I Love You [cover dos Delfonics] 12. Lorelei
13. You Are Everything [cover dos Stylistics] 14. Baby I Need Your Loving [cover do Four Tops]

Formação:

  • Paul Stanley (vocal)
  • Rafael “Hoffa” Moreira (guitarra)
  • Sean Hurley (baixo)
  • Alex Alessandroni (teclados)
  • Ely Rise (teclados)
  • Eric Singer (bateria)
  • Ray Yslas (percussão)
  • Jon Pappenbrook (trompete)
  • Gavyn Rhone, Crystal Starr e Laurhan Beato (backing vocals)
1 comentário
  1. otima review, concordo plenamente, o repertorio escolhido acaba se tornando um problema para a sequencia da audição e analise final da obra, a despeito de eu ter também ficado, digamos, aliviado, com a performance do paul

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