Curiosidades

As ocasiões em que o Metallica fez shows sem James Hetfield e Lars Ulrich



O cerne do Metallica é composto, inegavelmente, por dois músicos: o vocalista e guitarrista James Hetfield e o baterista Lars Ulrich. São os membros fundadores e os únicos a permanecerem desde o inicio. Nem mesmo o guitarrista Kirk Hammett esteve nos primórdios, já que, nesse período, sua vaga era ocupada por Dave Mustaine.

Devido à importância de James Hetfield e Lars Ulrich para o Metallica, é curioso imaginar a banda se apresentando sem um deles. Todavia, isso já aconteceu na década de 2000.

Antes disso, vale destacar que a formação não sofreu alterações desse tipo no passado nem mesmo após James Hetfield sofrer queimaduras de segundo e terceiro grau, em 1992, durante show no Canadá, como parte da turnê conjunta com o Guns N’ Roses. Na ocasião, ele se acidentou com os recursos pirotécnicos do palco, mas voltou aos shows – em um prazo de duas semanas – apenas cantando. John Marshall assumiu a guitarra base em seu período de recuperação.

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Os shows sem James Hetfield

Foi Hetfield, inclusive, o primeiro membro fundador do Metallica a ser substituído em uma situação emergencial. No ano 2000, ele se ausentou de três shows da banda após sofrer um acidente de jet ski onde lesionou as costas. As apresentações sem o frontman rolaram nos dias 7, 8 e 9 de julho, em cidades do sul dos Estados Unidos: Georgia (Atlanta), Sparta (Kentucky) e Irving (Texas), respectivamente.

Na época, o Metallica estava com a turnê ‘Summer Sanitarium 2000’, que trazia várias bandas de abertura: System of a Down, Korn, Kid Rock e Powerman 5000. Era como um festival itinerante.

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Na ausência de James Hetfield, vários músicos se revezaram nos vocais. Além do baixista Jason Newsted, surgiam convidados como Jonathan Davis e Fieldy (ambos Korn), Serj Tankian (System of a Down) e Kid Rock com seu parceiro rapper, Joe C.

Além do imprevisto em si, a performance nesses três shows ficou bastante comprometida porque Hetfield é uma pedra fundamental no som do Metallica. Não só pelos vocais, como, também, pela forma como toca guitarra e conduz as músicas. Por isso, as apresentações foram marcadas por alguns erros de execução, mas renderam momentos divertidos para os fãs – que, no mês seguinte, puderam ver a banda completa em ação em datas remarcadas na cidade de Lexington.

Entre algumas passagens de destaque nesses shows, vale citar as performances de ‘One’ com Jonathan Davis – cuja banda regravou essa canção no futuro -, uma curta jam de ‘South of Heaven’ (Slayer) e uma versão de ‘Fortunate Son’ (Creedence Clearwater Revival) com Kid Rock. Além disso, as várias canções com Jason Newsted nos vocais ganharam um tempero diferente, como “Creeping Death”, ‘Seek and Destroy’ e ‘Fuel’. Pena que os músicos tenham errado tanto.

Veja, abaixo, um registro do show em Sparta:

Repertório, com marcações de tempo:

0:00:00 – Anúncio
0:05:55 – Creeping Death (Jason Newsted no vocal, Kenny Olson na guitarra)
0:12:02 – For Whom the Bell Tolls (Jason no vocal, Kenny Olson na guitarra)
0:16:56 – Seek & Destroy (Jason e Joe C nos vocais, Kenny Olson na guitarra)
0:24:48 – Mastertarium (Jason e Serj Tankian nos vocais, Daron Malakian na guitarra)
0:35:01 – One (Jonathan Davis no vocal, Daron na guitarra)
0:43:25 – Blind (música do Korn, em que a banda toca com Lars Ulrich na bateria e Kirk Hammett na guitarra)
0:48:18 – Earache my Eye (cover de Cheech & Chong cover com Fieldy e Jason nos vocais e Jonathan Davis na bateria)
0:52:13 – Clown (música do Korn em que apenas a banda toca)
0:56:08 – South of Heaven Jam (com Jason)
0:59:48 – Sad But True/American Badass (Kid Rock no vocal, Jason Krause na guitarra)
1:07:08 – Nothing Else Matters (Kid Rock no vocal, Kenny e Head nas guitarras)
1:12:55 – Fortunate Son (Creedence Clearwater Revival cover, com Kid Rock)
1:15:34 – Jumpin’ Jack Flash (cover de Rolling Stones cover, com Kid Rock)
1:21:14 – Fuel (Jason no vocal)
1:26:01 – Turn the Page (cover de Bob Seger, com Kid Rock)
1:33:43 – Whiplash (Jason no vocal)
1:39:24 – Enter Sandman (Jason no vocal, todos no palco)

O show sem Lars Ulrich

Em 6 de junho de 2004, foi a vez de outro pilar se ausentar de um show: Lars Ulrich. O homem que deu os passos iniciais da banda e que, até então, havia tocado em todas as apresentações realizadas sob o nome do Metallica passou mal antes de uma performance no Download Festival, na Inglaterra.

Por sorte, um baterista muito competente se prontificou a substituir Lars naquela noite: Joey Jordison, hoje ex-Slipknot. Ele também cedeu o espaço para Dave Lombardo, ex-Slayer, tocar as duas primeiras músicas do show com o grupo, ‘Battery’ e ‘The Four Horsemen’. Flemming Larsen, roadie de Ulrich, também performou em ‘Fade to Black’. O restante ficou a cargo de Jordison.

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Naquela noite, o Metallica não ficou livre de pequenos erros – naturais, já que os bateristas nem puderam ensaiar direito com a banda -, mas é evidente que a ausência de Lars Ulrich foi menos sentida que a de James Hetfield.

Dá para dizer que, sim, Hetfield acumula mais funções que outros músicos da formação, por ser o vocalista e guitarrista base, o que justifica sua ausência ser mais sentida que a de Ulrich. Todavia, em 2004, a banda também teve a “sorte” de ser surpreendida com a notícia nos bastidores de um festival com o porte do Download, onde há mais músicos competentes para “assumir a bronca” se necessário.

Joey Jordison não apenas mostrou que conhecia praticamente todo o repertório clássico do Metallica, como desafiou o próprio cansaço, já que havia acabado de tocar com o Slipknot. O músico não perderia a chance de tocar com seus ídolos.

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Também é curioso notar a pegada diferente que Jordison aplicou em algumas músicas, como ‘For Whom the Bell Tolls’, ‘Creeping Death’, ‘Seek and Destroy’ e ‘Sad But True’. Dave Lombardo também impressionou, mesmo demonstrando não conhecer tão bem os “mapas” das músicas que tocou.

Em uma entrevista ao podcast Talk Music, Joey Jordison relembra: “Saí do palco com o Slipknot e não deu nem tempo de tirar a máscara quando James Hetfield me disse que Lars não poderia tocar. Fiquei assustado, mas aceitei de imediato. Se não fosse para o Metallica, não sei se faria. Fui para a sala de ensaio, toquei com eles e ficou ótimo. Eles me deixaram muito confortável. Não foi um dos meus melhores shows, mas foi incrível”.

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Assista ao show na íntegra:

Repertório, com marcações de tempo:

0:01:18 – Battery (com Dave Lombardo)
0:06:55 – The Four Horsemen (com Dave Lombardo)
0:14:33 – For Whom the Bell Tolls (com Joey Jordison)
0:21:49 – Creeping Death (com Joey Jordison)
0:29:45 – Seek & Destroy (com Joey Jordison)
0:37:55 – Fade to Black (com Flemming Larsen)
0:46:04 – Wherever I May Roam (com Joey Jordison)
0:52:31 – Last Caress (com Joey Jordison)
0:54:35 – Sad But True (com Joey Jordison)
1:00:32 – Solo de guitarra de Kirk Hammett
1:02:34 – Nothing Else Matters (com Joey Jordison)
1:08:26 – Enter Sandman (com Joey Jordison)

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Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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