Tony Iommi, o criador do heavy metal como o conhecemos

Costumo dizer que, se os integrantes da formação clássica do Black Sabbath não conseguissem sucesso na música, não teriam êxito em nada na vida. O pensamento em questão se aplica a todos, mas, no caso do guitarrista Tony Iommi, se dá por questões físicas.

Costumo dizer que, se os integrantes da formação clássica do Black Sabbath não conseguissem sucesso na música, não teriam êxito em nada na vida. O pensamento se aplica a todos, mas, no caso do guitarrista Tony Iommi, se dá por questões físicas.

– Leia: Os instrumentos que Tony Iommi tocou nos discos do Black Sabbath

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Nascido na pequena área de Handsworth, em Birmingham, Inglaterra, Tony Iommi não teve uma juventude muito fácil. Antes mesmo de sua vida adulta chegar, lidou com o bullying – devido a uma cicatriz no rosto, adquirida ainda na infância e que justifica o uso de seu lendário bigode – e com um acidente na fábrica onde trabalhava, aos 17 anos, que lhe custou as pontas dos dedos do meio e anelar da sua mão esquerda.

O acidente chegou a colocar em dúvida o seu futuro na música. Tony Iommi queria ser um guitarrista famoso e, após o acidente, pensou que nunca realizaria seu sonho.

Todavia, seu chefe na fábrica apresentou a Iommi o trabalho do guitarrista de jazz Django Reinhardt, que também sofreu um acidente com os dedos e tocava de forma diferente. Ali, Tony percebeu que seria, sim, possível seguir carreira na música.

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Assim como Reinhardt, Iommi precisou fazer ajustes na forma de tocar. Ele conseguia utilizar todos os dedos com a ajuda de encaixes de plástico, que substituíam as pontas, mas, para isso, precisou colocar cordas de banjo na guitarra – até meados de 1970, quando a empresa Picato começou a fabricar cordas de tensão mais baixa.

Além disso, Tony começou a fazer músicas em afinação mais grave. Inicialmente, a ideia era obter um som mais grandioso, mas, por consequência, também facilitava na hora de tocar.

Tony Iommi, Black Sabbath e heavy metal

Todos esses pequenos ajustes fizeram com que Tony Iommi estivesse apto a criar a sonoridade heavy metal da forma que a conhecemos – e, no caso da mudança de afinação, chega a ser uma das características mais marcantes do estilo. Com o Black Sabbath, Iommi idealizou uma evolução tão grande da música pesada que seu trabalho passou a ser referência, além, é claro, de conquistar milhões de fãs pelo mundo.

O heavy metal não foi, exatamente, criado por Iommi ou pelo Black Sabbath. Bandas como Cream, Steppenwolf e até Led Zeppelin – porque não? – já faziam o que se chama de “proto-metal”, de sonoridade parecida com o que viria a ser o heavy metal.

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No entanto, Tony Iommi foi o principal inventor da sonoridade que deu origem ao heavy metal – um blues rock distorcido, pesado, sujo, alto e obscuro. E, curiosamente, tal feito foi conquistado por necessidade. A visão e perseverança de Iommi diante de sua deficiência o consagrou, para sempre, no mundo da música.

Infelizmente, outra questão de saúde fez com que Iommi pendurasse as chuteiras no que diz respeito às turnês. No ano passado, ele fez sua última apresentação com o Black Sabbath, alguns anos após ter sido diagnosticado com linfoma. O câncer está em remissão, mas pode voltar a qualquer momento.

Assim como quando atingiu a fama e a consagração, Iommi chega aos seus 70 anos desafiado por questões físicas. Com um histórico positivo nesse quesito, dá para apostar que ele estará bem em um futuro próximo. Os fãs, devotos ao estilo que ele planejou, estarão ao seu lado.

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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

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