A opinião de Synyster Gates sobre cada álbum do Avenged Sevenfold

Guitarrista comentou discografia da banda — incluindo álbum sem sua participação — em entrevista, revelando seus trabalhos favoritos e "menos apreciados"

Synyster Gates era a peça que faltava para o Avenged Sevenfold decolar. Penúltimo integrante da formação clássica a se juntar à banda, o guitarrista de nome Brian Elwin Haner Jr. trouxe virtuosismo e referências mais ligadas ao hard rock, heavy metal clássico e até jazz ao metalcore do grupo completo à época por M. Shadows (voz), Zacky Vengeance (guitarra) e Jimmy “The Rev” Sullivan (bateria), além do baixista Dameon Ash, que logo seria substituído por Johnny Christ.

Em 2025, este que vos escreve pôde entrevistar Gates e os demais integrantes do A7X — Shadows, Vengeance, Christ e o baterista Brooks Wackerman — para a Rolling Stone Brasil. Uma das partes da conversa consistia em fazer os músicos comentarem todos os álbuns da discografia. Synyster foi o responsável por alguns dos comentários mais curiosos, a exemplo de: uma análise detalhada de fã sobre “Sounding the Seventh Trumpet” (no qual toca apenas em uma segunda versão de “To End the Rapture”), uma forte demonstração de apreço pelo trabalho homônimo de 2007 e palavras um pouco duras sobre “Hail to the King”.

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Foto: Clovis Roman @clovis_roman

Confira!

Synyster Gates fala sobre cada álbum do Avenged Sevenfold

“Sounding the Seventh Trumpet” (2001)
Synyster Gates: “Adoro esse disco. Nunca fui fã de hardcore, mas a bateria do Jimmy [Sullivan, conhecido como The Rev, baterista falecido em 2009] me conquistou imediatamente. E eu adorava o jeito que o Matt [M. Shadows] gritava e o jeito como eles explodiam em harmonias lindas. As transições punk rock eram alucinantes. Eles me pediram para fazer um solo [‘To End the Rapture’]. A introdução do EP anterior a esse álbum é uma coisa diferente de piano. Pediram para que eu fizesse um solo meio épico de metal. Achei que era uma maneira realmente incrível de abrir o disco. O disco inteiro foi gravado antes disso, mas pelo menos eu consegui tocar em alguma coisa. Sempre gostei muito. Nunca foi a minha praia, mas achava que eles eram a melhor banda de hardcore. Gosto de todos os gêneros, mas não sou um elitista de gênero. Não gosto de todas as bandas de um gênero específico. Gosto do melhor do melhor. Até o Johnny tira sarro de mim e me define como alguém que ‘segue a corrente’. Torço para qualquer time da NBA que esteja se saindo melhor no momento, só porque gosto de assistir a um ótimo basquete, a menos que seja o meu time menos favorito — mas não vamos entrar nesse assunto. Sou um cara que segue a corrente e achava que eles eram a melhor banda de hardcore do planeta. E porque eles usam todas as suas influências, adoro isso nele.”

“Waking the Fallen” (2003)
Synyster Gates: “Comecei a compor e a participar mais em ‘Waking the Fallen’. Foi muito divertido entrar e começar a explorar instrumentos únicos, como violão flamenco, violão erudito, além de trabalhar com os caras e entrar na mente do Zacky, como ele aborda base e solo. Ele vai te dizer que ele não é um guitarrista solo, mas ele é um guitarrista incrível. Minha mão direita sofre para fazer aquele som punk rock. Zacky tem isso de sobra, é muito tecnicamente proficiente e tem muita sensibilidade, porque ele foi autodidata. Ele tem um jeito realmente maravilhoso de tocar. A mesma coisa com o Jimmy, que era tecnicamente proficiente. Nós não tocávamos muito com metrônomo e coisas assim, então Jimmy movia a bateria para todos os lugares. E Matt começa a cantar muito mais. Vi aquela voz tomar forma. Tive muita sorte de estar envolvido com pessoas tão talentosas.”

“City of Evil” (2005)
Synyster Gates: “‘City of Evil’ foi exatamente onde enlouquecemos naquele momento. Passei a sentir que era tanto minha banda quanto a banda de qualquer outra pessoa. E eu lutei muito mais por coisas: direção, arranjos… senti que queria estar mais envolvido em tudo o que estava acontecendo naquele disco. Jogamos um monte de influências malucas e tínhamos algum tempo de estúdio em nosso currículo. Então, sabíamos como entrar em um estúdio e produzir. Produzimos boa parte daquele disco. Mudrock, que tecnicamente o produziu, nos mostrou tantas coisas em ‘Waking the Fallen’. Soou como: ‘ok, nós sabemos como entrar em um estúdio e guiar esse navio’. E foi muito bom.”

“Avenged Sevenfold” (2007)
Synyster Gates: “O álbum homônimo é meu segundo favorito de todos os tempos. Ali eu sinto que o Jimmy realmente brilhou. Estávamos fazendo coisas únicas. Pude incluir todo tipo de coisa estranha que queríamos fazer. Jimmy estava compondo essas obras-primas incríveis, seja ‘Afterlife’‘A Little Piece of Heaven’ ou ‘Dear God’. Poder explorar algumas das minhas influências country e outras coisas foi muito divertido. Não havia regras. Era como jogar todas as regras pela janela, é incrível.”

“Nightmare” (2010)
Synyster Gates: “‘Nightmare’ foi difícil. Acho que o Matt realmente queria voltar às suas raízes metal e outras coisas. E eu não queria isso naquela época. Então foi meio difícil para mim. Mas quando o Jimmy faleceu e as letras do Matt mudaram, isso me tocou de uma forma que eu não consigo expressar. É tão profundo. E acho que esse disco foi crucial pois foi aí quando, para mim, ele se tornou o maior letrista do planeta. Ele sempre foi um grande contador de histórias, mas conseguir falar com o coração, contar histórias e ter essa inteligência emocional que ele conseguia articular nos discos, foi alucinante. Algumas das minhas músicas favoritas estão naquele disco. Foi uma transição meio difícil. Queria enlouquecer depois do disco homônimo. Só queria entrar no modo Beatles, ser um Beatles pesado. Na minha opinião, nós meio que regredimos. Mas estou feliz por termos feito isso, porque é um disco tão sombrio e é uma base tão boa para o lirismo brilhante do Matt.”

“Hail to the King” (2013)
Synyster Gates: “Foi um desafio. Não é meu disco favorito, sinto que estávamos como uma cópia de bandas mais velhas, coisas que já foram feitas. Mas ficar menos progressivo e tentar compor uma música que tenha a mesma vibe do início ao fim… você pensa: ‘sou uma banda progressiva, porque componho músicas de três minutos que soa pop, rock ou qualquer outra coisa’. É quase uma muleta compor música progressiva porque você pode colocar o que quiser. Você não precisa passar pelo marasmo de manter a vibe da música ‘Hail to the King’‘Shepherd of Fire’ ou algo assim o tempo todo. Então, o desafio foi um grande aprendizado. Então, extraí muito, talvez a maior parte, daquele disco em termos de desafios. Sou profundamente grato pela oportunidade daquele disco, mas não é o meu favorito em termos de audição.”

“The Stage” (2016)
Synyster Gates: “Revisitei ‘The Stage’ recentemente, depois de alguns anos. Não tinha ouvido nada dele além de tocar nos shows. E fico muito orgulhoso por esse disco. Acho que foi aí que realmente alcançamos nossa pegada e começamos a explorar todas as influências. Antes achávamos que estávamos usando todas as influências, e meio que usamos no álbum homônimo, mas foi nesse que a gente simplesmente estourou isso. Mas ainda tem muita ousadia, muitos elementos punk rock.”

“Life is But a Dream…” (2023)
Synyster Gates: “O maior orgulho que já senti como músico, compositor e instrumentista foi criar músicas que não se parecem com nada que eu já tenha ouvido, e tocar guitarra de um jeito que nunca ouvi antes — tudo isso com músicas que eu acho são realmente ótimas. Esse é o sonho. É um disco dos sonhos.”

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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

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