Morreu na última quinta-feira (7) o guitarrista Luiz Carlini. Um dos maiores em seu instrumento na história da música brasileira, o instrumentista de 73 anos se notabilizou pelo trabalho com Rita Lee & Tutti Frutti, além de ter gravado ou se apresentado ao vivo com Erasmo Carlos, Titãs, Barão Vermelho, Guilherme Arantes — com quem estava em turnê —, entre outros.
A informação sobre seu falecimento foi confirmada nas redes sociais por músicos como Andria Busic (Dr. Sin) e Andreas Kisser (Sepultura). De acordo com a Billboard Brasil, o artista estava internado no Hospital Metropolitano, em São Paulo. A causa do óbito não foi divulgada até o momento.
Nascido em 31 de agosto de 1952 e criado no bairro da Pompeia, na capital paulista, Carlini era amigo de infância dos Mutantes. Em entrevista a Igor Miranda, publicada na Rolling Stone Brasil, refletiu:
“Sou um sortudo. Era vizinho à casa dos Mutantes. Na esquina, o Made in Brazil. Comecei a viver essa cena. Sérgio Dias era meu amigo aos 11 anos de idade. Foi quando eles se mudaram para a Pompeia. Ele foi o primeiro a me estimular a tocar guitarra. Conheci os Mutantes antes de terem esse nome — e a Rita já frequentava. Quando a conheci, ela tinha uns 16 anos e eu tinha entre 11 e 12. Às vezes até falam que eu fui roadie dos Mutantes, mas antigamente não existia roadie aqui: os amigos carregavam os equipamentos e iam juntos.”
A carreira musical de Luiz foi iniciada em uma banda chamada Lisergia, ao mesmo tempo em que Rita Lee deixou os Mutantes. Não demorou até que os dois se juntassem em um novo projeto, Tutti Frutti. Com este grupo, Rita gravou os álbuns “Atrás do Porto Tem uma Cidade” (1974), “Fruto Proibido” (1975), “Entradas e Bandeiras” (1976) e “Babilônia” (1978).
Sobre o início da parceria, Carlini relembrou:
“Quando a Rita saiu dos Mutantes, ela tentou fazer uma dupla com a Lúcia Turnbull chamada Cilibrinas do Éden. Durou pouco, porque era um duo folk. Era legal, mas precisava de banda. Estávamos próximos, então fomos meio que ‘a bola da vez’. Foi assim que juntou o Lisergia com a Rita Lee. Comercialmente falando, não podia chamar a Lisergia, então fomos batizados de Tutti Frutti pelo Antônio Bivar, que era o nosso diretor do show.”
A grande obra-prima de Rita com Tutti Frutti — e, consequentemente, com Carlini — é “Fruto Proibido”. O guitarrista tocou em todo o disco, cocriou a música “Agora Só Falta Você” e ficou responsável pelo solo histórico de “Ovelha Negra”. Sobre esta passagem, ele comentou:
“Não existia solo inicialmente. Eu ficava ouvindo a música no estúdio e ela só ia abaixando o volume, meio triste, vazio. Senti que deveria colocar algo. Pensei tanto nisso que sonhei com o solo e acordei assobiando. Eu recebi esse solo. Acho que isso me foi dado, pois também provoquei, de tanto pensar sobre. Não mostrei para ninguém. No estúdio, na hora da mixagem, à noite, falei que tive uma ideia de solo e ninguém quis. Tentei no dia seguinte, ninguém quis. ‘Guitarrista é f#da, quer solar em tudo’. Numa terceira vez, paramos para um café, o Andy Mills me pediu para mostrar o solo. Desci para o estúdio, mostrei e voltei para a sala de mixagem. Todo mundo: ‘do car#lho, ficou lindo, ideia maravilhosa’. [Risos] Ouvimos várias vezes, então eu falei para gravarmos de novo, com outro drive, o Andy disse: ‘não, já está gravado’. E tirou a fita.”
Após seu trabalho com Rita, Carlini chegou a gravar mais um álbum com o Tutti Frutti — “Você Sabe Qual o Melhor Remédio” (1980) — e trabalhou em estúdio ou ao vivo com uma série de músicos. Sua vida é narrada no documentário “Luiz Carlini – Guitarrista de Rock”, lançado em 2023. Foi eleito um dos 30 maiores guitarristas da história do Brasil pela Rolling Stone Brasil.
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