Após anos de conflitos, Digão e Rodolfo Abrantes retomaram o contato. Em junho de 2020, os ex-companheiros de Raimundos anunciaram em uma live que haviam se reconciliado depois de duas décadas. No ano seguinte, publicaram até mesmo uma selfie juntos, no primeiro reencontro presencial.
Outros integrantes ligados à banda, porém, não aprovaram a reaproximação. O assunto surgiu no documentário “Andar na Pedra – A História do Raimundos”, que estreou no Globoplay na última quinta-feira (19).
Canisso, baixista que nos deixou em março de 2023, gravou um depoimento acerca do tema para a produção. Em certo trecho, o saudoso músico descreveu a volta da amizade como um “gesto desesperado” da parte de Digão, que, à época, sofria críticas pelas opiniões políticas declaradas nas redes sociais.
Conforme transcrição do Whiplash, o artista disse:
“É um gesto desesperado. Não tem sinceridade nenhuma, não tem amor nenhum ali, velho. Zero. Sabe o que que foi? Ele se viu isolado, ele falou um monte de m#rd@, ele tava sendo perseguido pela internet, o que ele fez?: ‘vou atrás do Rodolfo, minha última saída’.”
Já em outra cena, Canisso ainda acrescentou que o único prejudicado na história foi ele próprio:
“Pensa bem, eu passei 20 anos me f*dend#, literalmente. Porque nenhum dos dois se f*de#, dois filhinhos de papai. Agora vem: ‘meu querido, vamos falar com carinho, vamos falar com amor’. Vão se fod#r um pouco também, né? Porque só eu que me fod# aqui nessa história. Eu não tô muito na de beijinho e abracinho, não.”
Por sua vez, Fred Castro também acredita que a união não aconteceu de maneira natural. O ex-baterista do grupo viu a atitude como conveniente para Digão:
“Foi uma tábua também de salvação, num momento em que ele [Digão] estava… estava rolando aquele momento de cancelamento, a gente estava no meio de uma pandemia […]. Acho que tudo meio que rumou pra isso também […]. Eu tenho muito medo de falar sobre isso, mas eu não acho sincero.”
A resposta de Canisso à polêmica de Digão
Vale mencionar que, em maio de 2020, Digão causou polêmica na internet ao compartilhar nos Stories do Instagram uma imagem que descrevia o isolamento por causa da pandemia como “amostra grátis do comunismo”. Posteriormente, pediu desculpas pela postagem, dizendo que foi “infeliz e parcial”.
Com a repercussão, Canisso escreveu no X/Twitter à época:
“Brother, nenhuma opinião política, religiosa, esportiva, ou sobre qualquer assunto, de qualquer integrante da banda, nunca vai representar a opinião da banda. Fique tranquilo. Ele não representa nossa opinião, ponto.”
Sobre o Raimundos
Com influências do punk rock e da música nordestina, o Raimundos se consolidou com Rodolfo Abrantes nos vocais, Digão na guitarra, Fred Castro na bateria e Canisso, falecido em março de 2023, no baixo.
Ao longo da década de 1990, o Raimundos se tornou uma das maiores bandas de rock do Brasil. Discos como a estreia homônima de 1994, “Lavô Tá Novo” (1995) e “Só no Forévis” (1999) venderam milhões de cópias, rendendo hits como “Mulher de Fases”, “A Mais Pedida”, “Me Lambe”, “Eu Quero Ver o Oco”, “I Saw You Saying (That You Say That You Saw)”, “Selim” e “Puteiro em João Pessoa”.
A formação atual conta com Digão (vocal e guitarra), Marquim (guitarra e backing vocals), Caio Cunha (bateria) e Jean Moura (baixo).
