As reflexões de Eddie Vedder sobre guerra do Pearl Jam contra a Ticketmaster

Banda interpelou a empresa judicialmente alegando práticas abusivas nas vendas de ingressos

Quando se tornou um dos gigantes do rock, o Pearl Jam engajou na briga contra ingressos com preços exorbitantes. Em meados dos anos 1990, a banda travou uma batalha pública com a Ticketmaster, alegando que a empresa cobrava taxas abusivas sobre as vendas de entradas para apresentações ao vivo.

Porém, toda grande luta implica em consequências ainda maiores. Uma turnê inteira acabou cancelada por conta do conflito de interesses. Em entrevista de 2011, Eddie Vedder refletiu sobre os prejuízos.

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Disse o vocalista à Classic Rock:

“A minha opinião é que pudemos ver de perto como as coisas funcionam neste país. Fomos esmagados por um enorme gigante corporativo. Isso não nos matou, mas foi uma experiência e tanto.”

A derrota do idealismo de Eddie Vedder

Boicotar locais afiliados à Ticketmaster acabou forçando a banda a agendar shows em locais independentes ou onde eles próprios pudessem controlar todos os aspectos estruturais e comerciais. Não foi um cenário ideal, Vedder reconhece.

“Acabou atrapalhando a hora de tocar música. Quando tentamos fazer a turnê sozinhos, gastamos mais tempo pensando onde colocar os banheiros químicos do que em montar o setlist. Você não conseguia pensar direito sobre cercas, barricadas, questões de segurança e quantas estradas entram, quantas estradas saem, estacionamento… Isso se tornou parte da organização de shows ao vivo e era justamente do que tratavam as críticas! Diziam ‘se eles tivessem feito isso com a Ticketmaster, não haveria esse problema’, nem haveria mais ingressos falsificados… tivemos que trazer o foco de volta para a música e para tocar.”

Ao reconhecer a derrota, Eddie e seus colegas sentiram que suas convicções foram abaladas.

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“De certa forma, isso roubou um pouco do nosso idealismo.”

Pearl Jam vs. Ticketmaster

Na ação perpetrada em 1994, o Pearl Jam afirmava que a Ticketmaster mantinha um monopólio e abusava de seu poder, sobretudo ao assinar contratos exclusivos com casas de show, deixando os artistas e consumidores sem outras opções. Uma investigação federal foi iniciada na época.

Os músicos chegaram a testemunhar perante o Congresso sobre o tema, além de evitar locais que trabalhassem com a companhia. No fim das contas, em 1995, a Ticketmaster foi “inocentada” no processo e a investigação, encerrada. Três anos depois, o Pearl Jam voltou a trabalhar com a empresa, durante a turnê do disco “Yield”.

Ação do governo dos Estados Unidos

Recentemente, a Ticketmaster e sua atual mantenedora, a Live Nation, foram acionadas na Justiça pelo governo dos Estados Unidos. A alegação é de que a empresa viola as leis antitruste do país — que restringem ou se opõem à formação de trustes, cartéis e combinações monopolísticas similares.

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De acordo com o Wall Street Journal, o objetivo principal é forçar uma separação das companhias. A empresa de ingressos é responsável pelas vendas de 80% das entradas para espetáculos artísticos no mercado americano.

Uma investigação vem sendo realizada há anos. A apuração aponta indícios de um condicionamento ilegal de serviços, o que se configuraria em um descumprimento de acordo firmado pela indústria do entretenimento em 2010.

Os detalhes sobre o processo ainda estão sendo discutidos nos bastidores. É provável que nos próximos dias as informações sejam esclarecidas com maior ênfase.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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