Rob Halford conta como homofobia no metal o tornou solitário de início

Para o Metal God, esconder a sexualidade era necessário em uma época ainda mais carregada de preconceitos

Quando assumiu ao mundo sua sexualidade, no final do século passado, Rob Halford já era uma lenda viva da música. Fora do Judas Priest à época, o vocalista contava com uma carreira sólida, que se estendia por mais de duas décadas.

Não parecia ser tão difícil declarar ao mundo o que era. Porém, vivíamos um mundo ainda mais preconceituoso.

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Quem viveu o período lembra o quanto o Metal God foi vítima de brincadeiras de mau gosto por parte da imprensa especializada no período – incluindo publicação nacionais que faziam comentários em resenhas e charges debochando da situação. Uma realidade com a qual, infelizmente, o artista precisou lidar sem poder reagir por muito tempo.

Em entrevista ao Global News, transcrita pelo Blabbermouth, Halford refletiu sobre como foi a aceitação do público, além da importância de ter sido um dos primeiros astros do metal a “sair do armário”. Ele disse:

“Somos uma base ampla. Não estamos apenas na música, mas em todo lugar, em todas as esferas da vida. Quando eu era uma pessoa mais jovem, particularmente, mas durante os primeiros anos do metal, sim, havia muita homofobia, resistência e intolerância. Realmente tive que me esconder, disfarçar minha identidade dentro da banda. O objetivo de sair daquele lugar de ter que me esconder para agora ser capaz de sair e ser quem sou, principalmente na cena metal, porque a comunidade do metal ama e cuida dos seus, essa é a vantagem.”

Solitário em uma vida dupla

Rob reconhece que as experiências do passado influenciaram diretamente em sua personalidade.

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“Eu costumava me sentir terrivelmente solitário por ter que viver uma vida dupla. Toda essa questão de ser abraçado, não se sentir sozinho e fazer parte de um grupo de pessoas que estão todas sentindo o mesmo é realmente especial e único no mundo do metal.”

Rob Halford revelou ser homossexual durante entrevista à MTV em 1998. Ele retornaria ao Judas Priest cinco anos mais tarde, se mantendo como vocalista da banda até hoje.

Rob Halford: “a luta continua”

Em 2019, durante conversa com o podcast “Music Vibes with DC Hendrix”, registrada aqui, o cantor refletiu sobre o momento de libertação.

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“Eu não tinha um plano ou agenda quando fui à MTV para gravar aquela entrevista. Estava lá para falar de um álbum que fiz com meu bom amigo John 5, um grande guitarrista. Fizemos um disco chamado ‘Two’. Foi uma afirmação simples. Não lembro qual pergunta o produtor me fez que eu respondi: ‘blá blá blá, falando como um homem gay, blá blá blá’. Foi quando isso aconteceu.”

Rob comentou que leva apenas uma fração de segundo para dar um passo adiante e revelar uma informação desse porte ao mundo.

“Foi a sensação mais libertadora e incrível que pude sentir. Após voltar ao hotel, pensei: ‘o que eu fiz?’. Depois, pensei: ‘eu me sinto incrível agora, pois tirei um peso dos ombros, não preciso esconder e ninguém precisa fazer comentários maldosos – está tudo aberto’. É por isso chamam de ‘sair do armário’”

De qualquer modo, ele enfatiza que a luta não terminou.

“Ainda temos muito para fazer em termos de igualdade e aceitação, mas coisas incríveis não acontecem da noite para o dia. Temos uma grande jornada, mas nunca vou parar de falar sobre isso, pois é importante para mim e para muitos outros.”

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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