Corey Taylor reflete sobre transtorno bipolar e comenta maiores desafios

Vocalista do Slipknot cancelou turnê solo que faria no início do ano para focar em sua saúde mental

No início do ano, Corey Taylor surpreendeu os fãs ao cancelar a turnê solo que faria pela América do Norte entre 3 de fevereiro e 3 de março. O músico declarou que precisava cuidar de sua saúde após ter chegado “a um lugar que não era saudável para minha família e para mim”.

As batalhas contra problemas psíquicos nunca foram escondidas pelo frontman do Slipknot, que trata o assunto tanto através de sua arte quanto participando de eventos e em declarações à imprensa.

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Em dezembro do ano passado, o cantor falou ao canal The Void With Christina durante passagem pela Austrália. Na ocasião, discutiu a importância de ser tão aberto em relação às lutas pessoais. Conforme transcrição do Blabbermouth, ele disse:

“É interessante. Sempre fui muito franco sobre tudo e nunca percebi que era um estigma falar sobre esses assuntos, para ser sincero. Era uma linha que você realmente não cruzava ou não admitia, especialmente alguém na minha profissão ou algo assim. Também havia pessoas que meio que usavam isso como um assunto da moda, nunca de forma eloquente ou muito aberta. Então, quando comecei a me abrir, a resposta foi extraordinária.”

Taylor destacou que sua honestidade acabou ajudando muitos a também serem francos sobre o tema.

“Várias pessoas vinham até mim e diziam: ‘você me deu a coragem de me abrir sobre isso e realmente conversar com quem eu gosto sobre o que estava me afetando’. E isso, de uma forma estranha, me ajudou na comunicação com meus entes queridos. Senti que, sim, estava sendo muito aberto na imprensa e outras coisas, mas não era capaz de realmente fazer o mesmo com eles, expor o que estava realmente me afetando. E no segundo em que me arrisquei, se tornou uma grande virada de jogo. Então, realmente, de uma forma estranha, os fãs me ajudaram a ser ainda mais aberto. Foi quase esse tipo de vibração cíclica que eu não esperava.”

Corey Taylor e o transtorno bipolar

Corey também falou sobre como tem sido viver com transtorno bipolar. Também ressaltou o que falta ser dito na conversa sobre a doença.

“O mais importante que as pessoas não entendem é a perda de sentimento que vem com isso, especialmente quando o lado físico atinge você e se torna aquele trabalho árduo, quase impossível de apenas estar vivo ou ser humano. É algo que simplesmente não dá para descrever, a menos que também tenham passado por isso. E, obviamente, há pessoas que tiveram crises de depressão, mas não têm o físico, o transtorno bipolar. Uma vez que o vazio atinge, então podem ter empatia de uma forma estranha. Mas é realmente difícil tentar fazê-los ver por que é tão difícil simplesmente superar. É quase como substituir seu corpo pelo corpo de um manequim e ter que ser muito plástico, e tudo é tão deliberado e tudo tão pesado… eu chamo isso de tentar correr debaixo d’água. Então eu acho que essa é a maior coisa que realmente é a mais difícil, para realmente fazer com que as pessoas entendam e tenham empatia.”

Para superar, as companhias certas acabam sendo um fator preponderante. Taylor afirma:

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“Felizmente, agora estou em um relacionamento que dá certo, estou cercado por pessoas que entendem e acho que isso é uma verdadeira chave. Porque às vezes você não precisa necessariamente entender, mas sim ter empatia e dizer: ‘Ok, como posso ajudar? Como posso tornar isso mais fácil?’. Já vi isso com muitas famílias com quem trabalho, que lidam com TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático). É fazer com que essa comunicação aconteça. Eu não preciso de você para me salvar. Só preciso que você esteja lá se eu começar a cair. Isso é tudo que eu preciso. Saber disso irá ajudá-lo a superar essas lutas.”

Com 50 anos completos no último dia 8 de dezembro, Corey possui um histórico de luta contra a depressão. Na juventude, chegou até mesmo a atentar contra a própria vida.

*No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.

Sobre o transtorno bipolar

De acordo com o site do Ministério da Saúde, o transtorno bipolar está relacionado à interação entre fatores biológicos, neuroquímicos e psicossociais/ambientais e se destacam as alterações do humor, como alternâncias entre períodos de depressão, períodos de euforia (do grego, “mania” e hipomania) ou sentimentos mistos. Essas fases são bem definidas e têm duração de alguns dias, até meses.

Segundo a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), o transtorno bipolar afeta cerca de 140 milhões de pessoas no mundo e os sintomas aparecem quase sempre antes dos 30 anos, principalmente entre 18 e 25 anos de idade.

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A fase de mania é uma das características mais associadas ao transtorno bipolar, onde é comum que o indivíduo apresente um quadro de euforia intensa, aceleração do pensamento, agitação extrema, excesso de energia, desinibição (por exemplo, sexual, gastos excessivos, engajamento em atividades de risco), diminuição da necessidade sono e pensamento de grandeza, podendo cursar com delírios de grandeza e episódios de alucinação.

A hipomania pode ser definida como um quadro mais leve da mania, com sintomas atenuados, menos evidentes e menor perda de controle. As pessoas ao redor notam que o indivíduo está com um funcionamento fora do seu habitual. Faz parte do tratamento desenvolver autoconhecimento para buscar ajuda nas fases iniciais das crises de mania ou hipomania.

O diagnóstico de transtorno bipolar é raro durante a infância. Os sintomas geralmente começam a ser manifestados durante a adolescência, com quadros depressivos e os primeiros sinais de euforia. Nessa etapa os indícios da depressão são mais comuns, com destaque para sintomas mistos, ou seja, com impulsividade, rompantes de agressividade, irritabilidade, angústia e desespero.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atendimento para pessoas em sofrimento psíquico por meio dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A RAPS é composta por diferentes equipamentos: Unidades Básicas de Saúde (UBS), que idealmente deve ser a “porta de entrada” do cuidado em saúde mental, os Consultórios de Rua, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades de Acolhimento (adulto e infanto-juvenil), Serviços Hospitalares de Referência (leitos em hospitais gerais), leitos em hospitais psiquiátricos e equipes multiprofissionais de atenção especializada em saúde mental (AMENT).

Sobre Corey Taylor

Nascido em Des Moines, Iowa, Corey Todd Taylor fundou o Stone Sour em 1992. Com o sucesso posterior, reativou a banda, que atualmente se encontra em hiato novamente. A consagração definitiva viria com o Slipknot, que se tornou um dos principais grupos do segmento do rock pesado nas últimas décadas. Segue no papel de frontman até hoje.

Além dos dois álbuns solo, gravou, produziu e excursionou com nomes como Apocalyptica, Damageplan, Dream Theater, Steel Panther, Soulfly, Korn, Zakk Wylde, Avatar e Walls Of Jericho. Chegou a ser testado por Velvet Revolver e Anthrax, mas acabou não ficando por conta dos compromissos prioritários.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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